| ::. E
a Educação Especial? |
Magno
de Aguiar Maranhão
Presidente
da Comissão de Legislação e Normas
do Conselho Estadual de Educação do Rio
de Janeiro
www.magnomaranhao.pro.br
Email: vaniatrajano@globo.com
Muito
se tem falado sobre as carências do Sistema
Educacional Brasileiro, mas poucas às vezes
é mencionado o seu primo pobre - a Educação
Especial. Muito menos são reivindicadas melhores
condições para esse segmento que, ao
contrário do que parece a primeira vista abrange
um número significativo de brasileiros.
Segundo os últimos dados oficiais disponíveis
do censo escolar, promovido pelo Ministério
da Educação, existem milhões
de crianças e jovens em idade escolar com algum
tipo de deficiência. Boa parte deles não
têm atendimento especializado - estão
matriculados em escolas regulares ou não estudam.
A Educação Especial Brasileira atinge
somente pequena parcela dos deficientes, quase a metade
deles através de escolas particulares - as
demais são federais, estaduais e municipais.
Ou seja, o poder público praticamente ignora
o problema.
Além do reduzido número de escolas especializadas,
o rendimento não é o ideal, como indicam
as poucas matrículas no ensino médio,
em comparação com os números
dos graus anteriores.
Poucos municípios brasileiros oferecem algum
tipo de serviço educacional aos deficientes,
o que se espera que mude radicalmente em breve, já
que a responsabilidade de educar essa clientela passou
para as Prefeituras, em razão da nova Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Temos também de olhar com carinho a situação
dos superdotados: eles são cerca de milhares
na faixa até 19 anos, mas menos de 2 mil recebem
atendimento especializado. Ainda segundo o MEC, apenas
alguns Estados e o Distrito Federal tem sistemas para
identificar as crianças e jovens superdotados
e oferecer-lhes de que necessitam.
A maioria dos mesmos, portanto, sequer é identificada.
E sem receber estímulo adequado, o mais provável
é o desperdício das habilidades, com
as quais muito poderiam lucrar os próprios
jovens, seus familiares e o País.
Sabemos todos das dificuldades orçamentárias
do Brasil, em especial da Educação.
Mas não podemos abandonar o grande contingente
dos especiais à sua própria sorte, como
se fossem um estorvo. Pelo contrário, precisamos
investir nesse grupo, nem que seja apenas por uma
questão humanitária. Mas o fato é
que esse investimento, certamente, terá retorno
para a sociedade.
É preciso instalar escolas para Educação
Especial. A tendência atual é defender
a integração desses alunos com os demais,
assistindo às aulas nas classes comuns. Mas,
para isso, as escolas precisam passar por adaptações
arquitetônicas, além de terem salas de
recursos e oficinas pedagógicas. É uma
questão de opção. Só não
se pode aceitar o imobilismo.
A comunidade também pode e precisa ajudar.
Grandes empresas poderiam patrocinar escolas especiais,
já que adotam praças e animais do zoológico.
Entidades religiosas poderiam dedicar-se mais à
questão. O povo em geral poderia contribuir
(mão-de-obra voluntária) com instituições
primadas, sem fins lucrativos que cuidam do assunto.
Além, é claro, de pressionar deputados,
senadores e demais autoridades para liberarem verbas
para projetos sérios nesse campo.
Publicado
em 19/02/2007