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FORMAÇÃO
DO EDUCADOR NO CURSO DE PEDAGOGIA: A EDUCAÇÃO
ESPECIAL |
Maria
Teresa Penteado Cartolano
Professora Doutora da Educação da Faculdade
de Educação da Unicamp
Não
podemos pensar isoladamente a formação do
professor de educação especial. Ao contrário,
é preciso considerá-la como parte integrante
da formação dos profissionais da educação
em geral e submetê-la, portanto, às mesmas
discussões que se vêm fazendo neste âmbito,
seja no âmbito nacional, estadual ou regional.1
Uma dessas discussões refere-se à identidade
do curso de pedagogia, reafirmada, em 1996 (IV Congresso
Estadual sobre a Formação do Educador),
pela importância dada à formação
do professor, que deve constituir-se no eixo da reestruturação
do curso. Esta parece ser uma tendência que vai
se concretizando em muitos desses cursos, no estado de
São Paulo.
A
Constituição de 1988 garantiu, em seu
Artigo 206, a igualdade de condições para
o acesso e a permanência na escola: a educação
como direito de todos é dever do Estado e da
família (Art. 205) e deve estender-se também
ao atendimento educacional especializado, quer dizer,
aos deficientes (Art. 208, III), preferencialmente na
rede regular de ensino.2 Isso quer dizer que quando
pensamos na formação do educador devemos
também pensar em uma escola que dê a todos
uma mesma formação básica, uma
vez que nesse momento histórico o que queremos
formar, em primeiro lugar, é o professor qualificado,
o profissional preparado para lidar com o aluno, seja
ele "normal" ou "deficiente".
Mas
não é tão simples assim, e o sabemos
através da história da escola e da sociedade
que a acolhe.
Em
nossa sociedade historicamente cativa de tradições
culturais e de práticas sociais discriminatórias,
a educação especial não tem se
constituído, em geral, como parte do conteúdo
curricular da formação básica,
comum, do educador; quase sempre é vista como
uma formação especial reservada àqueles
que desejam trabalhar com alunos com "necessidades
especiais",3 diferentes, indivíduos divergentes
sociais, deficientes.
Quando
pensamos em "educação especial",
quase não lembramos que ela vem se construindo
historicamente e acompanhando os progressos não
só da medicina, biologia e psicologia, mas também
da pedagogia. Esquecemo-nos que, apesar de sua especificidade,
ela tem se organizado com e para sujeitos concretos
- "normais" e "deficientes".
Nesse
sentido, a formação diferenciada para
professores de uns e de outros somente vem reforçar
o modelo capitalista de produção baseado
na eficiência, na seleção dos melhores
e na exclusão social de muitos e fundado em uma
visão "desfocada" da realidade e do
indivíduo; estamos, assim, correndo o risco de
estar institucionalizando a discriminação
já no ponto de partida da formação
dos professores e negando, portanto, o princípio
da "integração", não
só do deficiente na rede regular de ensino, como
também do profissional da educação
na realidade educacional existente - não só
escolas, mas também classes especiais, instituições
especializadas etc. Estamos negando a esses profissionais
o privilégio e o desafio de conviver com a diferença.
Assim,
como homens do seu tempo, os educadores de hoje não
podem esquivar-se dessa realidade social e, muito menos,
perder de vista a viabilidade histórica de um
projeto de transformação do real. Uma
boa formação teórica e prática,
básica e comum a todos, independente da clientela
para a qual ensinarão no futuro, lhes garantirá
uma leitura crítica não só da educação
e das propostas de mudanças nesse campo, mas
também uma consciência clara das determinações
sociais, políticas e econômicas nelas presentes.
Isso significa, por exemplo, saber analisar e criticar
propostas oficiais ou institucionais da educação
- a da "escola única"4 (Declaração
de Salamanca, 1994), a "da Integração"
(Política Nacional de Educação
Especial, 1994) - a fim de reconhecer suas pertinência,
ou não, às condições históricas
existentes.
O
profissional que trabalha com educação
especial deve ser, em primeiro lugar, bom professor:
qualificado, dono de um saber reconhecido socialmente,
e competente no seu métier. Além disso,
há de ser também um profissional voltado
para as práticas sociais vigentes, dotado de
uma consciência lúcida de sua realidade
histórica e dos problemas dela emergentes. Somente
dessa maneira poderá contribuir para a diminuição
da segregação e da exclusão dos
diferentes pela sociedade capitalista moderna.
