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Veronica
Moraes Ferreira
Podemos
começar definindo o termo Didática de
uma forma bem simples:
Didática é a ciência que estuda
o processo de ensino-aprendizagem.
Segundo o Dicionário Aurélio:
Didática é a técnica de dirigir
e orientar o processo de ensino-aprendizagem.
Como
toda ciência tem seu objeto de estudo. A Teologia
tem o seu, que é a divindade, a Sociologia que
é o fato social, a Psicologia que é o
estudo do comportamento humano etc. A Didática
durante um certo tempo tinha o ensino como seu objeto
de estudo, mas os teóricos ao longo do tempo
perceberam através da práxis, que não
se poderia estudar só o processo de ensino sem
levar em consideração a aprendizagem,
pois só se pode dizer que há ensino se
houve aprendizagem, uma coisa inexiste sem a outra e
vice-versa. Passando a ser o processo ensino-aprendizagem
o objeto de estudo da Didática.
Se analisarmos então o verbo ensinar etimologicamente
veremos:
E + DUCO, -AS, -ARE, -AVI, -ATUM
E
= Prevérbio que significa o movimento de dentro
para fora
DUCO,
-AS, -ARE, -AVI, -ATUM
Verbo
= guiar, conduzir, Movimento de dentro para fora Vem
do substantivo latino = Dux, ducis = Guia, condutor,
orientador, capitão.
Ensinar
seria guiar, conduzir o educando a aprendizagem ( mas
esse movimento de conduzir o aluno a aprendizagem seria
de dentro para fora).
O
trabalho do Mestre seria pautado não na motivação
do aluno mas na sua estimulação ou incentivação.
Apenas se estimularia o educando de tal forma que fizesse
aumentar sua motivação pelos conteúdos
trabalhados tanto em sala de aula como fora da mesma
mediante a pesquisa.
Mas
qual a diferença entre Motivo X Incentivo?
Motivação
vem do verbo latino moveo, -es, -movi, -motum, -vere,
que significa por em movimento, mover.
Motivo é um substantivo latino motor, -oris ,cujo
significado original é o que move e segundo o
dicionário Aurélio é : que causa
ou determina alguma coisa, causa, razão.
As ações do homem são causadas
por duas espécies de forças, as fisiológicas(fome,
sede, sexo, sono etc) e as sociais (necessidade de realização,
desejo de agradar as pessoas com quem convivemos etc).E
essas forças são internas, encontram-se
dentro de cada um de nós. O motivo é uma
força interna.
O incentivo é um substantivo latino stimulus,
-i, cujo significado original é estímulo,
incentivo e segundo o Aurélio é: um estímulo,
aquilo que incentiva. O estímulo é o fator
externo que é capaz de despertar os motivos.
Podemos citar como exemplos de incentivo a censura ,
os elogios, as recompensas, as punições
etc.
Sendo assim, precisamos perceber que ninguém
motiva ninguém, por que as pessoas têm
suas próprias motivações para agirem
desta ou daquela forma. O que acontece é que
através de fatores externos, os estímulos
ou incentivos, o professor crie condições
para que os motivos sejam mais intensos ou não.
Notemos
que Jesus foi o mestre que melhor soube estimular seus
alunos. Cristo tinha como objetivo principal em seu
trabalho pedagógico fazer com que os alunos desejassem
aprender o conteúdo por ele ministrado aos mesmos
e não se baseava apenas na pura e simples transmissão
do conteúdo em si, mas na completa apreensão
do mesmo. Notamos isso no texto do evangelho de João
4.5-30.
Neste texto vemos que Jesus ao ensinar sobre o reino
para a mulher samaritana, partiu do seguinte princípio,
seria importante que primeiro despertasse a atenção
da mulher. E como fez isso? Ele lhe faz um pedido, que
de primeiro instante a surpreende não pela petição
, mas pelo fato de pedir algo a ela, sendo a mulher
samaritana, segundo os registros judeus não se
davam com samaritanos. A seguir Cristo diz-lhe algo
que a deixa sem ação, ou seja, é
trazido a conversa um elemento novo, provocando a curiosidade
epistemológica. E a partir daí, toda a
conversa é baseada em estímulos, fazendo
com que a atenção não seja de maneira
nenhuma desviada do que O Senhor Jesus desejava lhe
ensinar. Ele conhecia as reais necessidades dela, porém
fez com que a aluna em questão tomasse consciência
das mesmas.
Os
mestres devem conhecer a verdadeira necessidade de conhecimento
de seus alunos, para que o trabalho docente seja bem realizado.
Jesus teve a atenção da mulher pois não
começou sua aula fazendo uma "singela"
exposição em 50" minutos sobre o Reino
de Deus, expondo seu brilhante conhecimento sobre o assunto
a sua aluna, mas utilizou de uma estratégia pedagógica
inteligente, no caso em questão tratava-se de uma
conversa trivial, onde a estimulou buscando assim sua
participação no processo de construção
de seu conhecimento sobre o Reino de Deus. A cada instante
da conversa percebemos que a mulher samaritana estava
cada vez mais interessada em perguntar mais e mais sobre
o que Jesus estava a lhe ensinar. Até porque ele
fez uso do conhecimento que possuía das necessidades
de conhecimento de sua turma, no caso, constituída
de apenas uma aluna, a mulher samaritana, visando uma
verdadeira aprendizagem.
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