Prof.
Dr. Antônio dos Santos Andrade
Marlene de Cássia T. Ferreira
Maria H. Maciel da Silva
Denise Munair
Maria Célia F. Ligabô
Vera Lúcia de Oliveira
Erica Cristina Passos
Elis Regina Brandão de Araújo
Desde
as colocações de Moreno em: "O Psicodrama
na educação" (publicadas originalmente
em 1929 e republicada em 1987, p. 197-205), diversos
psicodramatistas têm se dedicado ao desenvolvimento
do Psicodrama Aplicado à Educação
(Romaña (1987 e 1992); Graham (1960), Sacks (1973),
Shearon e Shearon,Jr. (1973), Mathis, Fairchild e Cannon,Jr
(1980), Soares (1980), Costa (1980), Bustos (1982),
Bustos e colaboradores (1982), Caré (1983), Moraes
(1984), Lee (1991), Kaufman (1992).
Na
Educação Especial, em particular, temos
os trabalhos de: Kenny (1987); Clayton e Robinson
(1971); Swink (1985); DuPlessis e Lochner (1981);
Maxeiner (1988); Hazelton, Price e Brown (1979); na
literatura internacional. E no Brasil, Mazota e Silva
(1985); Amaral (1980); Andrade (1991a e 1995). Todos
estes estudos comprovam o valor do Psicodrama no atendimento
em grupo de pessoas com necessidades especiais, ou
seus familiares.
Trabalhando
com o uso das técnicas do Psicodrama em Cursos
e Treinamentos Em Serviço dos profissionais,
na área da Educação Comum, na
literatura internacional, temos os estudos de: Maynard
(1976); Bubenheimer (1979); e Kohut, Jr. (1986). No
Brasil, Da Costa (1991) desenvolveu uma experiência
com professores da Pré-Escola, em serviço,
utilizando o Psicodrama Pedagógico, como tema
e como técnica desta formação.
Puttini (1991) relata o desenvolvimento de um curso
realizado com professores de pré-escola e alunos
do Curso de Habilitação ao Magistério,
visando desenvolver o papel de professor de pré-escola,
sua criatividade e expressividade, através
do Psicodrama Pedagógico. Urt (1991) também
descreve um curso oferecido a 20 alunos: professores
de 1o grau, alunos de Psicologia e alunos do Curso
de Habilitação ao Magistério,
no qual realizaram-se seis encontros. Andrade (1992b)
desenvolveu grupos de promoção do auto-conhecimento
sobre a prática profissional com professores
de primeiro e segundo graus, numa abordagem moreniana,
junto ao Centro de Psicologia Aplicada da F.F.C.L./USP,
Campus de Ribeirão Preto.
Na
Área da Educação Especial, Rossi
(1984) utilizou técnicas psicodramáticas
para o treinamento dos papéis das pajens e
das encarregadas de pajens de uma instituição
filantrópica, que atendia a 350 deficientes
mentais profundos e treináveis, de 0 a 12 anos.
Andrade (1991b) realizou um curso de extensão
universitária para doze profissionais do Centro
de Educação Especial de Uberlândia
(CEEU), do qual participaram três psicólogas,
duas fonoaudiólogas, uma terapeuta ocupacional
e seis professoras.
Todavia,
em nenhum destes trabalhos, foi realizado um seguimento
do grupo de professores e/ou profissionais de educação
especial, para se investigar os possíveis efeitos
da participação no curso de formação
continuada. O presente projeto foi proposto com esta
finalidade.
METODOLOGIA:
Participantes:
38 professores, distribuídos em 4 grupos: Grupo
Experimental I: 10 professores da APAE de Araraquara;
Grupo Experimental II: 08 profissionais da equipe
técnica e pedagógica do Lar "Nosso
Ninho" de Araraquara; Grupo Experimental III:
10 professores da APAE de São Carlos; Grupo
de Controle: 10 professores da APAE de São
Carlos.
