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Cantinho Armando Correa |
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Olá. Meu nome é Armando e sou psicólogo.
Apaixonado por esta profissão, me dedico
com entusiasmo e tenho realizado constantes pesquisas
e reflexões sobre as diferentes áreas
psicológicas, inclusive a educacional.
Creio no poder de
transformação, na relação
humana do educar.
Neste "Cantinho" especial, poderemos
trocar informações e compartilhar
as possibilidades educativas. Faço o convite
de entrarmos em contato. Espero você!
F@le
comigo
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A
produção do saber na relação
indivíduo-comunidade |
Eis
aqui um eixo de difícil funcionamento: indivíduo-comunidade.
Podemos tratar essa questão com rigor, ao
mesmo tempo em que ela demanda naturalidade e sutil
contato. Se, por um lado caminhamos pela via individual,
empregamos em demasia a solitude em detrimento do
convívio comum. Se, por outro, nos misturamos
coletivamente, perdendo parte da identidade, exclui-se
a contribuição singular. São
extremos encontrados em nossa compreensão
a respeito de ser e agir.
O fenômeno da massificação é
largamente descrito por Gustav Le Bon, quando afirma
que o sujeito coletivo surge como resultado de um
comportamento irracional, e, o indivíduo
isolado é aquele que pode exercer a racionalidade.
Posteriormente, Freud descreve os comportamentos
de massa, comparando-os ao neurótico e à
criança. Apesar de algumas diferenças
conceituais, ele acaba por endossar as idéias
de Le Bon.
Nesta ótica de massificação
encontramos questões prejudiciais ao desenvolvimento,
seja individual; com a falta de sinergia, ou coletivo,
tendo em vista a ausência de ganhos conforme
veremos mais adiante. Grande exemplo disso são
as instituições e os princípios
do ensino, através de sua postura com relação
à participação de cada pessoa
na comunidade.
A construção do conhecimento no modelo
bancário, criticada há tempos por
Paulo Freire, por sua função limitante
já provocou reflexões em épocas
anteriores. Rousseau, no século dezoito,
em seu trabalho "O Emílio", dizia
claramente sobre as intenções da sociedade,
em "treinar" suas crianças para
um dia delas se servir, tornando a aprendizagem,
um instrumento limitador.
Outro grande estudioso da construção
do conhecimento foi Jean Piaget, ao estudar os processos
de inteligência e a evolução
em cada faixa etária. Esses estudos alavancaram
novas explorações no campo da Psicologia
e Pedagogia, fomentando ponderações
a respeito dos processos de aquisição
do saber.
Na mesma época de Piaget, na Rússia,
quem desenvolvia estudos nessa área era Vygotsky,
que se preocupou com o funcionamento do desenvolvimento
humano, a partir de um processo sócio-histórico.
Ele afirmou que o sujeito não é apenas
ativo, mas interativo, em virtude de se constituir
e formar conhecimento por meio de relações
intra e interpessoais.
Posteriormente, a argentina Emilia Ferreiro e a
espanhola Ana Teberosky trouxeram ao meio educacional
nova teoria, cujo aprendizado se dá através
da forma construtivista. Nesta concepção,
consideraram a criança e sua capacidade de
pensar, colocando-a como agente na construção
do conhecimento, levando-se em conta o ambiente
cultural, em contraposição ao modelo
educacional existente.
Nos últimos séculos houve uma forte
reflexão acerca de como o conhecimento é
adquirido pelo ser humano. Os vários pensadores
envolvidos nestas pesquisas indicaram diferentes
caminhos pelos quais atravessa o aluno quando em
contato com a aprendizagem. Foram considerados aspectos
orgânicos, psíquicos, sociais e a relação
entre eles. Contudo, cabe refletir, ainda mais,
a respeito da relação indivíduo-comunidade,
inserida na esfera da construção do
conhecimento.
A formação do saber ocorre através
da individualidade interna, aliada ao meio e não
na massificação. Na descrição
do filósofo brasileiro e contemporâneo,
Olavo de Carvalho, cabe lembrar do grego Sócrates,
quando argumentava acerca da construção
do conhecimento, tendo em seu cerne, a idéia
de que esse processo acontece individualmente. Seu
protesto solitário era contra o consenso
estabelecido, contrariando as crenças e hábitos
mentais sustentados como válidos por pessoas
que simbolizavam a máxima expressão
daquela época. A verdade pode estar longe
da maioria. Daí a contribuição
desse filósofo, ao apresentar e fazer uso
da dialética, que levava as crenças
a um sério questionamento, por meio de contradições.
