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Cantinho
Marina S. Rodrigues |
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Caros
internautas,
É com muito prazer e alegria que estou
podendo contribuir com vocês. Entendo este
espaço como um lugar de trocas, crescimento,
aprender e possibilidades em ampliar novos laços
virtuais. Tenho 19 anos de experiencia em Educação
e Ed. Especial, como psicóloga, pedagoga
e psicopedagoga. Também atuei alguns anos
em psicologia clinica atendendo crianças,
jovens, adultos, casais e supervisionando profissionais
na abordagem psicanalítica. Hoje atuo como
Consultora Educacional, conferencista e escritora
de livros sobre Educação Inclusiva.
Os temas favoritos que podemos |
conversar
são: ética; relações humanas,
sexualidade infanto-juvenil e adulta, aprendizagem, inteligências
múltiplas e emocional, atualidade, psicanálise,
dislexia, hiperatividade, autismo, psicoses infantis,
orientação aos pais / educadores e educação
inclusiva . Agradeço ao site Pedago Brasil
por esta oportunidade. Que esta rede de informações
traga bons frutos a todos!!!!! Com carinho. Psicóloga
Marina S. R. Almeida.
F@le
comigo
::.
Vislumbrar
o futuro, com olhos no passado: Os caminhos de
uma escola
humana |
Pais,
educadores e demais profissionais estão se deparando,
com um dilema: "Como educar nossos filhos para
uma sociedade futura ?".
Nossa preocupação e angústia vêm
da natureza de não conhecermos em detalhes os
aspectos fundamentais desta futura sociedade!
Se concordarmos que a função da Educação
é a preparação das pessoas para
o seu futuro, neste momento ninguém pode saber
com exatidão como será o futuro, nem o
futuro mais próximo.
Não sabemos, por exemplo, as conseqüências,
das possibilidades da clonagem humana ou dos resultados
do Projeto Genoma. Essa incerteza pode nos deixar paralisados,
insatisfeitos com a maneira de realizar "uma educação",
precisamos ter coragem para desafiar os erros para encontrarmos
novas maneiras de "fazer" ou "refazer"
a prática pedagógica.
Neste sentido, a Sociedade Contemporânea está
passando por uma série de modificações
estruturais que nos obrigam a reavaliar aquilo que estamos
fazendo em Educação, e tentar alinhar
este esforço à realidade que existe fora
da instituição acadêmica. Por exemplo,
muitas carreiras estão sumindo no cenário
nacional e internacional, devido à informática
e à globalização; por outro lado,
carreiras novas estão surgindo.
Como deverá ser esta escola e este educador nessas
condições? Como é preparar um educando
num mundo de velocidade, de mudanças na sociedade,
para um mundo de valores e de atividades profissionais
diferentes das atuais?
Acredito que a meta principal, da Educação,
da escola e do educador, tenha que ser investida no
preparo do futuro adulto para pensar sistematicamente
e ecologicamente. Exatamente o oposto da nossa Educação
atual, que apesar de suas modificações
através dos Parâmetros Curriculares, ainda
está sendo aplicado na prática para formar
os alunos baseando-se em fatos históricos e científicos
potencialmente úteis no futuro, mas aplicáveis
apenas no exame vestibular para entrada numa universidade.
A nova meta da Educação tem que ser como
pensar e não o que se pensa. Os principais problemas
de nosso tempo não podem ser compreendidos isoladamente,
mas vistos de forma interconectada e interdependente.
A maneira de pensar deverá ser "holística"
(vendo o mundo como um todo, integrado) e "ecológica"
(reconhecendo a fundamental interdependência de
todos os fenômenos naturais), tanto como indivíduos
como sociedade, todos nós estamos inseridos dentro
de processo cíclico da natureza.
O holístico também é parcial, pois
depende de quem está vendo, em que momento, lugar,
situação, de quem se trata, para que...
Portanto nunca teremos um controle do todo, mas podemos
ter maior chance se nos propusermos a considerar vértices
e opiniões diferentes da nossa.
Uma visão holística da escola, significa
vê-la como um todo funcional, compreendendo suas
inter-relações entre as partes envolvidas.
Numa visão ecológica, implicaria a percepção
do nosso ambiente natural e social, portanto de que
precisaremos para executar este paradigma? quais as
estratégias fundamentais? como as pessoas estão
afetando o meio ambiente natural, nosso cotidiano e
a comunidade? Por exemplo uma questão muito simples,
o uso do papel na escola de forma descartável:
que tipo de investimento estamos fazendo nas matas e
reposição das florestas? e a sociedade
está disposta a investir nisso? visto que a arborização
está ligada a nossa qualidade de oxigenação,
fonte determinante para a sobrevivência humana?
sem falar do uso da água e energia elétrica.
