Maria Inês Naujorks
Este artigo refere à pesquisa que investigou
o stress em professores do ensino fundamental e os principais
agentes desencadeadores frente a inclusão de
alunos com necessidades educacionais especiais. Tratou-se
de um estudo quanti-qualitativo envolvendo 163 professores
distribuídos em 91 escolas da rede pública
do município de Santa Maria-RS. O instrumento
de coleta dos dados quantitativos foi a versão
adaptada e validada do Inventário Faculty Stress
Index. Identificamos que a falta de preparo dos professores
para o processo de inclusão é a principal
fonte geradora de stress e sugerimos que a Universidade
juntamente com as escolas organizem programas de apoio
aos professores tanto no sentido de uma formação
continuada como no sentido de identificação
e controle de sintomas físicos e emocionais.
Palavras chaves: stress, inclusão,
formação de professores.
Introdução
O professor cada vez mais tem se ressentido
em seu cotidiano profissional. Sentimentos de desilusão,
de desencantamento com a profissão são
freqüentemente relatados evidenciando o quanto
esta profissão está vulnerável
ao stress. Mattos (1994) deixa claro o quanto as atividades
pedagógicas dos professores são permeadas
por circunstâncias desfavoráveis forçando-os
a uma reorganização e improvisação
no trabalho prescrito, tornando-lhes o trabalho real
totalmente descaracterizado em relação
às expectativas. Tal distorção
no conteúdo de suas atividades pedagógicas
não lhes permite vivenciar esse trabalho como
significativo, o que gera um processo de permanente
insatisfação. Essa situação
os induz a sentimentos de indignidade, fracasso, impotência,
culpa, desejo de desistir, entre outros. A proposta
da inclusão de alunos com necessidades educacionais
especiais nas classes regulares de ensino tem reforçado
o quadro, pois os professores sentem-se despreparados
para lidar com esse aluno. Como conseqüência
encontramos um profissional cada vez mais propenso
ao processo de stress e um aluno cada vez mais discriminado.
Queixas freqüentes destes docentes
evidenciam o agravamento do problema: a quase inexistência
de projetos de formação continuada que
os capacite para enfrentar esta “nova” demanda educacional;
elevado número de alunos por turmas; infra-estrutura
física inadequada; a falta de trabalhos pedagógicos
em equipe; o desinteresse da família em acompanhar
a trajetória escolar de seus filhos; a indisciplina
cada vez maior; a desvalorização profissional,
entre outras, revelam que, forçosamente, em
seu cotidiano de trabalho, acabam tendo que lidar
com situações que fogem de seu controle
e preparo.
Nesta perspectiva, os desafios são inúmeros
e, como referimos, podem estar sendo fonte geradora
de stress em muitos professores. Considerando que
a eficácia do processo educativo passa, inclusive,
pelas interações estabelecidas pelo
docente com seus alunos e também com a estrutura
organizacional da escola, entendemos que buscar a
compreensão das situações que
causam desgaste emocional, preocupação
e ansiedade possa ser benéfica no sentido de
subsidiá-lo de modo a facilitar-lhe o acesso
a questões de natureza tanto objetiva como
subjetiva que possam estar contribuindo para a instalação
desse ciclo perverso e degenerativo.
Stress, que processo é este:
A palavra stress tem origem no latim
e conforme o Oxford English Dictionary, foi empregada
popularmente a partir do século XVII com o
significado de “fadiga”, “cansaço”, alguma
coisa “apertada” ou “penosa”. Este conceito foi inicialmente
muito utilizado na área da Física para
explicar a relação entre força
e reação dos corpos.
Introduzido na literatura da área
médica por Hans Selye (1936), o termo caracteriza
uma alteração endocrinológica
que se processa no organismo quando este se encontra
em situação que requeira dele uma reação
mais forte que aquela que corresponde à sua
atividade orgânica normal. O autor descreveu
a Síndrome de Adaptação geral
(SAG), que corresponde ao stress biológico,
apresentando-se em três estágios. O primeiro
estágio denominado de Reação
de Alarme, é quando há liberação
de várias substâncias como a adrenalina,
o hormônio aldosterona, corticóides como
o cortisol e hidrocortisona, entre outros, evidenciando
significativa alteração no organismo.
