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Cantinho Armando Correa |
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Olá. Meu nome é Armando e sou psicólogo.
Apaixonado por esta profissão, me dedico
com entusiasmo e tenho realizado constantes pesquisas
e reflexões sobre as diferentes áreas
psicológicas, inclusive a educacional.
Creio no poder de
transformação, na relação
humana do educar.
Neste "Cantinho" especial, poderemos
trocar informações e compartilhar
as possibilidades educativas. Faço o convite
de entrarmos em contato. Espero você!
F@le
comigo
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O poder da liderança para a liberdade |
Conforme
Michaelis (2000), poder significa: 1 Ter a faculdade
ou a possibilidade de. 2 Ter autoridade, domínio
ou influência para. Ainda, 1 Autoridade. 2
Império, soberania. 3 Posse, domínio.
4 Governo de um Estado. 5 Meios, recursos. E, poderoso,
quer dizer 1 Que tem poder ou exerce o mando. 2
Que tem poder físico ou moral.
A julgar pela variedade de palavras que significam
poder, é possível distribuir, em escala,
as suas formas existentes. Ao imaginar uma formação
vertical ascendente, encontra-se o poder impositivo;
violento. Em outro extremo, a influência.
Nesta variação compreende-se a limitação
ou a magnitude que alcança o poder. Quem
exerce o grau de poder encontrado na escala variável
é o ser humano. A sua personalidade determina,
em boa parte, o tipo de poder a ser empregado.
Os termos autoridade, domínio e soberania
variam de acordo com a escala. Eles não querem
dizer, taxativamente, que seja uma coisa ou outra.
Apenas o exprimem de acordo com a situação.
O poder é um instrumento a serviço
do desenvolvimento humano. Tal é a busca
constante por ele. O que falta, bem sabemos, é
a consciência a respeito. Então, variará
o caráter individual com relação
ao seu emprego. Isto é confirmado em Siqueira
(2003), quando declara: "imaginamo-nos altamente
capacitados no reino da razão (...) embora
este autoconceito seja simpático do ponto
de vista da vaidade e da auto-estima, se observarmos
ao nosso redor, na convivência social, encontraremos
a negação, em alto grau, dessa proposta".
É bom lembrar que a nossa enorme imperfeição
poderá, oportunamente, nos encaminhar a comportamentos
de abuso do poder quando as circunstâncias
assim demandarem.
A evolução transporta o ser humano
a condições, cada vez mais elevadas,
de manifestar o poder, elemento inerente ao seu
crescimento. Na história, líderes,
em sua maioria, exerceram domínio de forma
atroz. Outros empregaram a sutil influência
quando dominaram, de acordo com Michaelis (2000)
1 Conter-se, vencer as próprias paixões.
2 Estar bem por cima de. Um grupo de pessoas. Fosse
um pequeno clã ou um império.
Tendo em vista estes conceitos sobre poder e liderança,
lançaremos, então, nossa atenção
para alguns líderes que utilizaram o ato
de influir sobre os seus seguidores. Numa breve
investigação, observam-se semelhanças
e congruência na forma de pensar e agir, tal
como em Thoreau, Gandhi e Luther King.
Em 1948, quando tinha dezenove anos, Martin Luther
King (1929-1968), foi ordenado pastor batista. Em
seguida cursou pós-graduação
em Boston. Seus estudos o levaram a se aproximar
das idéias daquele que o influenciaria: o
indu Mohandas K. Gandhi (1869-1948). A tônica
que permeava a forma de ser de ambos estava centrada
nas ações sociais não-violentas.
Movimentos pacíficos que atingissem resultados
sem qualquer intervenção violenta.
Os protestos tinham grande vulto, tal como em Gandhi,
pela independência da Índia, cuja dominação
inglesa tornava a vida do povo bastante explorada.
Luther King, por exemplo, conseguiu da justiça,
a proibição da segregação
em transportes públicos. As suas manifestações
ganharam vulto crescente. Porém, as atuações
pacíficas provocaram o triste fim àquele
que era averso a violência. Não obstante,
possibilitou mudanças fundamentais relacionadas
às questões raciais. Alguns dias após
o assassinato de King, o presidente Lyndon Johnson
assina uma lei acabando com a discriminação
social nos Estados Unidos.
Cabe ressaltar que os dois grandes líderes
foram influenciados por um terceiro homem: Henry
David Thoreau (1817-1862), filósofo, escritor
e naturalista. Thoreau chegou a permanecer preso
por uma noite, em lugar de pagar os impostos a um
tipo de governo que admitia a escravidão.
