Poeta
Professor Silas Correa Leite*
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br
“Ou
locupletamo-nos todos, ou restaura-se a moralidade(...)”
– Ruy Barbosa
Surpreendi-me
quando uma professora de terceiro grau, lotada
em uma universidade privada da periferia da chamada
Grande São Paulo, declarou-se assustada
com sua variada clientela de nível superior,
na maioria sem ao menos saber conjugar uma oração
com sujeito, predicado e verbo. Pois pensei que
essa doutora universitária tivesse, como
Educadora sim, uma noção real do
verdadeiro triste estágio do atual ensino
publico brasileiro como um todo, e, no caso, paulista-paulistano
(a maior economia do Brasil), cujos problemas,
cedo ou tarde, de forma direta ou indireta, explodem
– se chegarem a tanto – num curso superior da
rede particular de ensino.
Na
verdade, na convivência que deveria ser
salutar, entre os, por enquanto, quatro poderes,
a comunidade carente ,e, as, ponhamos, autoridades
oficiais, tudo parece meio disforme do real, quando
não reinando a hipocrisia por atacado,
ou mascaradas por mudanças que, na verdade,
não mudaram nada. Ora, para variar, temos
uma reforma de ensino que, na verdade não
reformou nada, simplesmente deu rótulo
novo ao antigo, apenas racionou serviços
e espaços, e ainda, pior, trabalha Seres
Humano enquanto números, estatísticas,
porcentagens, tudo falseado, beirando ao ridículo,
tornando, na teoria-praxis, a tal reforma de araque
(para agiotas do capital estrangeiro arrotarem
grandezas pífias) uma empulhação
de mala e cuia, com apoio estatal, principalmente
desse último insensível governo.
Nunca
se falou tanto em Educação nesse
país, e nunca o brasileiríssimo
Ser Humano enquanto profissional do ensino publico,
ganhou tão pouco. Menos do que um balconista
das Lojas Riachuelo. Menos que um motorista de
ônibus urbano da paulicéia desvairada.
Por outro lado, nunca as escolas receberam tantos
papéis bonitos, coloridos, chiques, de
primeira qualidade principalmente estética
e conceitual, enquanto os educadores ganhando
uma miséria, simplesmente migram para bicos,
viram camelôs de ocasião, acabam
sacoleiros de coisas cabritadas (ou feitas às
pressas na economia informal de porões
e quintais), porque o que ganham se matando, em
lícitos mas inumanos acúmulos, mal
pagam problemas pessoais e carências causadas
por amoralidades inumanas de um Plano Real em
terra brasilis de muito ouro e pouco pão.
O
próprio Ministro Paulo Renato, certa feita,
de forma açodada e suspeita, liberou verba
altíssima para universidades privadas,
porque estas estavam falindo e tendo problemas
de “lucros”, de geração ruim de
finanças por interesses escusos. Ora, quem
não tem competência não se
estabelece, quem não tem capital que vá
especular com a fome e a miséria, por exemplo,
lá nos Estados Unidos. Lá, no caso,
seriam processados, presos. Aqui, abancam suspeitos
créditos desviados do erário publico,
sem auditorias e fiscalizações.
Enquanto isso, por outro lado, as universidades
públicas beiram à falência,
para gáudio de neoliberais que querem globalizar
a santa ignorancia, inclusive a política,
claro, para se revezarem de forma espúria
nos podres poderes.
Na
convivência entre colegas conscientes, politizados,
a frustração é geral. Todos
seguem carregando a canga de novos serviços,
cobranças emergentes (mentiras novas com
vernizes velhos), enquanto não têm
qualquer aumento de salário, e, quando
recebem o holerite-cebola, têm vergonha,
tristeza, frustração, com o tal
governo de um janota e boçal ex-ateu, ex-marxista,
ex-sociólogo.
O
Ensino Publico vive capengando nas mãos
de educadores que resistem, apesar de tudo, e
se não fosse isso, seria bem pior ainda
a violência generalizada nesses tempos tenebrosos
(de corrupção endêmica institucionalizada
em toso os níveis mais uma impunidade malufiosa),
pois cada sala de aula na realidade seria uma
triste micro-febem. Pior é quando uma sra.
que se diz secretaria de educação,
ao ver um professor idoso e competente ser agredido,
culpa a vitima; ao ver outro mestre ser morto
em exercício de regência, não
faz nada pela segurança do bairro que também
resulta de forma indireta e imediata na escola.