A
história da educação dos deficientes
tem nos mostrado que sua marginalização
é historicamente determinada por um conjunto
de forças sociais - econômicas, políticas,
culturais, ideológicas - que convencionam os
limites entre normalidade e anormalidade. Conscientes
disso, estudiosos em ciências como medicina, psicologia,
sem relegar as contribuições da sociologia,
têm contribuído para o estabelecimento
de parâmetros mais apurados, tanto qualitativos
como quantitativos, para designar os deficientes, os
segregados socialmente e para propor soluções
em busca da "superação" das
diferenças. Vai-se constituindo, assim, todo
um corpo de profissionais na área (Jannuzzi 1995).
Se,
nos anos finais do Império, o trabalho com crianças
deficientes ainda estava vinculado à formação
dos profissionais da saúde (veja-se O. Decroly
1871-1932, M. Montessori 1870-1952), ficando o professor
sob tal dependência, já nos anos 20 deste
século assistimos a uma crescente preocupação
com o pedagógico ligada especialmente à
abordagem psicológica, sem, contudo, abandonar
o campo da saúde.
Articulando
tal preocupação, defende, em 1930, uma
formação comum a todos os professores
e sugere, tanto no que se referia ao conteúdo
quanto no que dizia respeito à prática,
a familiarização com as crianças
ditas normais e deficientes. Porém, sua prática,
fundando as escolas da Sociedade Pestalozzi, caminhou
em sentido contrário, acabando por segregar os
ditos anormais e por confiná-los em escolas especiais.5
A
institucionalização da "diferença"
parece ter se consolidado entre nós com a criação
do Cenesp (Centro Nacional de Educação
Especial), em 1973, que propunha a capacitação
de professores "especiais" para a educação
especial, através de licenciatura curta ou de
plena duração, no 3º grau. Até
então, a formação desses professores
era feita no 2º grau.
No
estado de São Paulo, a educação
especial começou a ser inserida no 3° grau,
em 1972. No entanto, parece haver nesses cursos vestígios
não só da abordagem médica, como
também da psicológica na sua vertente
comportamental.6 Esta última, como pudemos constatar,
parece estar presente também no Relatório
de Atividades referente à implantação
do Centro de Educação Especial da Unesp
(Unesp, 1977).7
Porém,
outros enfoques vão se tornando significativos
na área de educação especial, principalmente
em fins da década de 1980 e nos anos 90, através
dos cursos de pós-graduação: dissertações
e teses têm sido elaboradas com base em outras
abordagens, como a materialista-histórica, a
teórico-crítica e a sócio-histórica
(Bueno 1991; Ferreira 1993; Kassar 1993, por exemplo).
Na
graduação em pedagogia, o que temos em
geral é a formação dos profissionais
da educação em dois ramos distintos: os
que deverão atuar no ensino regular e os que
atuarão na educação especial. É
a consagração da discriminação
já na própria formação de
um e de outro, como mencionamos. Temos, neste final
de década e de século, muitos desses cursos
de pedagogia organizados de forma dual ou até
por áreas de deficiência.
O
que fazer, então, para que a formação
do profissional da educação possa contribuir
para a diminuição da segregação
do "diferente"?
Em
primeiro lugar, suponho que é preciso repensar
a própria noção que temos do "saber",
do conhecimento. O que vemos e aprendemos do mundo é
sempre histórico, isto é, depende do tempo
e do lugar, portanto, das tradições culturais,
dos interesses de grupos, da nossa história de
vida, das circunstâncias que nos permitiram ou
não apreendê-lo, da nossa constituição
genética, neurológica, fisiológica.
Nesse sentido, nosso conhecimento está sempre
em constante reorganização, sendo, portanto,
inacabado. E diante da aceleração das
mudanças, das novas descobertas das ciências
e das tecnologias modernas, é preciso que estejamos
sempre de espírito aberto à pesquisa,
à busca incessante de novas respostas que nos
ajudem a repensar o velho e a enfrentar o novo.
"Daí
a necessidade de conhecer, divulgar e tornar acessível
toda tecnologia que facilita o rompimento de barreiras
entre o normal e o que não é considerado
como tal" (Jannuzzi 1995b, p. 4). Daí a
necessidade de conhecer não só as novas
teorias da educação, mas também
os movimentos sociais pela melhoria da formação
do professor e a produção teórica
que resulta deles.
Porém,
não basta conhecer. É preciso usar esse
conhecimento para atuar na realidade e transformá-la,
sempre dentro dos limites e das circunstâncias
em que vivemos.
