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::. A possibilidade de uma escola inclusiva - Relato de experiência
Texto original: Jussara Silvia da Silva Freitas
Adaptado por: Cristiane Manso B. Barreiro
- fone 2616-3311, ramais 238 ou 202

Falar de escola inclusiva nos remete primeiramente a falarmos de inclusão social: processo pelo qual a sociedade se adapta para incluir as pessoas até então marginalizadas e estas procuram capacitar-se para participar na vida da sociedade.
Segundo romeu Kazumi Sassaki a sociedade inclusiva começou a ser construida a partir de algumas experiências de inserção social de pessoas com deficiência, ainda na década de oitenta.principalmente através da luta das entidades e instituições representativas. Um marco no Brasil, foi a promulgação da constituição de 1988 .(constituição cidadã)
A partir da década de 90, em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, grandes e pequenas modificações foram sendo percebidas em setores como escolas, empresas, áreas de lazer, edifícios e espaços urbanos possibilitando a participação plena de pessoas deficientes, com igualdades de oportunidades junto a população em geral.
Na vida educacional, tornou-se necessário que houvesse uma reestruturação geral para que se pudesse acolher todo o espectro da diversidade humana representada pelo alunado em potencial, ou seja, pessoas com deficiências físicas, mentais, sensoriais ou múltiplas e com qualquer grau de severidade dessas deficiências; pessoas sem deficiência e pessoas com características atípicas, etc.
Tiveram grande destaque no processo de inclusão a conferência mundial de educação para todos, de 1990 e a conferência mundial de Salamanca, de 1994. Nessas conferências foram avaliadas situações reais que mostravam o grande número de crianças e adolescentes que estavam fora da escola; daqueles que apesar de freqüenta-la não aprendiam; da não aceitação dos que apresentavam necessidades educativas especiais ou da falta de atendimento adequado a estes, que acabavam mostrando resultados de fracasso escolar.
Tal realidade apontou para a necessidade de ações que fizessem alterar esse quadro.
Como poderíamos pensar em inclusão sem que pensássemos na transformação da escola?
Devemos ressaltar que apesar da escola não ser capaz de sozinha efetuar grandes transformações sociais, é ela quem pode estabelecer os primeiros padrões de convivência social. É a partir dela, que a sociedade estrutura e adquire conceitos de participação e colaboração, além de prover relações com as diferenças.
No Brasil, a partir da regulamentação da lei 9394/96 - lei de diretrizes e bases da educação nacional - de 20 de dezembro de 1996., instituiu-se algumas mudanças na educação Brasileira, principalmente frente a educação especial, que deveria ser oferecida, preferencialmente, na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades educativas especiais.
Diante do exposto e reportando-nos á sociedade Pestalozzi do estado do rio de janeiro, instituição que há mais de cinqüenta anos dedica-se ao acompanhamento integral da pessoa portadora de deficiência, e que até esta época mantinha uma escola especial dedicada ao atendimento educacional dos portadores de deficiência mental, escola esta que era reconhecida como referência,pois trabalhava dentro de uma proposta pedagógica compatível ao ensino regular, funcionando com turmas de no máximo 10 alunos, desenvolvendo atividades diversificadas, visando atender as necessidades individuais de cada educando e oferecendo recursos didáticos necessários e reciclagem de seu corpo docente, mas que diante da lei, passava a ser uma escola excludente.
Diante desse impasse, tornou-se necessário, por parte da direção da escola, equipe técnica e diretoria da instituição uma ampla reflexão sobre os rumos que deveríamos dar a escola especial da Pestalozzi. Não queríamos que o nosso trabalho tão qualificado e diferenciado fosse extinto, mas também, não queríamos excluir nossos alunos desse processo que por tantos anos lutamos juntos: a inclusão social.
Não podemos deixar de enfatizar que os nossos alunos, até então eram aqueles discriminados e excluídos, deste processo
Educacional que agora, pelo menos, pela força da lei, deveria aceitá-los e incluí-los.
E a escola especial, como sustentar a sua existência nessas circunstâncias? De que forma poderia dar continuidade ao seu trabalho, mantendo-a como parte integrante da trajetória do processo educacional dos portadores de necessidades educativas especiais, visualizando a inclusão?
Após muitas reuniões, muitas discussões, muitas participações em encontros, seminários, congressos e eventos, reuniões com os pais das crianças que freqüentavam a escola, chegamos a conclusão de que não iríamos desistir. Iríamos nos adaptar para recebermos além dos portadores de deficiência mental, aqueles "ditos normais" e os portadores de outras deficiências.