A segunda fase, denominada de Fase da Resistência,
ocorre quando a ação do estressor se
prolonga exigindo do organismo uma maior adaptação.
Todo o processo inicial que desencadeou a Fase de
Alarme vai sendo “assimilado” pelo organismo e o mesmo
vai se adaptando a ação do estressor
que, se prolongada, desencadeará outras reações
no organismo. A terceira etapa, que é identificada
como Fase do Esgotamento, ocorre quando a ação
do estressor permanece por um longo período,
esgotando a energia de adaptação do
organismo. Neste estágio o organismo pode ser
atingido tanto no plano psicológico ou emocional,
quanto no plano biológico ou físico.
Cada indivíduo poderá desenvolver determinados
sintomas ou doenças de acordo com seus recursos
psicológicos para lidar com a situação
ou, também, de acordo com sua constituição
e herança genética.
Lipp (1996) afirma que é necessário
distinguir entre estressores externos e internos:
os estressores externos caracterizam eventos ou condições
externas ao organismo, que o afetam, independente
da vontade da pessoa. Neste estudo podemos identificar
como estressores externos a falta de informação
sobre o processo de inclusão, a falta de infra
estrutura das escolas, a indisciplina dos alunos,
a indiferença dos pais em relação
a vida escolar dos filhos, a intolerância dos
pais de crianças ditas “normais” em relação
aos alunos incluídos, entre outros. Os estressores
internos são determinados pela própria
pessoa, já que revelam, muitas vezes, o seu
modo de ser, de se relacionar, as características
de sua personalidade. Podemos identificar neste estudo
a ansiedade, o negativismo, o pessimismo, a rigidez,
a raiva, entre outros.
Com a popularização
da palavra stress, todos falamos no tema muito à
vontade uma vez que já passamos por situações
de desgaste emocional. Doenças na família,
dívidas, situações de risco e
violência urbana, necessidades não satisfeitas,
difíceis relações de trabalho,
frustrações, etc… Todos estes são
indicadores para desencadear um processo que é
muito mais complexo, como vimos anteriormente, já
que nos envolve como um todo e deve ser entendido
em uma dimensão interdisciplinar. Seger (1992),
alerta para os maus usos que fazermos do termo. A
autora afirma que encontramos, freqüentemente,
stress identificado como estímulo (por exemplo:
o trânsito) ou como reação ( por
exemplo: o chefe está irritado) e em raras
oportunidades é definido como um processo,
o que corresponde a sua verdadeira natureza. Argumenta
que, por este motivo, convém utilizarmos o
termo “estressor” para designar o agente estimulante
ou a situação que está desencadeando
a excitação no organismo. A expressão
“stress” deve ser utilizada para identificar o processo
psicofisiológico em que o organismo se encontra.
A expressão “reação de stress”
para definir o comportamento que o organismo manifesta,
decorrente do processo desenvolvido.
Nossas reflexões, ao longo
deste estudo, estiveram pautadas no referencial do
Stress. Buscamos suporte teórico em autores
como Selye, Seger, Mattos, Schmidt, Lipp e Codo.
A docência é, segundo
apontam alguns pesquisadores, uma das profissão
que mais causa desgaste emocional e stress. Este trabalho
que poderia ser uma fonte de realização
pessoal e profissional, torna-se penoso, frustrante
e todas as situações novas que poderiam
servir como uma motivação, passam a
ser uma ameaça temida e, portanto, evitada.
Os mecanismos de defesa psicológica surgem
como uma estratégia natural do próprio
organismo que se resguarda das adversidades. Quando
o indivíduo está “armado” utilizando
em sua defesa estes mecanismos, muito pouco de crescimento
pode ocorrer e o diálogo difícil de
ser efetivado colocando em risco muitas situações
que poderiam se converter em verdadeiras fontes de
aprendizado e trocas para todos. Algumas vezes esta
complexidade vivenciada pelo professor dificulta o
processo de mediação na produção
e apropriação dos conhecimentos dos
alunos contribuindo para a exclusão e não
inclusão dos mesmos como desejamos.