Formamos em nosso psiquismo as idéias que
servirão de suporte para a nossa prática
de vida. Entretanto, de forma inconsciente, quando
queremos acreditar em alguma coisa, forçamos
a convivência de idéias incoerentes
por variadas necessidades psicológicas, na
busca por satisfação e a evitação
de desprazer. Na esfera grupal podemos nos valer
do poder da massa, onde o auto-engano coletivo é
ainda mais eficiente do que o individual. É
como descreve Carvalho: "(...) você recebe
o reforço de seus semelhantes e é
protegido pela idéia de que, se erra, não
erra sozinho, e de que tantos juntos não
poderiam errar de maneira alguma".
Em função dessas contradições
em nós encontradas, faz-se necessária
a constante reflexão, que revisa as nossas
crenças e nos remete à lógica.
Nesta dinâmica, podemos estar melhor presentes
com o meio e o conhecimento.
Contribuições para a reflexão
acerca do indivíduo, comunidade e o conhecimento
já existem. Pois bem, é hora de sermos
autores e exercer maior consciência e vontade
para provocar mais reflexões. O educador
que estimula e busca extrair o conhecimento de seu
aluno, a partir da prática habitual é
sábio porque influencia o ato do desenvolvimento
no ser humano.
O alcance de nossas vistas deve ser exercitado sempre,
sem nunca esquecer que estamos sujeitos a cair na
armadilha de retornar aos padrões já
aprendidos. A atenção é ferramenta
crucial, pois que os modelos tradicionais nos atraem
aos seus propósitos, ao criar conforto quanto
aos gastos energéticos de nossas capacidades,
além de acomodar as nossas ansiedades ante
a constante necessidade de se deparar com o novo
e as mudanças.
Este exercício de suporte qualitativo na
educação é fundamental enquanto
competência no perfil de liderança.
Deve ser papel do educador-líder propiciar
ao aluno o conhecimento e o estímulo para
o autodesenvolvimento. Extrair o conhecimento individual
em conjunto a comunidade que o rodeia e ser agente
transformador. Fazer parte, sobremaneira, na construção
dos fatos sociais e conjugar a tríade pensar-ser-agir.
A pesquisa feita com cuidado, atenção
e profundidade requer uma reflexão por parte
do estudioso, para que não se torne apenas
um punhado de conhecimento desconectado da realidade
social. Mas, a profundidade diz respeito ao quanto
desejamos, de verdade, nos "purificar",
das cristalizadas crenças, do auto-conhecimento
que pretendemos desenvolver, da disponibilidade
interna em elaborar formas de aprendizagem e relacionamento
com o outro. São uma boa empresa tais objetivos,
eles podem mudar favoravelmente os nossos pontos
de vista, viabilizando um amadurecimento necessário
para o crescimento de muitos.
Vale lembrar que precisamos "morrer" para
dar lugar a um novo nascimento dentro de nós.
A semente da morte está contida na vida e
faz dela cenário para mudanças todo
o tempo. Paulo de Tarso, sabiamente dizia aos que
com ele compartilhavam do conhecimento e amor que
pregava a respeito de Jesus Cristo: "Eu morro
a cada dia" (I Coríntios 15:31). Compreender
esta transformação dá suporte
e nos leva ao hábito de aprender diariamente.
Algumas reflexões podem centrar-se na construção
individual do conhecimento com interação
do meio e o hábito de mudanças e forte
presença de solidariedade. Essa forma crítica
de pensar nos coloca em condição de
harmonizar o desenvolvimento individual e global
através da comunidade. Os resultados acerca
do saber têm uma qualidade inigualável
e estimula, ainda mais, a sua produção,
haja vista a motivação que se dá
quando enxergamos a parte (Eu) influenciando e sendo
influenciado pelo todo (Nós).
Armando
Correa de Siqueira Neto é psicólogo
e desenvolve trabalhos e palestras com Psicologia
Preventiva e eventos educacionais. É mestrando
em Liderança pela Unisa Business School.
E-mail para contato: selfpsicologia@mogi.com.br.
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