É
o que procuramos fazer na Faculdade de Educação
da Unicamp, a partir de 1997.8 Inserido na orientação
dos movimentos nacionais, estaduais e regionais de "formação
dos profissionais da educação" (Anfope,
Anped, Cedes), o curso de pedagogia foi reorganizado,
em 1992, e está novamente, hoje, em processo
de reestruturação: não só
em sua estrutura curricular, com a eliminação
ou o acréscimo de disciplinas e junções
de conteúdos equivalentes, mas, sobretudo, foi
e está sendo reestruturado tendo em vista, primordialmente,
a formação do educador e, como objeto
privilegiado de reflexão, a educação,
a escola e a prática pedagógica. Com esse
objetivo em vista, o núcleo comum do curso de
pedagogia passou a ser, desde 1992, a formação
para o "Magistério do 1º Grau, Séries
Iniciais": todos os alunos, a partir de então,
passaram a se dedicar obrigatoriamente a ela, podendo,
secundariamente, optar por um outro conjunto de estudos
e práticas, mas sempre privilegiando, nesse caminho,
as contribuições da prática pedagógica
para sua formação teórica.
A
"Formação de Professores para Educação
Especial: Deficiente Mental" está presente,
desde 1987, no curso de pedagogia da Unicamp e inseriu-se
nesse quadro de mudanças, sendo adaptada à
nova formação do pedagogo que deve ser,
então, um bom professor.
Como
parte da política curricular vigente na década
de 1990, necessária à legitimação
de certas visões sociais de mundo, de saber e
de poder, transmitidas culturalmente, não só
foram introduzidas disciplinas no núcleo comum
do currículo do curso de pedagogia, numa primeira
fase de mudança, como também foram acrescentados
conteúdos programáticos às já
existentes, constituindo formação comum
obrigatória:
a)
uma disciplina com abordagem histórica das diferenças,
denominada "Fundamentos da Educação
Especial", nome que na origem da disciplina pareceu
ser o mais viável para as circunstâncias
do momento. No contexto atual, ela é mais uma
"introdução" para todos os alunos
à temática "educação
especial" de todos os alunos, indo além
da preocupação com os fundamentos;
b)
a disciplina "Linguagem e Pensamento I", que
partia de uma abordagem sócio-histórica
do conhecimento, foi absorvida pelos conteúdos
de Psicologia da Educação (Aprendizagem),
passando, portanto, a constituir também o núcleo
comum da formação do pedagogo; para os
alunos da então habilitação em
educação especial introduziu-se, a título
de aprofundamento, uma nova disciplina: "Linguagem
e Pensamento";
c)
acrescentou-se à ementa de "Estrutura e
Funcionamento do Ensino de 1º e 2º Graus",
o funcionamento da Educação Especial,
bem como reflexões sobre a adequação
ou não de tais diferenças de ramos;
d)
além disso, o currículo do curso de pedagogia
procura, desde os primeiros semestres, proporcionar
aos alunos, a interação e a familiaridade
com a prática pedagógica, levando-os a
desenvolver pesquisas na rede de ensino, que resultem
em monografias de conclusão de curso. Alguns
desses trabalhos estão voltados para a temática
do excepcional, seja na forma de pesquisa bibliográfica
ou de campo. Sem dúvida, é um exercício
de iniciação científica no qual
vale a pena investir.
Mas
há muito ainda por fazer no sentido de estimular
uma boa formação do profissional da educação
que valorize, ao mesmo tempo, o trabalho pedagógico
e a formação teórica. O espaço
para a pesquisa e a produção do conhecimento
deve tornar-se o eixo norteador de um trabalho o mais
interdisciplinar possível, articulando docentes
e alunos nessa tarefa de construção social
do saber. Além disso, devemos trabalhar com a
idéia de educação continuada, de
modo que o aluno retorne à universidade, uma
vez inserido no mercado de trabalho, a fim de aperfeiçoar
e aprofundar os estudos.
No
caso da Faculdade de Educação da Unicamp,
estamos pensando numa proposta (de reformulação)
de curso de pedagogia que se realize com base em um
trabalho não só interdisciplinar, mas
também partilhado, coletivo, que congregue professores
e alunos em torno de temáticas comuns de reflexão
e de pesquisa. Nesse sentido, os estudos estão
em curso e nesse momento só nos é possível
confirmar a realidade que está posta: é
necessário um trabalho interdisciplinar junto
com a história da educação, a filosofia
da educação e a sociologia da educação,
de modo que incluam em seus programas conteúdos
teóricos, análises e discussões
sobre o excluído de modo geral.