Estudando uma realidade:
Entre 1998 e 2000 foi realizado em
Santa Maria-RS, um estudo que teve como objetivo investigar
o stress e os principais agentes desencadeadores em
professores do ensino fundamental frente a inclusão
de alunos com necessidades educacionais especiais
em suas turmas. O instrumento de coleta de dados consistiu
em uma adaptação do inventário
Faculty Stress Index (FSI) de Gmelch e colaboradores
(1984). A escolha do mesmo baseou-se em estudos já
realizados anteriormente: Schmidt, 1990, que estudou
o Stress ocupacional no ambiente Acadêmico Universitário;
Naujorks e outros, 1993, que estudou o Stress em mães
de crianças e adolescentes com deficiência
auditiva; Ozieck, 1998, que estudou o Stress Ocupacional
em professores de licenciatura da UFSM. Para este
estudo foram adaptadas questões sobre inclusão
devidamente validadas. O inventário consta
de uma primeira parte contendo dados demográficos
e uma segunda parte específica de situação
de stress, totalizando 30 questões. Os dados
quantitativos foram analisados por um professor especialista
em estatística que acompanhou a validação
do instrumento utilizando para tratamento e cruzamento
dos mesmos o pacote Statistical Analysis Sistem -
SAS, versão 3.0.
Fizeram parte do mesmo 91 escolas
da rede pública. Em cada escola três
professoras das séries iniciais responderam
aos inventários perfazendo um total de 163
instrumentos respondidos tendo um aproveitamento de
100%.
A trajetória e os achados da
pesquisa:
Ao chegarmos nas escolas, antes da
aplicação dos instrumentos, conversávamos
com as professoras, explicando o objetivo do estudo.
Era um momento informal, de descontração,
onde elas podiam expressar suas dúvidas e manifestar
ou não o desejo de serem sujeitos da pesquisa.
Este configurou-se no momento das queixas, como referimos
no início do texto: podemos identificar que
havia significativa resistência à proposta
da inclusão e muitas não sabiam nem
mesmo do que se tratava, evidenciando, portanto, um
total desconhecimento; o descaso das políticas
públicas para com a formação
continuada de professores; o desapontamento por terem
que realizar uma tarefa para a qual não desenvolveram
competências; a falta de interesse dos pais
pelas questões escolares dos filhos, entre
outras.
Aplicados os instrumentos, procedemos
o cruzamento dos dados e retiramos cinco categorias
que consideramos de maior relevância parar serem
analisadas qualitativamente.
1-Perspectivas em relação
à inclusão:
Esta categoria foi a que mais mobilizou
o grupo reunindo as principais preocupações
frente à inclusão, constituindo-se em
um estressor forte. Os indicadores foram:
a)- Em relação a si
e aos colegas:
Não me sinto à vontade
ao ter que enfrentar situações novas,
como por exemplo a proposta da inclusão, por
não estar suficientemente familiarizada.
Sinto que não há comprometimento
de alguns colegas em relação a esta
proposta.
Ao referirem-se às colegas
como não comprometidas com a proposta da inclusão,
ficamos na dúvida se estas professoras poderiam
estar se valendo de um mecanismo de defesa, projetando
nas colegas um sentimento que, na verdade era seu,
visto que a inclusão causa todo o desconforto
já assinalado ou se esse indicador sinaliza
para o quanto as professoras sentem-se sozinhas frente
esta tarefa.
b)- Em relação à
escola:
Sinto que a escola não está
preparada para atender alunos com necessidades educacionais
especiais.
Há uma sobrecarga de serviço docente
que impede o aperfeiçoamento principalmente
em relação a esta proposta
Não disponho de recursos materiais
e didáticos e instalações apropriadas
para cumprir com as responsabilidades que esta nova
proposta requer.
Estes indicadores nos remeteram à
discussão dos conceitos de inclusão
e integração. Compartilhamos da idéia
expressa por Mantoan (1997), quando afirma que na
integração escolar toda a estrutura
da escola se mantém não havendo mudança
naquilo que já está instituído.