São questões fundamentais para serem pensadas,
as quais são investidas em larga escala para
a manutenção do nosso mundo que almeja
a velocidade, segurança, conforto, prestígio
e seus efeitos no meio-ambiente. Isto envolverá
valores diferentes, dependendo da escolha de sua marca
de papel, se reciclável ou não, se a indústria
que fabrica repõe o reflorestamento, se o equipamento
eletrônico é de baixo consumo, de alto
consumo,...
A pessoa poderá ser vista como uma pobre coitada,
alguém de bom senso, respeitável, admirável,
o rico que tenta esconder suas fragilidades através
do consumismo e outras tantas possibilidades.
Hoje dependendo da cultura, do local, do tipo de escolha
que fazemos encontraremos valores diversos. Isto inclui
que tipo de escola desejamos, que tipo de professor
desejamos, aonde matriculamos nossos filhos, etc...
A metáfora central da ecologia, é a rede
em oposição à hierarquia (estrutura
de poder); é provável que teremos uma
mudança na organização social,
de hierarquias para redes, em vez de um paradigma baseado
em valores antropocêntricos (centrados no ser
humano) surgirá um paradigma baseado em valores
ecocêntricos (centrados na Terra), reconhecendo
o valor inerente de vida não humana.
Podemos considerar que os valores poderiam estar voltados
para o tipo de escolha que iremos fazer e suas conseqüências:
se for poluente, se usa material reciclável,
se beneficia a saúde da pessoa ou a torna sedentária
e dependente, se ocupa muito espaço, etc ...
A partir desses conceitos, precisaremos de um novo sistema
de ética, diferente do atual, e nossos filhos
deverão ser preparados para sobreviver no futuro
entendendo dos princípios básicos da ecologia:
interdependência, reciclagem, parcerias, flexibilidade,
preservação, respeito, cultivo e diversidade.
Neste momento a Escola, o educador e todos nós,
precisaremos investir na consciência do nosso
meta-pensamento, isto é, saber como se resolve
um problema. Significa pensar em termos de conexões,
relações, contexto, interações
entre os elementos de um todo; de ver as coisas em termos
de redes e comunidades. Como a cadeia alimentar, a cadeia
de predadores que inclui o homem como o único
que mata sem ter fome, que destrói sem ter motivos,
apenas pela satisfação e onipotência
de seu domínio sobre as espécies "inferiores".
Levar o educando a saber pensar sistematicamente envolve
capacitá-lo a ver "processos" em qualquer
fenômeno, de ver mudanças (reais ou potenciais),
crescimento e desenvolvimento, de compreender coisas
através de um todo que é maior do que
a soma das suas partes; de reconhecer que as nossas
percepções estão alienadas pelos
nossos métodos de questionamento e que a objetividade
em ciência é muito mais uma meta do que
um fato.
Ver o mundo em termos de sistemas interconectados envolve
conhecimento de cibernética (padrões de
controle e comando), e de como lidar com complexidade
e com estruturas dinâmicas.
As próprias escolas poderiam ser convertidas
em organizações de auto-desempenho. A
sobrevivência tanto nas organizações
como nos ambientes escolares dependerá mais de
sua capacidade de funcionar com alto-desempenho do que
de outros fatores, como monopólios, patentes,
territórios exclusivos, sigilo ou localização.
E as escolas que não se adaptarem á nova
realidade serão colocadas à margem do
processo.
As escolas acreditam que trabalho-em-grupo é
uma coisa natural ou esporádica, espontânea,
sendo que isto não é um fato, há
necessidade de um vir-a-fazer em conjunto, o desafio
será comum, as propostas de forma grupal com
caráter mais solidário, substituindo o
velho instinto de homem gregário, predador e
antropofágico.
A capacitação dos professores talvez requeira
este novo desejo do fazer junto: o "trabalho em
grupo" sendo uma estratégia na sala de aula
e o papel do professor como mediador dos alunos. O próprio
educador precisa se tornar um agente de mudança
trabalhando em grupo com seus colegas, com outras pessoas
da escola.
As novas tecnologias de comunicação nos
permitem individualizar a aprendizagem, deixando cada
aluno navegar sobre vastos territórios de informação
virtual, imagética e sonora, destacando os assuntos
que agradam e isolando os que desagradam, aprofundando-se
nas categorias de informação que se afinam
com o seu "saber" individual de aprendizagem.
