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::. Cantinho Simaia Sampaio

Amigos internautas,
É com muito orgulho que participo da seção "CANTINHO", do PEDAGO BRASIL. Espaço almejado pelos profissionais da Educação, onde ganham a oportunidade de expor suas idéias e ideais por todo o planeta. É um palco, sem censura, para milhões de pessoas que se unem, de maneira virtual, para crescerem em pró a Educação de nosso país.


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::. Implicações na aprendizagem

Um bom equilíbrio e desenvolvimento da estrutura cognitiva, afetiva e social seria o ideal para que o processo de aprendizagem seguisse seu curso normal. Porém verificamos que se há dificuldades de aprendizagem, esta inevitavelmente está ligada a alguns destes três fatores que pode estar impedindo o bom desempenho da inteligência.
De acordo com Jean Piaget a inteligência não é inata como acreditavam os inatistas-maturacionistas. Para os seguidores desta corrente de pensamento educacional a criança, desde o nascimento, já é dotada de formas de conhecimento inatas e à medida que ocorre a maturação orgânica, essas formas se manifestam independente dos intercâmbios sociais e educativos (SEBER, 1995, p. 103). A hipótese desta corrente é que "o professor deve deixar a criança livre de qualquer direcionamento para que ela aprenda por si só" (Id. Ibid. 1995, p. 42).
Para Piaget, a criança encontra-se num estado de adualismo, ou seja, indiscriminação em relação a si mesma e o mundo que a rodeia a partir do qual vai construindo níveis sucessivos. Para ele a aprendizagem só é possível quando há assimilação ativa e é por isso que se deve colocar toda ênfase na atividade da própria criança, do contrário não há didática ou pedagogia possível que transforma significativamente a criança (Id. Ibid. 1995, p. 131).
Segundo Visca, a inteligência vai se construindo a partir da interação do sujeito e as circunstâncias do meio social (1991, p. 47). Um dos fatores essenciais à construção do conhecimento é a vida em sociedade, e para aprender a pensar socialmente é imprescindível a orientação do professor e o contato com outras crianças. Entretanto o professor não deverá dar-lhe as informações já prontas, como vemos acontecer em muitas escolas, mas sim ensiná-las a pensar sobre as questões.
A Escola de Genebra liderada por Jean Piaget dividiu os níveis de inteligência em quatro estádios principais, que estão descritos no livro Para compreender Jean Piaget de Jean-Marie Dolle da seguinte forma:
1. Estádio da inteligência sensório motora (até os dois anos).
2. Estádio da inteligência simbólica ou pré-operatória (de 2 a 7-8 anos).
3. Estádio da inteligência operatória concreta (de 7-8 anos a 11-12 anos).
4. Estádio da inteligência operatória formal (a partir de 12 anos, com patamar de equilíbrio por volta dos 14-15 anos).
De acordo com Visca (1991):
1. No primeiro nível que corresponde a inteligência sensório-motora, as ações da criança não tem representação, ou seja, não representa para si mesma o ato do pensamento, há apenas uma mera ação motriz.
2. No segundo nível que corresponde ao da inteligência pré-operatória já existe uma representação ou simbolização. Há claramente uma distinção entre o significante (conduta de imitação, desenho, imagem mental, jogo, palavra) e o significado (situação evocada, objeto representado). Porém o pensamento deste nível não pode organizar os objetos e acontecimentos em categorias lógicas gerais.
3. No terceiro nível que corresponde à inteligência operatória concreta, o pensamento da criança torna-se reversível podendo realizar a operação inversa no pensamento, concluindo que mesmo mudando a forma da massa de bolinha para salsicha percebe que essa transformação não modificou a quantidade do objeto.
4. No quarto nível que corresponde à inteligência formal ou hipotético-dedutiva, o pensamento torna-se independente do concreto, é um pensamento abstrato.
A partir deste estudo de Jean-Piaget são aplicadas, no diagnóstico, as provas operatórias para verificar o nível cognitivo em que o sujeito se encontra, pois segundo Visca "... ninguém pode aprender acima do nível da estrutura cognitiva que possui" (1991, p. 52).
Entretanto não é apenas o bom desenvolvimento cognitivo que implica uma boa aprendizagem. Fatores de ordem afetiva e social possuem uma grande influência no ser humano. Daí a Epistemologia Convergente ter integrado os aportes da Escola de Genebra com a Psicanalítica e da Psicologia Social.
Os estudos da Psicanálise revelaram a existência de vínculos positivos e negativos do sujeito com o objeto de aprendizagem, que surgem com diferentes intensidades. Estes vínculos podem ser estudados com perspectivas histórica e a-histórica. Histórica diz respeito aos primeiros contatos com a mãe e nas situações posteriores ao longo da vida, cada qual incidindo sobre as aprendizagens anteriores e modificando positivamente ou negativamente. A-históricas diz respeito às situações vividas pelo sujeito no momento presente, ou seja, na fase atual em que se encontra (VISCA, 1991, p. 50).
Existem crianças que possuem o mesmo nível cognitivo, porém apresentam tematizações completamente distintas e como bem lembra Jorge Visca "cada contexto oferece diferentes crenças, conhecimentos, atitudes e habilidades". (1991, p. 51).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BLEGER, José. Psicologia da conduta. Porto Alegre, Artes Médicas, 1984.
DOLLE, Jean-Marie. Essas crianças que não aprendem: diagnóstico e terapias cognitivas. Petrópolis, rio de Janeiro, Vozes, 2002.
SEBER, Maria da Glória. Psicologia do pré-escolar: uma visão construtivista. São Paulo, Moderna, 1995.
VISCA, Jorge. Psicopedagogia: novas contribuições; organização e tradução Andréa Morais, Maria Isabel Guimarães - Rio de Janeiro: Nova Fronteira,1991.
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