Procedimentos: esta Pesquisa se desenvolveu em sete
fases: 1a Fase: Levantamento Inicial: identificação
das características significativas das equipe
de professores para se selecionar as amostras que
compuseram os quatro grupos; 2a Fase: Pré-teste:
entrevistas individuais com os professores dos quatro
grupos, buscando-se obter informações
sobre sua formação, história
profissional, nível de realização
e percepção de seu papel profissional;
3a Fase: Formação em serviço:
realização do curso de formação
em serviço, com os três grupos experimentais;
4a Fase: Pós-teste 1: no final do último
mês do primeiro semestre letivo, no qual se
realizou o curso de formação, entrevistou-se
todos os professores dos 4 grupos: experimentais e
de controle, com um roteiro semi-estruturado que buscava
identificar alterações possíveis
em suas práticas profissionais; 5a Fase: Pós-teste
2: no final do ano letivo no qual se realizou o curso
de formação, portanto, aproximadamente
seis meses após o pós-teste 1, repetiu-se
os mesmos procedimentos de coleta de dados deste;
6a Fase: Pós-teste 3: no final do primeiro
semestre letivo do ano subseqüente àquele
em que se realizou o curso de formação,
portanto, aproximadamente doze meses após o
pós-teste 1, repetiu os mesmos procedimentos
de coleta de dados deste; 7a Fase: Pós-teste
4: no final do segundo semestre letivo do ano subseqüente
àquele em que se realizou o curso de formação,
portanto, aproximadamente dezoito meses após
o pós-teste 1, repetiu-se os mesmos procedimentos
de coleta de dados deste.
RESULTADOS:
Análise de conteúdo das entrevistas
do pós-teste 1: investigação
sobre possíveis mudanças de atitudes
e aplicações em sala de aula a partir
dos temas abordados no curso de formação
continuada:
As
Possíveis Mudanças de Atitudes:
Os
resultados obtidos na análise de conteúdos
das respostas dos 38 professores à questão:
"Enumere alguns aspectos, atitudes de sua prática
profissional atual, os quais você considera
que foram influenciados pelo que você aprendeu
ou vivenciou no Curso?" revelou que para o Grupo
I , dentre os professores que responderam a esta questão:
44% das respostas podem ser consideradas como um indicador
positivo referente a mudança de atitude, outras
33%, embora não tenham se referido a questão
colocada, também apontam os resultados positivos
do Curso e 11% fala de seu valor positivo em geral.
No Grupo II : 57% apresentaram indicadores positivos
de mudança de atitude, 29% se referem as inovações
profissionais e 14% referem-se apenas a um aumento
de conhecimento. No Grupo III: 70% apresentaram indicadores
positivos de mudança de atitude e os outros
30% se referiram a dificuldade em participar do curso
ou em implementar inovações em sala
de aula. Em conclusão, se pode afirmar que,
nos três grupos que receberam o Treinamento
em Serviço, a grande maioria dos profissionais
entrevistados ou responderam com indicadores positivos
de mudança de atitude ou se referiram as inovações
introduzidas em sala de aula, como resultados da participação
no Curso.
Atividades
Inovadoras em Sala de Aula:
As
respostas à questão: "Há
alguma atividade de sala de aula que você tenha
desenvolvido e que se constitua numa tentativa de
aplicação dos conhecimentos ou vivências
adquiridos no Curso? Descreva-as. Como você
avalia o êxito ou sucesso dessas aplicações?"
revelaram que para oGrupo I, dentre os professores
que responderam: 60% das respostas podem ser consideradas
como um indicador positivo, referente a introdução
de dramatizações em sala de aula; outros
30%, introduziram inovações, embora
não propriamente dramatizações;
e 10% não introduziram nenhuma inovação.
NoGrupo II: 67% declararam haver realizado aplicações
profissionais do curso; 17% se referiram a aplicações
profissionais, não especificadas; 17% se referiram
a aplicações no consultório particular;
e 17% declararam não haver realizado nenhuma
aplicação. No Grupo III: 80% realizaram
aplicações e os outros 20% declararam
não te-las feito. No Grupo IV (de Controle):
50% não realizaram nenhuma inovação;
40% inovações que não envolvem
dramatização e 10% declararam te-las
feito. Em conclusão, se pode afirmar que, nos
três grupos que participaram do Curso, em geral,
a grande maioria dos professores entrevistados declararam
haver introduzido inovações relacionadas
aos conhecimentos adquiridos, em sala de aula. Por
outro lado, do Grupo Controle, que não fez
o Curso, a metade declarou não haver introduzido
nenhuma inovação em suas atividades
de sala de aula; da outra metade apenas um professor
se referiu a inovação relacionada ao
tema deste Projeto.
2. Análise de conteúdo das entrevistas
do pós-teste 2: investigação
sobre possíveis aplicações em
sala de aula a partir dos temas abordados no curso
de formação continuada:
As
respostas dos professores dos três grupos à
mesma questão utilizada no Pós-teste
1, que buscava revelar o desenvolvimento de atividades
em sala, como resultado do Curso, revelaram que para
o Grupo I, dentre os professores que responderam:
60% das respostas podem ser consideradas como um indicador
positivo de continuidade de aplicação
da proposta do Curso em sala de aula; outros 20%,
introduziram inovações, embora não
propriamente dramatizações; 10% ainda
estão preparando a sala para introdução
destas inovações; e 20% não introduziram
nenhuma inovação. No Grupo II: 57% declararam
não haverem realizado aplicações
profissionais do curso, 34% se referiu a aplicações
profissionais, embora apenas 14% sejam dramatizações.