O saber precisa ter sabor, precisa ter gosto, agradar
o paladar, degustar, apreciar, despertar desejos de
quero mais.
De que professor estamos falando? Falamos da passagem
do professor para o educador, uma mutação.
Hoje estamos vivendo na Era da Informação,
um novo espaço está sendo criado, servido,
colocado à mesa para ser provado. Então
falamos de uma intersecção entre ciências
a Comunicação e a Educação,
nascendo o Educomunicador, assim como nasceu da intersecção
da Psicologia e Pedagogia, o Psicopedagogo.
Em tempos de reflexão e mudanças de paradigmas,
o Sistema Educacional também está sofrendo
suas pressões. Começando através
das novas correntes de aprendizagem, "o indivíduo
constrói seu conhecimento em conjunto com o movimento
sócio-cultural" (FREIRE, 1978), a inter-relação
professor/aluno, " A Geração Net"
(SOARES, 1998), e chegando a mudança da identidade
do educador do século XXI, o "Educomunicador"
(SOARES, 2000). Definindo educomunicador como aquele
mediador das tecnologias de comunicação,
desenvolvidas em conjunto com as teorias das Inteligências
Múltiplas e Emocional de H. Gardner, D. Goleman.
Referenciamos também para colaborarem com nosso
olhar as grandes contribuições dos psicanalistas.
D. Winnicott e W. Bion. O primeiro autor propõe
os paradoxos humanos e sua experiência cultural
enquanto o segundo refere-se ao ser humano como sendo
um tipo de artista latente que precisa ser descoberto.
Estas contribuições podem nos ajudar a
obter um excelente espectro de tonalidades para atuação.
Contudo não consideramos as mesmas como estruturas
fechadas, técnicas mágicas e mais uma
avalanche de especialistas. Entendemos aqui como um
produto de movimentos científicos que se chocaram
sem causa aparente, mas tendo resultados, efeitos mutantes
e diríamos interessante: a transformação
de riquezas dispares e comuns, cujos fenômenos
originários ocuparam um lugar. Parafraseando
W. Bion, talvez fossem pensamentos que sempre estiveram
ali a espera de um pensador! Não temos as respostas,
apenas constatações.
Sabemos que a Mídia é o quarto poder de
controle, pois aliena, ilude, manipula, desperta desejos
desnecessários para nossa sobrevivência,
individualiza, compartimenta, é o lugar que representa
o narcisismo do ser humano. Suas formas de espaços
de veiculação de informação
como: a internet, televisão, rádio, jornais,
e outros..., é aonde se encontra sua força;
poderemos pensar na possibilidade de revertermos à
mesma força negativa em sentido contrário
em divulgadora, promotora de eventos, de noticias, de
produção da escrita, da linguagem, dar
voz, exercício de cidadania, dissolver o enaltecimento
do individualismo, da veiculação da desgraça,
da violência e do sensacionalismo.
Mas que escola estamos procurando? a Escola sensacional,
espetacular, continente, criativa, saborosa, atraente,
sedutora e que tenha leis éticas.
Usamos Ético, originalmente do substantivo feminino
ética, do latim ethos (= minha morada). Designa
a reflexão filosófica sobre a moralidade,
sobre as regras e códigos morais que orientam
a conduta humana, estabelecendo os conceitos do bem
e do mal, numa determinada sociedade, em determinada
época. Na Filosofia, a ética é
conceituada pela elaboração de um sistema
de valores e o estabelecimento dos princípios
normativos da conduta humana.
Quais são as noticias da escola? espetáculos
escolares preenchidos por imposições curriculares,
desqualificação do papel do professor,
desgraças, submissões, reféns de
gangues de alunos, morte de professores, evasão
escolar, pichamento, repetência, superlotação
de alunos por sala de aula, exclusões, toda sorte
de patologias e dificuldades de aprendizagem. A violência
escolar pode ser entendida como uma denuncia da própria
violência perversa do sistema educacional em nosso
país, em muitos paises, e sem tirar nossa responsabilidade:
da nossa maneira de viver, a qual desejamos e almejamos
tanto.
Entendemos que há uma crise generalizada do saber,
talvez porque tenha perdido sua essência : o sabor!
Encontramos o abandono, desamparo, a falta de possibilidades
em atender demandas de crianças e jovens em suas
necessidades do cotidiano. A família não
é a mesma, sua estrutura mudou, não sua
tradição. Todas as patologias, e os desconfortos
familiares chegam a escola, ao professor, a equipe escolar...
todos sentem-se impotentes para lidarem com esta dinâmica
afetiva, empobrecida que clama por saídas.