Cabe ao aluno adequar-se a ela. Já a inclusão
é uma opção mais radical no sentido
que é o sistema que precisa ser revisto, adequando-se
às demandas do aluno. Para tanto, recursos
físicos e meios materiais necessitam ser priorizados
juntamente com a informação ao professor
sobre o aluno com necessidades educacionais especiais
esclarecendo esta condição, desenvolvendo
novas atitudes e formas de interação
que repercutam nos processos de aprendizagem de todos
os alunos.
c)- Em relação aos órgãos
oficiais e políticas pedagógicas:
Sinto que não existe uma preocupação
efetiva em fornecer subsídios aos professores
para trabalhar com a diversidade.
Sinto que esta proposta tem um conteúdo
muito mais político do que pedagógico.
Sinto que a escola ou órgão
maior não se interessa em proporcionar as condições
necessárias para implementação
desta proposta.
Dificilmente consigo apoio oficial
e recursos para buscar aprimoramento principalmente
no que se refere a esta proposta.
Estes indicadores refletem a fragmentação
do sistema nas suas diversas instâncias: Federal,
Estadual, Municipal e escolar. Enquanto respondiam
ao instrumento, as professoras manifestavam-se afirmando
que o trabalho de inclusão ficava restrito
à sala de aula. Foram significativas as manifestações
de que a inclusão foi uma proposta imposta,
sem um preparo prévio de professores, gestores,
famílias, alunos, enfim, a comunidade escolar,
mesmo considerando a autonomia outorgada às
escolas em delinear sua identidade no Projeto Político
Pedagógico.
2-Condições de trabalho:
(materiais e estrutura física)
Esta categoria evidenciou as condições
de trabalho como um possível estressor, que
merece atenção:
Minhas atividades de ensino são
prejudicadas pelo elevado número de alunos
em minha sala.
A liberdade para desenvolver minhas
atividades na escola é limitada
Minhas atividades docentes são
excessivamente controladas pela instituição
Percebo que há incongruência
entre o projeto político pedagógico
da escola e o que realizo em sala de aula
Sinto-me freqüentemente decepcionada
com os encaminhamentos feitos pela escola ou órgão
maior em relação a questões relativas
ao ensino.
Sinto-me tensa por ocasião
das reuniões de pais e conselho de classe.
Observamos que, a medida em que a
faixa etária das professoras aumenta, maior
é a possibilidade de entrarem em um processo
de stress. Este fenômeno pode estar associado
ao desgaste sofrido ao longo da carreira. Quanto mais
jovens, mais engajadas e comprometidas se sentem.
Porém, acreditam possuir uma autonomia reduzida
e sentem-se mais vigiadas pela instituição.
Esta percepção vai diminuindo com o
passar do tempo; as professoras com mais idade sentem-se
mais autônomas e as demandas da escola já
não lhes exigem tanto. Mesmo acreditando gozarem
de prestígio e respeito tanto na escola quanto
na comunidade, à medida que a faixa etária
avança maior é a probabilidade de sofrerem
o processo de stress, pois sentem-se desgastadas pelas
condições adversas do trabalho.
3-Reconhecimento do trabalho pela
escola e pela comunidade:
Esta categoria revelou o quanto o
reconhecimento pelo trabalho realizado pode configurar-se
também em um estressor:
Acho que a escola mostra-se indiferente
pelos meus esforços e trabalhos pedagógicos
Sinto que minhas sugestões
e recomendações não são
tomadas em conta.
Acho que o desempenho profissional
de certos colegas é insatisfatório
Observamos que nesta categoria as professoras com
mais tempo de serviço sentem-se prestigiadas
tanto pelo seu fazer, quanto por sua experiência
pessoal. Este sentimento pode estar associado à
maturidade pessoal e profissional, bem como uma maior
percepção da realidade, característica
adquirida pelo próprio tempo vivido. As professoras
mais jovens, que ainda não tiveram a experiência
do tempo vivido (tanto pessoal como profissionalmente)
se por um lado investem na carreira demonstrando vontade
de enfrentar os desafios da profissão, por
outro, sentem-se inseguras e desprestigiadas, estando,
portanto, também suscetíveis ao stress
do trabalho.
