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::. Quem vai comemorar comigo minha milésima criança alfabetizada?
Queila Medeiros Veiga
Pedagoga, com especialização em Educação Especial. Atualmente Coordenadora Pedagógica pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo na cidade de Sorocaba/SP – E.E. Prof. Arquimínio Marques da Silva
E-mail: qmveiga@bol.com.br


Toda vez que chego em casa no final de um dia extremamente estafante, a primeira coisa que faço antes de me travestir de dona de casa, é dar uma olhada nas notícias do dia, um pouco atrasadas, mas mesmo assim posso me informar. Num desses dias estafantes, liguei a TV e me surpreendi com a notícia de que um jogador de futebol renomado queria mudar o local de um jogo, para um local mais badalado e famoso para comemorar seu milésimo gol. Parei diante da TV e fiquei impressionada com a ênfase que se dava para tal façanha, como se num jogo de futebol o único e principal objetivo não fosse colocar a bola pra dentro da trave. E é aí que entra minha pergunta: “e o que eu estou fazendo em minha profissão? Eu e milhares de educadores que têm tarefa mais árdua do que o jogador de futebol, acredito eu, quando tem de colocar na sociedade crianças com autonomia para atuar como cidadãos competentes.

Outro dia estava lendo um livro, desses que a gente ainda insiste em ler pra ficar atualizada e não deixar que a educação piore por falta de estudo. Pois bem, foi num desses livros técnicos que comecei a refletir se valia o sacrifício de ensinar, se é que se ensina alguma coisa a alguém hoje em dia. Depois de ler algumas páginas, enquanto o noticiário fazia o alarde com tal desespero de causa para se decidir o tal milésimo gol, fiquei tão irritada com a situação (e há males que vem pra bem) que tive a ânsia de escrever esse artigo. Talvez para desabafar um pouco, já que nunca seremos ouvidos nesse País da mesma forma que um jogador de futebol. Faço aqui, a minha parte, talvez de uma forma tão ínfima que nem seja notada, mas que já será um grande alívio.

Ao trazer essa significação para o conceito de educação que se faz, posso retornar à exploração que procurei fazer sobre a lógica da comemoração desse milésimo gol e sobre a quantidade – que não é menos que isso – de crianças alfabetizadas por muitos professores munidos de um conjunto de qualidades se caráter positivo, fundadas no bem comum com a finalidade de realizar os direitos coletivos de uma sociedade que se quer.

Publicado em 01/10/2007

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