Infelizmente parecendo mais uma pára-quedista
que, por motivos escusos despencou na Rede de
Ensino e quer fazer chover no molhado, sem ter
consciência crítica e ético-legal
do que é mesmo a dura realidade de uma
sala de aula, historicamente refletindo lucros
impunes, riquezas injustas, e ainda pioradas a
partir da incompetente e corrupta ditadura militar,
depois, nessa nossa frágil democracia,
somadas às nefastas privatizaçoes-roubos,
apagões irracionais em terra de energias
de todos os tipos, mais aberrações
técnico-administrativas-funcionais que
tornam bizarro o quadro negro da educação
pública como um todo
Fóruns
de convivência de mestres (os sem salário),
mais ONGs e organizações internacionais
poderiam denunciar esses desgovernos que resultaram
no atual “Pai da Fome” (FHC), fazendo uma conclamação
popular universal, pela conscientização
pública geral, pois que a greve de fome
já dá para se medir nos cansados
e doentes professores, estressados e depressivos,
endividados e tristes, que até tentam comer
a insossa merenda da escola para passarem o dia
inteiro (e são criticados por isso), entre
dois empregos, vários bicos e tantas consternações,
tentando sonhar com dias melhores – sonhar é
preciso, a esperança e a inteligência
da vida – até que vejam uma luz no fim
do túnel em tempos futuros, com uma sociedade
esclarecida brigando por um humanismo de resultados,
e nem estatizaçao, nem privatização,
mas humanização.
E
depois, justiça seja feita, verdade seja
dita, acabamos por perder o respeito àqueles
que camuflados multiplicam dívidas sociais,
distribuem favores a banqueiros e agiotas internacionais,
agradam esquemas escusos e bandalheiras de terno,
gravata e farda, promovem engodos para ludibriarem
o povão (constitucionalmente razão
de ser do estado) e ainda promovem inversão
de valores com apoio de parte comprometida da
mídia e de empresários que, diziam
que iriam embora se o Lula fosse eleito e preferiram
o Collor e depois o FHC. E de Fernando em Fernando,
o povão vai se ferrando.
Nesses
últimos tempos que, antros econômicos
e balaios de ratos em bandas cambiais, fundam
cidadãos como meros dígitos entre
inflações camufladas e esmolas pseudosociais
com grife e cartões bancários, os
educadores devem buscar por fóruns de debates,
convivências sadias, troca de informações
sobre a docência em todo o território,
esclarecimentos legais e éticos, por que
como está não pode continuar, sob
pena de, num futuro não tão longe
assim, sermos substituídos por amigos do
alheio, máquinas sem ternura, e acabarmos
todos cobaias desses nossos tempos de arbítrios
disfarçados de uma frágil democracia
que na verdade é uma ditadura da mídia
(e medidas provisórias), quando os professores
acabarão se escondendo em bazares de periferias,
bobas lojas de um dólar, clandestinos carrinhos
de hot-dog, sofrendo ainda a hedionda violência
já generalizada, banalizada, ferrando ainda
mais a educação pública principalmente,
somando uma vergonhosa e histórica impunidade
por atacado, pois que a vida na Colômbia
é melhor do que no Brasil (quantas guerrilhas
tempo em campos e cidades?), quando a inflação
na Argentina é menor do que no Brasil (e
lá derrubam governos neoliberais que aqui
engolimos com nhenhenhéns), quando, até,
situações graves no Afeganistão
empatam com a nossa – acredite se quiser - e o
nosso salário mínimo – apesar de
sermos uma das dez mais economias do mundo – perde,
por incrível que pareça, para o
Paraguai, gerando nesses vários “brasis”
de contrastes sociais, um holocausto nas ruas
da miséria, entre os sem terra, sem salário,
sem amor, sem Educação.
EM SUMA: Brazyl : - Que falta de Educação!
(FIM)
(Texto
da Série – Inventários & Partilhas
– Prática Educacional Vivenciada – Livro
inédito do autor)
*Poeta Prof. Silas Corrêa
Leite, Educador, Jornalista, Escritor Premiado De
Itararé-SP
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Educador da Rede Pública e Particular de
Ensino. Pós-graduado em Educação,
Literatura, Relações Raciais e Inteligência
Emocional. Autor do Romance Virtual de sucesso ELE
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