Uma
coisa, porém, é bastante clara para nós:
não deve haver diferenciação na
formação do professor para as classes
do ensino regular, das classes especiais ou das escolas
especiais - todos são educadores e devem ter
uma formação comum e continuada, uma vez
que o interesse deve ser a educação do
ser humano.
Assim,
é preciso intensificar não só estudos
sistemáticos sobre a complexidade da educação
e da escola já nos semestres iniciais do curso
de pedagogia, mas também realizar estágios
de observação e docência tanto em
classes regulares, que incluem alunos ditos especiais,
quanto em classes ou instituições especializadas.
Somente assim será possível repensar a
teoria e a prática da formação
do educador.
A
"Formação de Professores para a Educação
Especial" foi planejada, desde a origem, como uma
habilitação e como curso interdisciplinar
e contou, nesse sentido, não só com professores
de todos os departamentos da Faculdade de Educação,
mas também docentes de outras faculdades e institutos
da Unicamp. Os alunos, depois de cumprirem as disciplinas
da formação geral e comum (filosofia,
história, psicologia, sociologia, didática,
estrutura e funcionamento do ensino, além de
fundamentos da educação especial), passavam
a partir do 6° semestre, a cursar disciplinas específicas
daquela formação. Essas disciplinas, sem
a pretensão de constituírem um estudo
especializado de aspectos psicológicos, orgânicos
ou sociais da deficiência, enfocavam-na de uma
perspectiva histórica, segundo a qual o conhecimento
se constrói na relação ética,
política, estética, corporal, lingüística
etc., do homem com a natureza e com a sociedade, buscando
sua transformação. No entanto, estamos
preocupados, hoje, com a ausência de uma formação
mais específica do educador, para atuar mais
diretamente com os deficientes mais lesados, aqueles
que nem sequer chegam à educação
formal.
Queremos
deixar claro que o profissional que estamos formando
não deve ser um mero aplicador de métodos
e técnicas de ensino nem alguém que irá
trabalhar somente com crianças excepcionais.
Ao contrário, ele deve ser preparado, através
de uma formação inicial básica
e comum aos demais profissionais da educação,
para atuar não só em classes do ensino
regular, freqüentadas ou não por alunos
com as chamadas "necessidades especiais",
mas também em escolas especiais - instituições
especializadas - e em classes especiais. Como deve acontecer
em todo trabalho pedagógico, esse professor precisa
ter sempre postura de busca, de análise da sua
prática pedagógica, para reformulá-la
quando necessário e quando as circunstâncias
o exigirem. Deve estar sempre aberto a fazer revisões
no seu referencial teórico, de modo a acompanhar
o desenvolvimento das ciências e as descobertas
da tecnologia para seu campo de atuação.
Nesse
sentido, é necessário que esse profissional,
depois de sua inserção no mercado de trabalho,
retorne à universidade para aprofundamento de
estudos em questões teóricas que emergiram
do interior de sua prática pedagógica
ou para realizar novas pesquisas.
Não
sendo um técnico ou especialista, mas possuindo
formação básica comum, o professor
para a educação especial é, em
primeiro lugar, um profissional da educação
que deve saber buscar o específico na totalidade
do saber socializado; sua formação dar-se-á
sempre no confronto da teoria com sua prática
pedagógica e com a pesquisa daí decorrente.
Finalmente,
e diante desse quadro levantado anteriormente, gostaria
de reafirmar a educação especial como
parte integrante e indissociável do curso de
formação do profissional da educação.
Como tal, deve ser pensada no bojo das reformulações
que vêm sendo realizadas nos cursos de pedagogia
- uma sólida formação básica
comum, de modo que as reflexões se encaminhem
não como questão meramente técnica
de alterações curriculares, mas numa perspectiva
de política fundamental para o momento histórico
atual: o currículo constitui o conjunto de todas
as experiências de conhecimento proporcionadas
aos estudantes, e cabe à escola organizar tais
experiências, com o objetivo de produzir uma determinada
identidade individual e social. O currículo constitui
o núcleo do processo institucionalizado de educação.9
Porém,
fazer reformas curriculares, incluindo ou excluindo
disciplinas ou conteúdos de uma ou outra, não
é o suficiente para que se tornem adequados às
novas realidades sociais emergentes. É preciso
ir além dos interesses políticos e corporativistas
e avaliar as reais contribuições de uma
ou outra disciplina, de um ou outro conteúdo
nos currículos de formação do profissional
da educação, em dado momento da história.