4-Satisfação pessoal
e financeira:
Esta categoria deixou evidente que
apesar da situação financeira ser um
agente estressor porém ainda há uma
identificação com o trabalho como verificamos
nos comentários emitidos pelas professoras:
Sinto-me insatisfeita em relação
ao desenvolvimento de minha carreira docente.
Os principais problemas que enfrento
hoje giram em torno do meu trabalho.
Sinto-me cansada e desanimada com
o magistério e constantemente tenho desejo
de fazer outra atividade.
Minha situação econômica
atual não me permite realizar projetos de lazer
para meus períodos de folga.
Meu salário não é
adequado para cobrir minhas necessidades pessoais
e familiares.
O grupo investigado concorda que os
salários são baixos ficando explícito
o desejo de uma melhor remuneração.
Mas pelo fato de ainda estarem identificadas com seu
trabalho, este assunto fica relegado a um segundo
plano. Os indicadores que compõe esta categoria
aparecem associados a declarações do
tipo: “o que verdadeiramente nos causa stress é
a falta de educação do aluno, falta
de respeito em sala de aula, irresponsabilidade da
família, alunos com três ou quatro anos
de repetência, a falta de recursos psicológicos,
materiais, pedagógicos para atendê-los...”
5-Metodologia utilizada em sala de
aula:
A última categoria de análise
mostra a dinâmica da sala de aula como um estressor
potencial:
Sinto dificuldade em manter o controle
e o interesse dos alunos em sala de aula
As atividades que realizo durante
o período escolar são, em geral, repetitivas
e rotineiras
Sinto que esta proposta vai causar
um prejuízo aos alunos ditos normais.
Muitas vezes, o trabalho realizado
em sala de aula é baseado em tentativas de
ensaio e erro, pois as professoras sentem-se limitadas
para desempenharem uma atividade para a qual não
receberam formação. Desta forma, acabam
massificando conteúdos que tornam-se pouco
significativos ao aluno. O professor ainda é
considerado o mediador do processo de aprendizagem
e a referência da qualidade de ensino é
atribuída a ele em seu desempenho e competência
profissional. Quando é posto à prova
sente-se perdido e confuso.
Considerações Finais:
Conforme identificamos ao longo deste
estudo, vários são os agentes estressores
com os quais o professor tem que lidar em seu cotidiano
profissional. Na maioria dos casos até consegue
identificá-los, mas sente-se impotente frente
aos mesmos. Encontramos um professor angustiado frente
aos desafios que a escola lhe impõe.
A proposta da inclusão é
um forte agente estressor, pois chegou nas escolas
de forma “imposta”, tornando-se, em linguagem figurada
uma “pedra no caminho do professor”. O conceito de
inclusão, segundo os professores ouvidos adquire
diversos significados, mas todos são unânimes
em afirmar que o processo inicia a partir de mudanças
de atitudes que englobam a sociedade e não
apenas o ambiente escolar. Como não conseguem
enxergar este “movimento” nem na sociedade nem nas
escolas, sentem-se sozinhos, tendo que implementar
um processo que diz respeito a todos, que envolve
uma prática coletiva.
Apesar do despreparo do professor
ser apontado como o mais forte estressor, concordo
com Malagris (2002), quando afirma que, mesmo com
formação adequada, alguns docentes podem
apresentar dificuldades diante da situação.
Estas dificuldades justificam-se pelas experiências
internas que são diferentes de pessoa para
pessoa. Pessoas propensas ao stress, têm uma
experiência diferenciada daqueles que não
têm essa propensão. As pressões
internas são decorrentes das crenças
e dos valores de cada um. Aliadas ao despreparo profissional
específico podem desencadear, com mais propensão,
o processo de stress.
Finalizando, cabe-nos levar os resultados
deste estudo para o âmbito das escolas divulgando
este referencial entre professores, gestores educacionais
e familiares. Também é necessária
a conscientização dos órgãos
responsáveis pela elaboração
das políticas públicas evitando, assim,
a instalação de um quadro de sofrimento
que poderá se tornar crônico na profissão
docente.
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