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Cantinho Armando Correa |
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Olá. Meu nome é Armando e sou psicólogo.
Apaixonado por esta profissão, me dedico
com entusiasmo e tenho realizado constantes pesquisas
e reflexões sobre as diferentes áreas
psicológicas, inclusive a educacional.
Creio no poder de
transformação, na relação
humana do educar.
Neste "Cantinho" especial, poderemos
trocar informações e compartilhar
as possibilidades educativas. Faço o convite
de entrarmos em contato. Espero você!
F@le
comigo
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Repensando
a importância do convívio familia |
As
últimas décadas têm proporcionado
modificações revolucionárias
na vida do ser humano. Avanços tecnológicos
que resultaram em maior conforto e possibilitaram
o acesso entre os lugares, através dos meios
de transporte e a comunicação. Eletrodomésticos
a preços acessíveis, entre outros.
Contudo, nota-se, em particular, uma transformação
expressiva, uma vez que se trata de gênero:
o feminino.
Com as conquistas realizadas pela mulher na vida
profissional, houve uma enorme modificação
quanto as ocupações de vaga de trabalho
e posição hierárquica dentro
das organizações. Onde existiam apenas
homens anteriormente, hoje se encontram mulheres
disputando e executando diversas atividades. Isto
aconteceu a duras penas, com muito sacrifício.
Transpor as barreiras machistas - e ainda existem
várias - não foi tarefa fácil.
A luta tem valido a pena e serve de estímulo
para continuar a trajetória desta evolução.
Todavia, para tudo nesta vida, há que se
pagar um preço. Em nosso conhecimento comum
é sabido sobre a importância da figura
materna na criação dos filhos, é
próprio da natureza. O papel fundamental
da mãe para com a sua criança nos
primeiros anos de vida, período em que ocorre
a estruturação da personalidade infantil.
Também importante é o papel do pai,
com o seu amor e a inserção dos limites
alguns anos depois. Vários aspectos são
construídos neste rico período, tais
como as relações afetivas e o processo
de educação. Elementos fundamentais
para o porvir, na vida adulta da criança.
Sem eles, torna-se precária a formação.
Aprende-se no contato diário, no relacionamento
comum.
Portanto, se somente pela quantidade e qualidade
de convívio é possível se constituir
uma boa formação de afetos e educação,
que servirão de modelo e hábito para
o resto da vida, e as pessoas que cuidam das crianças
encontram-se trabalhando, ou seja, longe deste contato
necessário, o que resulta disso?
A esta pergunta, pondera-se sob diversos ângulos,
levando a algumas reflexões que podem servir
de base a constantes questionamentos acerca dos
problemas observados com o passar dos anos, repetindo-se
e aumentando a estatística das dificuldades
nos relacionamentos humanos.
Exemplos comuns a respeito deste convívio
familiar insuficiente são a precária
formação afetiva, resultando em algumas
dificuldades conjugais na vida adulta da criança.
Uma vez que ela não formou este tipo de relacionamento
em seu período de estruturação,
encontra enorme obstáculo em oferecer algo
que não possui, pelo menos o suficiente.
Leva o casamento a um grau de frieza e decorrente
distanciamento, ocasionando em alguns casos a separação.
Outro fato é o comportamento conseqüente
da falta de educação em muitos lares.
Pouco convívio, baixa construção
educacional e de valores. Soma-se isto à
falsa idéia de que limites traumatizam e
pesam mais do que as regras, e então, vê-se
uma tremenda falta de educação por
todos os lados.
Estas considerações que enraízam
alguns dos problemas de relacionamento humano fazem
voltar a atenção novamente para a
evolução feminina, e é possível
advogar na defesa daquilo que já foi conquistado:
a independência, sem radicalizar através
da opção involutiva, e ademais, seria
impossível retroceder pela própria
natureza das progressões. Busca-se, então,
uma alternativa de equilíbrio, a justa medida.
Para trazer este novo dado às dificuldades
existentes, faz-se necessária a contextualização
política e econômica da época
em que vivemos. Ou seja, com tanto desemprego existente,
medo freqüente de entrar em contato com a miséria
(esta, tão bem expressa pela mídia
diariamente), a necessidade de se aumentar a carga
horária de trabalho para criar maior rendimento,
que cada vez mais, alcança menos, pergunta-se:
Como tratar da questão da quantidade e qualidade
do convívio familiar? Soa como um absurdo,
mas não o é!
O ser humano, em seu caos social, ver-se-á
obrigado a modificar os rumos e estabelecer novas
medidas para atender a reorganização
que deverá ocorrer dentro de algum tempo:
a redistribuição de carga horária
na vida profissional. Esta proposta é amplamente
descrita por pensadores como Domenico De Masi, pensador
italiano contemporâneo, que sugere a distribuição
do trabalho em períodos de quatro horas diárias
para cada profissional, aumentando o número
de vagas e abrindo as portas para tantos desempregados.
Isto gerará maior tempo disponível
para as pessoas, que poderão usufruir conforme
o seu interesse. Inclui-se aqui, o precioso tempo
necessário às relações
familiares de base; aquelas da formação
no período infantil. Maior quantidade e qualidade
no convívio, ampliando as chances de uma
boa estruturação da personalidade
para uma vida posterior melhor. E isto, sem ser
preciso lançar mão de artifícios
radicais, contando com o bom senso e a inevitável
reorganização social.
Não é um empreendimento fácil.
Muita discussão deverá acontecer até
que os primeiros passos sejam dados nesta direção.
Refletir desde já a respeito pode colaborar
ainda mais, viabilizando o lado preventivo da questão,
e não permitindo que se chegue ao limite
insuportável, como ocorrem as grandes mudanças,
via de regra.
Sabe-se que muitas mães expressam claramente
o desejo de dispor de tempo para se dedicar as suas
famílias. E que a falta de perspectiva em
transformações neste campo levam à
ansiedade e frustração a respeito
do futuro.
Outra reflexão, ainda importante, é
sobre a qualidade de vida e do trabalho doravante.
Que profissionais as organizações
terão sob o seu teto? Pessoas cada vez mais
estressadas pela desenfreada corrida por horas a
mais no trabalho? Que gastos, privados e governamentais,
suportarão a demanda por tratamentos, cada
vez maiores, para as doenças que têm
consumido a saúde do ser humano? Quem suportará
o crescimento dos filhos, observando a instalação
gradativa de doenças até então
de adultos, por conta do frenesi das horas e dos
péssimos hábitos facilmente adquiridos?
Hoje a criação é distante,
fugindo ao importante convívio do significado
do termo família, do grego: famulo, que quer
dizer servo, aquele que serve. Servir é a
base. É preciso estar disponível.
Quem sabe, em breve ocorram as transformações
essenciais para que o ser humano continue a sua
evolução, pagando o preço justo
por ela, e não a pesada taxa que o consome.
É pela reflexão constante, vontade
e atitude que se tornará possível
contribuir, individualmente para o conjunto familiar,
formando assim, uma comunidade melhor. Repensar
é olhar os fatos atuais, as possibilidades
e o resultado entre ambos.
Armando Correa de Siqueira Neto é
psicólogo, consultor, conferencista e escritor.
É mestrando em Liderança.
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