Esta atitude ficou conhecida como resistência
passiva, transportada para seu ensaio "Desobediência
Civil".
Nos movimentos realizados por Gandhi e King havia
muitos seguidores. Ainda que soubessem dos perigos
que os rondava. Afinal, o que existiu nestes líderes,
a ponto de mover tantas pessoas a favor de suas
ações, apesar das dificuldades? Encontra-se
nos dois os símbolos de liberdade e justiça.
É nesse ponto que a reflexão deve
ganhar espaço e ponderar sobre liderança
e poder.
No desenvolvimento humano encontramos algumas concepções
a respeito das etapas evolutivas do homem. Como
descrito em Hobbes (2002), há o aspecto natural
e a necessidade do controle para uma convivência
social (Estado). Entretanto, existe, também,
uma essência que o favorece quanto aos pensamentos
e atos relacionados à justiça e o
bem da espécie.
Aquino (1996) afirma que a ordem moral, pois, não
depende da vontade arbitrária de Deus, e
sim da necessidade racional da divina essência.
Isto é, a ordem moral é imanente,
essencial. Inseparável da natureza humana,
que é uma determinada imagem da essência
divina, que Deus quis realizar no mundo. Desta sorte,
agir moralmente significa agir racionalmente, em
harmonia com a natureza racional e própria
do homem.
Ao estudarmos a personalidade de Gandhi e Luther
King, encontraremos, não apenas essa essência
virtuosa presente, mas, o poder de influenciar seus
seguidores por meio da razão paciente. Parece,
existir uma influência ainda anterior aos
pensadores aqui descritos. Encontra-se em Gálatas
5:13 "Porque vós, irmãos, fostes
chamados à liberdade. Mas não useis
da liberdade para dar ocasião à carne,
antes pelo amor servi-vos uns aos outros".
Vemos ai a sabedoria de um tipo de liderança
que age estimulando parte de nosso ser em potencial.
É um convite ao desenvolvimento de certas
capacidades presentes na espiral da evolução
humana bem observadas por Tomas de Aquino, apesar
do poder usado no controle social descrito em Thomas
Hobbes.
Como se não bastasse tal poder, os dois líderes
tinham algo que fortalecia as relações
com aqueles que os seguiam: a consistência
e firmeza dos propósitos. A expressão
clara dos valores internos, da visão e missão
contidas em seus comportamentos. Em suma, o exemplo
vivo do que se acredita, se pleiteia e mantêm-se
firme a eles, somada à motivação
que se estabelece em cada pessoa que integra o movimento
de idéias e ações, no caso
deles, pacíficas. Uma combinação
de sucesso.
O educador-líder que vê no conhecimento
a chance de tornar o educando um ser livre em sua
construção de conhecimento, demonstra
servir com sabedoria. Aquele que estimula o seu
próximo a refletir sobre o conhecimento e
a liberdade realiza um trabalho de grande alcance.
Respeita as características individuais do
aluno. A sua postura é bem clara quanto aos
valores que defende e expressa a respeito do desenvolvimento
e autonomia. Gera o crescimento e mantém
a limitação distante. É a favor
da liberdade. Repele o cerceamento.
Quem educa com o propósito de ajudar o ser
humano a criar a própria chave da libertação
é digno de servir como mestre. Gandhi, Luther
King e outros líderes pacíficos trouxeram
ao mundo o sabor da conquista sem a imposição
que limita. Ao contrário, evidenciaram a
existência de um tipo de poder possível
na liderança, através de servir o
outro. Esta serventia age por meio de formas mais
brandas para o exercício da expressão
humana. E este modelo de liderança resulta
em possibilidade de se atingir objetivos. Sejam
da grandeza que for, e, sobretudo, gerar liberdade,
nas suas variadas formas.
Referências
AQUINO,
Tomás. Seleção de textos. São
Paulo: Nova Cultural, 1996.
HOBBES, Tomas. O Leviatã ou matéria,
forma e poder de um estado eclesiástico e
civil. Sumaré: Martin Claret, 2002.
MICHAELIS: minidicionário escolar da língua
portuguesa. São Paulo: Companhia Melhoramentos,
2000.
SIQUEIRA, Armando Correa Neto. A função
do educador frente à construção
do conhecimento científico. Internet, disponível
em: www.psicopedagogia.com.br. Acesso em 27/10/03.
Armando
Correa de Siqueira Neto é psicólogo
e desenvolve trabalhos e palestras com Psicologia
Preventiva e eventos educacionais. É mestrando
em Liderança pela Unisa Business School.
E-mail para contato: selfpsicologia@mogi.com.br.
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