O primeiro investimento se deu com a elaboração de um projeto para o mec, que viabilizou a reforma do espaço físico da escola, eliminando todas as barreiras arquitetônicas que ainda existiam.
Posteriormente, baseados na divulgação realizada apenas com as famílias da escola e de outro s setores de atendimento da instituição, decidimos abrir as matrículas para os novos alunos para o ano letivo de 2000.
Neste mesmo ano tivemos o ingresso de 12 alunos não portadores de deficiência, dentre outros.
Dando continuidade, reunimos a equipe e efetuamos uma reciclagem onde todos estudaram e apresentaram suas conclusões sobre a inclusão e as novas práticas de ensino possibilitadas por ela.
Mantivemos nossa proposta de atendimento educacional, com turmas pequenas, de maneira que a professora pudesse atender ás necessidades individuais dos nossos educandos, diversificando seu planejamento de trabalho em sala de aula.
Dessa forma, desde 2000 estamos vivenciando novas adaptações curriculares e novas estratégias de utilização de recursos pedagógicos,construindo assim o nosso projeto político pedagógico, deixando a nossa escola atualizada e compatível com as exigências da nova LDB.
Até mesmo o processo de ingresso do educando à escola foi alterado, facilitando assim o seu acesso e inclusão.
diferentemente do que acontecia até 1999, o aluno não é mais avaliado pela equipe multiprofissional que decidia pela sua elegibilidade.
hoje, é realizada apenas uma triagem inicial pela assistente social (avaliação sócio-econômica) e pela pedagoga da escola com o objetivo de viabilizar a sua inserção em uma turma mais adequada às suas necessidades educativas.
Além das atividades pedagógicas em sala de aula, semanalmente todos os alunos têm a oportunidade de participar de atividades como:dança, educação física, informática e atendimento na brinquedoteca. Contando também com atendimentos ambulatoriais individualizados nos setores de psicologia, psicopedagogia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional da instituição, de acordo com a necessidade demandada pelo aluno.
A equipe da escola é composta por 01(uma) coordenadora, pelo corpo docente (16 professores), pela equipe técnica (psicólogo, pedagogo e assistente social - 03), pela equipe de apoio (02 atendentes e 01 secretária).
Semanalmente a equipe se reúne para realizar estudos de caso, planejamento de atividades, orientações e grupos de estudos. A cada final de semestre é realizada uma semana de reciclagem e planejamento.
As reuniões com os responsáveis ocorrem bimestralmente e semestralmente para a apresentação do trabalho desenvolvido e o desenvolvimento de cada aluno quanto aos conteúdos trabalhados. Sempre que necessário a coordenação convoca todos os responsáveis para reuniões gerais e, mensalmente o serviço social e a psicologia realizam uma reunião para abordar e debater temas que sejam do interesse dos responsáveis.
Em 2002, estamos trabalhando em nossa unidade de educação básica, obtendo sucesso com a proposta inclusiva, com uma clientela de 150 educandos, entre 03 e 16 anos, portadores e não portadores de necessidades especiais. (60% PNE e 40% não PNE). Funcionamos nos dois turnos (manhã/tarde), mantendo em média, turmas de 6 e 10 alunos, nos níveis da educação infantil e do ensino fundamental seriado e não seriado, além das turmas do programa experimental de atividades psicomotoras (PEAP).
Nossos alunos mantêm uma rotina escolar diária, recebendo lanche e almoço. Em sala de aula, participam de atividades livres e dirigidas, além do horário de recreio no playground da escola.
Sabemos que ainda há muito que aprender e muitas barreiras a vencer e que estamos apenas começando.
Porém, hoje os profissionais da escola da sociedade Pestalozzi do estado do rio de janeiro, já têm a sua visão do mundo e da sociedade que anseiam para o futuro, onde as diferenças sejam respeitadas, garantindo a igualdade de oportunidades e promovendo os meios de acesso à felicidade a que todos fazem jus.
Dessa forma defendemos a escola que queremos, onde os pais possam optar por ela, no desejo de uma formação igualitária para os seus filhos, na convivência com o outro, sem discriminações e preconceitos.uma escola onde eles sejam ouvidos e envolvidos com a proposta educacional a ser trabalhada.
Pretendemos adequar nossa escola a qualquer criança ou adolescente, mantendo programas e currículos adaptados, criando novos recursos,para que possamos atender da melhor maneira possível as necessidades educacionais de nossos alunos.
Acreditamos que,seguindo este caminho, estaremos promovendo uma nova relação com a inclusão, mudando nossos conceitos e atitudes de maneira consciente, responsável e progressiva, visando uma constante mobilização social, que viabilize uma nova escola, aquela que priorize o direito de educação para todos.


BIBLIOGRAFIA:

Texto original publicado no livro - "Inclusão e Cidadania"
Organização de Maria Lúcia Wiltshire de Oliveira - Niterói
RJ - Nota Bene, 2000 (pág. 83-88)
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