Mediante as dificuldades
cotidianas de se educar os filhos, vê-se a
necessidade de agir com maior rigor, utilizando-se
de um planejamento a ser compreendido e discutido
entre todos aqueles que convivem com as crianças.
É importante criar um método que ajude
no processo educacional dos filhos. Não obstante,
agir organizadamente traz mais harmonia para dentro
dos lares, além de gerar a gostosa sensação
de se estar cumprindo a vital missão: educar
o ser humano para uma vida mais plena. Faz-se necessária
a lembrança de que a educação
infantil deve acontecer em casa, e que à
escola compete a formação acadêmica,
acrescida de alguns valores. Portanto, é
um casamento de forças educacionais e não
um jogo de empurra-empurra, no qual a criança
deixa de ser educada e de quebra sente-se um transtorno.
A educação leva tempo, não
ocorre da noite para o dia. Ela é um processo.
Não somos máquinas programáveis,
somos gente, que necessita de desenvolvimento e
maturidade para tornar a vida melhor. Os últimos
tempos têm dado amostras de resultados desastrosos
de uma educação com baixos limites
em sua estrutura, além da bola-de-neve dos
relacionamentos ruins que são desenvolvidos,
parte como conseqüência deste equívoco.
Contudo, a natureza é especial, e as possibilidades
favoráveis são ilimitadas. Para aqueles
que despertam com nova esperança em seus
corações, encontrarão força
para fazer a diferença, de seu jeito particular,
próprio de cada família.
Destacam-se alguns pontos-chave no processo de educação.
Eles determinam o grau de êxito em cada caso.
São o sacrifício, acordo, objetivos,
conhecimento, paciência, firmeza e perseverança.
Acrescente outros itens que desejar e melhore ainda
mais este encontro de boa vontade na educação
dos filhos.
1. SACRIFÍCIO:
A tarefa da Educação requer sacrifícios
como o da paciência, perseverança e
firmeza. Tudo tem um preço na vida. Compreender
o resultado do sacrifício ajuda a tornar
o custo mais leve. Há tempos as pessoas evitam
os sacrifícios, cujo termo significa: privação
de coisa apreciada.
2. ACORDO: Todos os cuidadores precisam conhecer
e estar de acordo, e agir em parceria. Assim, a
força estará concentrada na união
e na aprovação sobre a forma de se
educar, em comum acordo. A criança percebe
o conjunto coerente. 3. OBJETIVOS: Estas tarefas
de Educação visam a educar a criança
e, conseqüentemente, trazem mais harmonia para
o lar. Todos devem ter conhecimento acerca do que
se pretende com a educação. 4. CONHECIMENTO:
A criança, a partir de 2 anos de idade aproximadamente,
testará e contestará os pais, utilizando-se
da famosa birra (choro, esperneação,
etc) como instrumento para esta finalidade “Quem
não chora, não mama”. 5. PACIÊNCIA:
Sem a paciência desistimos de nossos projetos,
com ela, nos alimentamos diariamente, dando forças
para a firmeza. 6. FIRMEZA: Manter a prática
firme da educação e criar o seu hábito
levam a consistência e a segurança
da criança. Lembre-se que o tempo gera o
hábito. O hábito gera economia. 7.
PERSEVERANÇA: No dia.a.dia é que se
constrói a educação, portanto,
a sua manutenção persistente é
fundamental. A constância permite um resultado
bem melhor.
Vale lembrar a questão
humana presente na vida familiar: o quanto se está
envolvido com os filhos e as influências causadas
nos pais em virtude de seus comportamentos. Ou seja,
tolera-se ou não certos comportamentos infantis
de acordo com algumas experiências passadas
dos pais, tais como o choro, as dificuldades, etc.
Os pais podem estar “cegos” mediante certos comportamentos
dos filhos. A história de vida é singular.
Cada um tem a sua, inclusive a criança. Misturar
as estações só dificultará
o processo educacional, e de convivência.
Não é tarefa fácil, todavia
vale a pena. Outra questão é o sentimento
de culpa é comum nos pais, em virtude do
pouco tempo que passam juntos com os seus filhos,
pelo baixo ânimo e paciência que oferecem
após um dia de exaustivo trabalho, além
do acúmulo de noites mal dormidas, etc. No
entanto, a culpa apenas dificulta a educação,
diminuindo as chances de se praticar o que é
necessário. Os pais acabam invertendo as
prioridades, dão o que não deve, a
exemplo dos presentes. Não compre os filhos
com coisas, compartilhe educação.
Algumas regras colaboram
no processo da educação infantil:
1. Estar disposto a certos sacrifícios.
2. Manter comunicação constante. As
conversas fazem parte da educação.
3. Não atender as birras, mas aos pedidos.
4. Expor à criança que só será
atendida se pedir em tom de voz normal. 5. Evite
usar os personagens de televisão para amedrontar
ou punir os filhos, faz mais sentido alegar que
são os pais ou cuidadores que estão
educando. 6. Não voltar atrás. 7.
Oferecer algum tempo diário para se dedicar
aos filhos, carinho, brincadeiras, etc. 8. Evite
a contradição entre o que é
dito pelos pais. A criança se sente confusa
e dividida. 9. Os pais são o modelo a ser
seguido. Pense que tipo de modelo é o seu.
10. Não acredite que o tempo, por si só,
dará jeito na situação. Não
haveria sentido em existir a educação.
O pedido de socorro
emitido pelos pais é compreensível,
porém, a criança também grita
por ajuda. A birra é uma forma de saciar
os prazeres infantis, entretanto, quando atendida,
ela agrada e ao mesmo tempo gera um mal estar na
criança, que precisa de educação.
Quando nos sentimos sem apoio (limites), a angústia
é a sensação que expressa tais
circunstâncias. O sacrifício de manter
a educação é a luta diária
que cabe aos pais, e que tem como recompensa a boa
formação. Sacrifício requer
uma cota de entrega. Em Efésios 5:2, temos:
“e andai em amor, como também Cristo nos
amou e se entregou a si mesmo por nós, como
oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”.
Pense profundamente sobre a entrega que deseja empreender.
O método que persiste é aliviado pelo
tempo. A criança aprende e cria os seus mecanismos
próprios. Creia nela e em suas possibilidades
de educação.
Armando Correa de Siqueira Neto é
psicólogo, consultor, conferencista e escritor.
É mestrando em Liderança.