“Aluno inadimplente”! Por trás
da expressão, problemas e polêmicas.
Problemas, na tensa relação entre
escola e família, sobretudo na classe
média. Polêmicas, no campo político-ideológico,
sobre ser ou não a educação
um direito social.
Prestadora de serviço como
outra qualquer, advoga a escola privada direito
à remuneração de seu trabalho,
aí incluído o de cortar o aluno
“inadimplente”, pela transferência compulsória,
ora lhe negando os papéis da “vida escolar”
ora não o recebendo se em débito
em outra escola... “Não merece o nome de
escola quem não sabe distinguir a relação
educacional de um simples contrato comercial”
- adverte o Ministro Paulo Renato, da Educação.
Educação, sim, é
direito social, garantido pela Constituição,
proclamam, em uníssono, vozes mais fortes
de nosso mundo sócio-político, sobretudo
os socialistas e sociais-democratas. Inadimplência
na escola (revoltam-se os mais exaltados, à
esquerda) é violência, já
que, em sua raiz, estaria uma política
castradora do próprio salário e
poder aquisitivo de nossas famílias. Mas,
se assim é (sussuram algumas escolas particulares
de muita procura), que os inadimplentes busquem
a escola pública! ...
Para os pais, no entanto, não
é tão simples assim. Nossa escola
pública, em sua maioria, se dá a
vaga, ainda não teria conquistado confiáveis
patamares de qualidade e, muito menos, de salutar
convivência social - efeito visível
da universalização, que, para a
escola, teria trazido problemas das mais diversas
procedências sociais (sobretudo, a violência
e as drogas).
De fato, um quadro agora dramático,
a médio prazo entretanto até salutar.
Sob consenso, a Nação acorda e decide:
até o final da década, terá
universalizado a educação básica
(fundamental e média). Sabe, porém,
que o social e constitucional direito à
educação não se resume ao
acesso. Inclui qualidade, que pressupõe
salutar convivência na escola.
Não apenas como condição
do aprender mas como ferramenta para a construção
da cidadania, objetivo maior da educação.
Fique, pois, aos gestores da educação
pública essa preocupação.
Aos da escola particular, a de que ela haver que
buscar seu verdadeiro papel: o de opção
e não (como agora) o de compulsão.
E, nesse lugar, o de aprender,
com as demais prestadoras de serviço, tratamento
mais “civilizado” a seus usuários (pelo
menos à luz das obrigações
do direito civil), as quais, a esta altura, já
colheram a lição de que, em tempos
difíceis, o “SPC” e os ”cartórios
de protesto” nem sempre são o melhor caminho.
Melhor cartilha, talvez, a história
da galinha dos ovos de ouro!