A sociedade atual exige pessoas detentoras de tipos
diferentes de criatividade, com talentos variados, sobrepostos
e mutáveis. Como um prisma que distribui a luz
num campo visual, a teoria das múltiplas inteligências
seria um bom exemplo, se entendida assim e aplicada
no planejamento educacional, criaria condições
para a produção de pessoas diferentes.
Ela nos mostra como levar o aluno do material acadêmico,
que serve como suporte até chegar às metas
finais, permitindo que cada um adquira, do seu próprio
jeito, através do seu próprio estilo individual
de aprendizagem.
Sabemos que no futuro muitas pessoas terão uma
jornada de trabalho mais curta do que a atual, e sobrará
mais tempo para o lazer. E o que faremos? Este é
outro dado a ser considerado.
Um educando exposto às experiências ecológicas,
holísticas e grupais numa escola pautada na ética,
poderá se transformar no futuro um cidadão,
que terá condições de acrescentar
mais a sua vida em termos de prazer, crescimento emocional,
respeito e sabedoria. Precisamos vislumbrar o futuro
com olhos no passado!
Sabemos que o novo paradigma está sendo proposto
pela Biologia - a Genética (o universo visto
como um e muitos organismos, entes auto-reprodutivos,
se auto-organizados, levando a examinar as coisas em
termos de seus relacionamentos externos, os seus contextos,
a sua conectividade, o seu crescimento e evolução).
Não conseguimos penetrar no mundo em si, mas
percebemos as riquezas das relações entre
os fenômenos, descobrimos que o importante não
é a estrutura e sim o processo, a conectude.
Estas idéias complementam duas outras correntes
intelectuais que têm implicações
fortes para mudanças em Educação:
a inteligência artificial - cibernética
(utilizada para examinar os processos cognitivos no
ser humano e suas possíveis aplicações
na construção de máquinas "inteligentes")
e a vida artificial (estudo de sistemas criados artificialmente
por robôs que exploram, constroem, matam; além
dos anti-vírus e os vírus de softwares
que protegem, alertam, defendem, invadem, contaminam,
destroem, encubam, se modificam...).
Esse segmento inclui pelo menos algumas das características,
ou propriedades, de "vida humana real" (por
exemplo, crescimento, reprodução, auto-manutenção,
auto-regulamentação, exigência de
nutrientes, energia, vida, sobrevivência, morte),
pressupostos que levam a pensar sobre a evolução
e o comportamento humano.
A escola da atualidade necessita ser mais flexível,
ser inteira e representar a vida. Nossas escolas baseiam-se
inteiramente em torno da noção de disciplina
e comportamento. O educador, quando em última
análise, deveria ser professor de gente, não
de matérias, conteúdos, reprodutor do
sistema.
A escola corre atrás de resultados quantitativos,
e deixa de ser de qualidade perdendo a oportunidade
de entender como se chega aos resultados. Alunos mal
comportados são excluídos do sistema,
não há lugar para sofrimento humano, pensar
a dor, afeto, é algo muito complexo para nossa
escola abarrotada de alunos nas classes. Como ouví-los?,
como criar espaços suficientemente humanos de
intervenção ? Mas temos o jargão
democrático para aferir "toda criança
na escola", mas ninguém pergunta: como?,
de que maneira está na escola?, qual seu efetivo
aproveitamento?, instalação?, qualidade?
Podemos criar várias disciplinas falando de cidadania,
honestidade, etc... Os valores têm de ser vividos,
vivenciados; a crise na educação não
é outra coisa senão a perda de sentido,
nos remete a idéia da educação
ter um sentido coletivo.
Falamos de ética, valores, inteligências,
em nossas escolas, mas será que a escola vive
isso, afinal o que os alunos vivem na escola, salvo
as exceções?
Não proponho respostas mas desenvolver nossa
capacidade de pensar criativamente o cotidiano, talvez
encontraremos diversas soluções paulatinas.
Reconhecer que podemos promover uma nova forma de aprendizagem,
muitas vezes longe do que pretendíamos como objetivo
principal, acreditamos que aí esteja a arte em
ser educadora.
Ver o que não está no aparente, no pedagógico,
no conteúdo programado, no concreto, mas considerar
o crescimento humano que a pessoa adquiriu durante aquela
experiência.
Como educadora considero isso como relevante porque
ficará por toda vida!
"Tudo isso é aprender. E aprender é
sempre adquirir uma força para outras vitórias,
na sucessão interminável da vida".
(Cecília Meireles).
ALMEIDA, Marina S. R. Projetos colaborativos na Internet
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