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::. Ser Professor é sacerdócio. Mas também não podemos esquecer de pagar as contas
Julio Clebsch
Editor responsável da Revista Profissão Mestre
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Nestes quase cinco anos de Profissão Mestre, tive o prazer e a oportunidade de falar com professores, coordenadores e diretores de todo o Brasil. Encontrei muitas diferenças, e também alguns pontos em comum.

Por exemplo, a avassaladora maioria vê a profissão de educador como um sacerdócio, uma missão espiritual, de vida, a cumprir. Ótimo. Poucas forças podem ser tão motivadoras, podem levar a descobertas de novas idéias, podem tocar tantas mentes e corações como essa visão. Se você acredita nisso, continue. Se não acredita, pense um pouco em quão fundo você afeta seus alunos e seus colegas.

Porém, e aqui está um grande problema, muitas vezes essa visão de profissão torna-se a única visão disponível ao educador.

Se é sacerdócio, então é uma vida de monge. E monge penitente. Deve dar as mesmas aulas, sem mudanças, para sempre; da mesma forma que a vida em um monastério muda muito pouco. E se ganha pouco, e se os alunos são indisciplinados, e se minha escola perde alunos para a concorrência, tudo bem. Tem de ser com sofrimento, mesmo.

Assim, professores e diretores compactuam com uma situação que, em qualquer outra área da economia, seria motivo para, no mínimo, cabeças rolarem.

Professores não são treinados para lidar com o planejamento de sua própria carreira ou com a definição de metas. Diretores e donos de escolas, muitas vezes, não têm os mais rudimentares conceitos de administração de custos, marketing, retenção de clientes (alunos).

E aqueles que vêem um pouco mais à frente são, via de regra, execrados pelos colegas. Vi muita gente reclamando da viúva do Aurélio Buarque de Holanda por ter feito um bom acordo financeiro ao mudar o dicionário do marido de editora. Vamos ver, a família do dicionarista ganhou mais conforto, sua obra ganhou um fôlego novo e o mercado educacional brasileiro ganhou com a saudável disputa editorial entre dois grandes dicionários e uma multidão de vernáculos menores que se obrigam a melhorar, para acompanhar os outros. Mas a visão de muitos educadores é reclamar, porque "professor não pode ganhar dinheiro".

O professor Pasquale faz sucesso em programa de televisão, escreve livros, faz publicidade. Com isso, coloca o cuidado com a língua portuguesa na pauta do dia. Crase vira conversa de mesa de bar. Poucos são o que consideram isso um exemplo a ser seguido em outras matérias. A maioria reclama, pois "professor não pode ser famoso".

Grandes grupos educacionais, para atrair mais escolas conveniadas, investem centenas de milhares de reais em pesquisa, em aprimoramento do material didático, em treinamento de professores. Em um País cuja verba governamental para pesquisas é praticamente inexistente, é ótimo saber que há grupos de pessoas investindo para melhorar a educação.

Ah, mas eles melhoram apenas a educação "deles". Usam isso só para ganhar dinheiro. E "não se pode usar a educação para ganhar dinheiro". O triste é que os professores com essa mentalidade são os mesmos que reclamam dos parcos salários ou da diminuição de alunos em suas salas. Pense bem, com essa mentalidade, eles têm direito de reclamar?

Está na hora do educador e do diretor de escola se convencerem que eles têm direito a uma vida melhor e mais confortável, e buscar alternativas para tal.

É sacerdócio. Mas também não podemos esquecer de pagar as contas.

Abraço
Júlio Clebsch
Profissionais da Educação,
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