No Grupo III: 30% realizaram aplicações
e os outros 70% declararam não te-las feito.
Em conclusão, se pode afirmar que, dos três
grupos que participaram do Curso, apenas o Grupo I
mantém a maioria de seus participantes respondendo
que introduziram inovações relacionadas
aos conhecimentos adquiridos. Por outro lado, nos
Grupo II e III, a maior parte de seus integrantes
já não introduzem mais inovações
em suas atividades de sala de aula. Mesmo assim, no
Grupo I ocorreu uma diminuição nas respostas
favoráveis, pois no Pós-teste 1 60%
realizavam dramatizações, agora apenas
50% o fazem; e 30% realizavam outras inovações,
naquela oportunidade, contra apenas 20% nesta.
3. Análise de conteúdo das entrevistas
do pós-teste 3: investigação
sobre possíveis aplicações em
sala de aula a partir dos temas abordados no curso
de formação continuada:
No
Pós-teste 3 foi utilizada a mesma questão
do Pós-teste 2, que buscava revelar o desenvolvimento
de atividades em sala, como resultado do Curso. A
análise das respostas obtidas revelaram que
para o Grupo I, dentre os professores que responderam:
55% das respostas podem ser consideradas como um indicador
positivo de continuidade de aplicação
da proposta do Curso em sala de aula; outros 33%,
introduziram inovações, embora não
propriamente dramatizações; e 11% não
introduziram nenhuma inovação. No Grupo
II: 43% declararam não haver realizado aplicações
profissionais do curso, 57% se referiram a aplicações
profissionais, embora apenas 29% sejam dramatizações.
No Grupo III: 50% realizaram aplicações
e os outros 50% declararam não te-las feito.
Em conclusão, se pode afirmar que, dos três
grupos que participaram do Curso, os Grupos I e II
mantém a maioria de seus participantes respondendo
que introduziram inovações relacionada
aos conhecimentos adquiridos, em sala de aula. No
Grupo III a metade afirma que introduziram inovações
em sala de aula, decorrentes do Curso. No geral, se
pode observar um pequeno aumento no número
dos que afirmam realizarem inovações
em sala de aula decorrentes do Curso, em comparação
com o Pós-teste 2, nos três grupos.
4. Análise de conteúdo das entrevistas
do pós-teste 4: investigação
sobre possíveis aplicações em
sala de aula a partir dos temas abordados no curso
de formação continuada:
Como
se pôde observar, após análise
das respostas dos professores, para o Grupo I, dentre
os professores que responderam: 70% das respostas
podem ser consideradas como um indicador positivo
de continuidade de aplicação da proposta
do Curso em sala de aula; outros 20%, introduziram
inovações, embora não propriamente
dramatizações; e 10% não introduziram
nenhuma inovação. No Grupo II: 50% declararam
não haverem realizado aplicações
profissionais do curso e 50% se referiram a aplicações
profissionais. No Grupo III: 44% realizaram aplicações
e os outros 55% declararam não te-las feito.
No Grupo IV: 70% não realizaram nenhuma inovação;
20% realizaram inovações que não
envolvem dramatização e 10% declararam
te-las feito. Em conclusão, se pode afirmar
que, dos três grupos que participaram do Curso,
o Grupos I mantém a maioria de seus participantes
respondendo que introduziram inovações
relacionadas aos conhecimentos adquiridos. No Grupo
II apenas a metade apresentou declarações
similares; enquanto no Grupo III esta freqüência
é menor, correspondendo a 44%. No Grupo IV
(de Controle) a grande maioria (70%) afirma não
terem introduzido nenhuma inovação em
sala de aula. No geral, se pode observar um pequeno
aumento no número de inovações
em sala de aula, decorrentes do Curso, em comparação
com o Pós-teste 3, nos três grupos. E
também uma superioridade destes três
em relação ao Grupo IV, de Controle.
CONCLUSÕES
Os resultados apresentados mostram que as comparações
entre os quatro Pós-Testes, apresentada anteriormente,
demonstram que o Curso sobre Aplicações
do Psicodrama à Educação Especial
produziu efeitos significativos sobre os participantes.
A grande maioria deles revelaram mudanças de
atitudes e a implementação de novas
atividades em sala de aula baseada nas técnicas
ensinadas. Por outro lado, a maioria dos integrantes
do Grupo Controle, que não recebeu o Curso,
declarou não haverem desenvolvido inovações,
em suas práticas de sala de aula, desde as
entrevistas iniciais.
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