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::. Os educadores e outras posturas nas escolas
Poeta Professor Silas Correa Leite*
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br

Nos Projetos de Educação para esses chamados novos tempos, a Prefeitura de São Paulo criou, por exemplo, temas como JEI, JEA, JB, JEX e outras códigos de apontamentos de serviços técnico-educacionais, (dizem de jornadas do Professor em atividades fora de sala de aula) enquanto o Estado no mesmo feitio criou a chamada HTPC obrigatória, além das Horas de Atividades pedagógicas pertinentes a trabalhos afetos ao processo de ensino-aprendizagem propriamente dito, inclusive, esses "termos de classificações funcionais" também são usados como registros de freqüência nas escolas particulares.
Pois, a bem da verdade, criou-se, de forma tácita até, um certo rito funcional de que esses projetos devem ser obrigatoriamente e só sérios, fechados, perfeitos e acabados, truncados no contexto do propósito alegre (que deveria ser a Educação como um todo), quando o profissional de ensino de uma maneira geral submete-se às vezes à um regime fechado de horas, intercalando acúmulos e afazeres informais (a sobrevivência nossa de cada dia pelo salário-vergonha que lhe imputam), a partir disso imperativamente açodado a se acomodar a certas posturas ditatoriais (impostas de cima pra baixo), quase que numa senzala em círculo fechado e restrito da unidade escolar.
HTPC, JEI, Hora Atividade ou coisa que o valha, tem que ser como a democracia, como o pensamento único do educador politizado: arejada, ética, livre, dinâmica, questionadora (inclusive de si mesma), principalmente porque ao professor não cabe apenas ensinar, mas, principalmente INSPIRAR e, se a melhor pedagogia é o exemplo, por que fazer desses horários especiais de trabalho uma redoma de vidro onde cada um contempla o próprio umbigo e nem sempre são todos por um e nem todos por todos?
Um Professor alegre não pode reproduzir isso.
Ou, paradoxalmente, vamos ter que ser uma coisa em sala de aula e, como num quartel, apenas receptores de conhecimentos (administrativos) discutíveis no meio? Afinal, não somos baldes que apenas recebem porções, nem refis, mas acendedores de fogos...
Somos como ventos. Podemos encher balões coloridos de esperanças. Ou provocar naufrágios. Somos como fósforos. Podemos acender luzes ou provocar incêndios. Aliás, somos todos sementes. Quantos de nós serão flores e frutos, e reproduzirão, para sempre, a eterna primavera?
A Ditadura já acabou, apesar do Brasil de hoje - a corrupção financia o nosso "capitalismo"- ser resultante (falência ético-social-plural-comunitária) de tempos hediondos, mas os Educadores são, em tese, a cabeça pensante da sociedade (sem eles a situação estaria pior - cada sala de aula seria uma microfebem), e devem, sim, sempre, reproduzir situações objetivas, de paz e harmonia, de transparência, de comVivências, não situações de confinamento ou de simples aceitação sem críticas. O pior analfabeto não é o ignorante político?
Pois as JEIS, HTPCs, HORAS-ATIVIDADES têm que ser alegres como as esperanças limpas, graciosas como os sonhos de um mundo melhor, bases de trocas como o fito precípuo do processo educativo. Como a melhor vingança é SER FELIZ; como ao Educador consciente cabe uma reflexão plural-comunitária (e motivadora); como ao Mestre cabe uma constante motivação de convivência e lucidez a partir da troca de bagagens, por que tentar fazer desses projetos um mero momento imposto de passar recibo à um sistema consumista, inumano e sem respeito ao diferente, ao diálogo, ao processo de evolução de todos por todos, principalmente nesses tempos tenebrosos de, muito ouro e pouco pão (o neoliberalismo globalizado a miséria, a violência e a mentira)?
Hierarquia? Isso cabe ao aspecto técnico-administrativo-funcional.
Ordens superiores?
Bertold Brecht dizia que tudo o que está perfeito e acabado está podre.
E quem quer uma unidade escolar para mandar sozinho, que compre uma, monte uma, e ganhe dinheiro reproduzindo o nefasto sistema de riquezas injustas, lucros impunes e autoridades que não têm nada a ver.
Porque, de um modo geral, tudo se move a partir de equipes, congraçamentos, trocas, afetos, somas, elos, edificações, estruturações funcionais democráticas e serviçais ao todo em que o projeto-proposta se baseia e visa com altruísmo, eficácia e mesmo aprimoramento democrático.
E depois, e melhor revolução é aquela que começa a mudança conosco, dentro de nós, a partir de nosso meio. HTPC, JEI, HA, tudo isso tem que ser uma extensão da sala de aula; um braço sensível da comunidade como um todo, um reflexo do que somos, enquanto cidadãos, enquanto formadores de opinião e sabedores da dura realidade brasileirinha (que globalizou também o inumanismo.)
Quando o Professor tem consciência de seu papel na sociedade e do triste quadro negro (e social) a que foi legado - reformas educacionais que não reformam nada (fraudes & empulhações oficiais via FMI) - ele precisa começar a se mobilizar, a refletir, a questionar. A própria Constituição nos garante, acima de meros quesitos administrativos formais, o direito de expressão, de mobilização, de ir e vir, de emitir opiniões, inclusive contestatórias em quaisquer meios. Já foram os tempos em que alguns mandavam e tantos obedeciam de forma cega e infeliz.
É como o caso de uma escola que pede obrigatoriamente que todos avisem, por escrito, que vão faltar para movimentações, greves, paradas, mobilizações da categoria. Isso é inconstitucional, ninguém é obrigado a informar, muito menos expressamente, claro. A greve também por isso mesmo é um direito acima das autoridades e autoritarismos, é assim está até acima do próprio presidente.
O Educador tem que saber seus direitos, passar essa consciência-cidadã ao aluno (a melhor pedagogia é o exemplo), ser valorado também, de per-si, quanto aos eu direito de se expressar, criticar, trocar experiências e mesmo produzir conhecimento nos eu meio de uma modo geral. Sem essa postura, é um profissional na área errada. De carneiros cândidos, tosquiados, chega a maioria absoluta da nação que vota em ladrão, e, como disse Shakespeere, quem sorri para o ladrão que o rouba, é ladrão de si mesmo. Não aprendeu a lição. É ladrão de sua própria cidadania. O Educador tem que ser o mais ativo profissional possível, competente e consciente, reinvindicador. Para passar esse exemplo de Ser aos seus alunos. Ser um farol norteador também assim.
Os tempos são outros. Somos outros também?
Sonhador é aquele que percebe a aurora antes dos outros.


*Poeta Professor Silas Corrêa Leite - Pós-graduado em Educação (Mackenzie) e Literatura (ECA-USP) - Natural de Itararé-SP - www.itarare.com.br/silas
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Colabora com vários jornais, revistas, fanzines, suplementos, e diversos sites de Educação, inclusive os:
www.webestudante.com.br (link Colunista)- www.patio.com.br (ver Crônica) www.aprendiz.com.br (Fundação Bradesco - Link Coluna Livre)
Autor do romance virtual ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, no
site www.hotbook.com.br/rom01sl.htm
Texto da Série: Inventários & Partilhas
(Prática Educacional Vivenciada)
E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br Sites pessoais:
www.poetasilas.hpg.com.br e www.silaspoeta2222.kit.net
Endereço para contatos em SP: Rua Sumidouro, 138-Apto.28
Pinheiros - São Paulo - SP - CEP 05428-010
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