"O
processo de fabricação do currículo
não é um processo lógico, mas um
processo social, no qual convivem, lado a lado com fatores
lógicos, epistemológicos, intelectuais,
determinantes sociais menos `nobres' e menos `formais',
tais como interesses, rituais, conflitos simbólicos
e culturais, necessidades de legitimação
e de controle, propósitos de dominação
dirigidos por fatores ligados à classe, à
raça, ao gênero",10 e às diferenças
intelectuais (ou mentais).
Dessa
perspectiva, as discussões acadêmicas e
políticas acerca das habilitações
do curso de pedagogia vão sendo encaminhadas
no contexto de outras reformas institucionais e de questionamentos
acerca do papel da universidade na sociedade atual.
Num mundo dominado pela informática, pela comunicação
à distância, via satélite, o acesso
às novas informações passa a ser
a pedra de toque da produção de novos
conhecimentos e pesquisas científicas.
A
formação do profissional da educação
deve inserir-se nesse mundo de mudanças e ser
repensada com base nessas novas realidades e exigências
da contemporaneidade. É preciso garantir ao futuro
educador não só uma incontestável
cultura geral, na qual se inclui o conhecimento de línguas
estrangeiras, mas também o acesso a outras linguagens
e formas de comunicação.
O
processo de educação e formação
de um profissional não deve se encerrar nos limites
de um curso de graduação, na universidade.
Notas:
1.
Veja-se a respeito: Anfope, Niterói, documento
final, 1994; Anped, Caxambu, 1994; GT Pedagogia, Águas
de São Pedro, 1994/1996.
2.
Constituição..., 1988, Artigos 205, 206,
208-III, pp. 141-142
3.
Os órgãos oficiais que normatizam a educação
especial definem os deficientes como "portadores"
de necessidades especiais; "portar", segundo
o dicionário Novo Aurélio, significa levar
consigo, carregar, conduzir, agir, proceder de uma certa
maneira; comportar-se. No entanto, a surdez, a cegueira,
a Síndrome de Down, a paralisia cerebral etc.,
são condições que integram os seres,
que são inerentes ao seu modo de ser. A "diferença",
portanto, assumida por eles como tal, faz parte deles
e é a partir disso que integra também
suas percepções do mundo e dos homens.
4.
A proposta da escola única, já existente
em alguns países europeus, supõe uma única
organização escolar e curricular para
uma clientela diversificada, ou seja, alunos normais
e deficientes. No Brasil, há algumas propostas
indo nessa direção - Multieducação
(Rio de Janeiro) e Escola Plural (Belo Horizonte) -,
mas com as peculiaridades próprias das regiões
e dos contextos aos quais se referem. Sobre elas não
há ainda uma avaliação definitiva
e conclusiva dos resultados.
5.
Veja-se, por exemplo, o caso de Helena Antipoff citado
em Jannuzzi 1992, pp. 80-90.
6.
Consultar a respeito, Sônia Enumo 1985.
7.
Esse Relatório apresenta as conclusões
de um estudo realizado pela Unesp, na gestão
do reitor Luís Ferreira Martins, sobre a realidade
da formação de professores de educação
especial, em nível superior. A comissão
de educação especial era composta pelos
professores: Paulo de Tarso Oliveira (presidente), Irineu
de Moura, Suely R.B. Marchezi, Antonia Marini e Wanda
C. Paschoalik, além de dois membros convidados
- professora Luiza Isnard e professor Marcos José
da Silveira Mazzotta. O Relatório apresenta,
dentre outros, estudos referentes às "Qualificações
do Professor de Educação Especial"
e aos "Currículos das Habilitações"
(ou elenco das disciplinas) deixando claro nas "qualificações..."
(pp. 7-8) que o professor de educação
especial deve ser capaz de, por exemplo, "utilizar
técnicas de modificação do comportamento
para o manejo efetivo da classe", "identificar
e utilizar o processo de desenvolvimento de objetivos
comportamentais e instrucionais individualizados (...)"
etc.
8.
Quando este artigo foi produzido, a reformulação
do curso de pedagogia da Unicamp não estava concluída
9.
Silva e Moreira 1995, p. 184.
10.
Silva 1996, p. 79.
Teacher
formation in pedagogy courses: Special education
ABSTRACT:
This article is the result of our thinking at teacher
training in the Faculty of Education. Starting with
the concrete experience of restructuring the course,
our aim is to discuss important aspects such as: what
is common and basic to the curriculum, why provide a
broad formation, and who are our students. In the final
section of this article, we present some possibilities
emerged from the study of this reality.
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