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::. A Deficiência Auditiva na Idade Escolar
Fonoaudióloga Aline Berghetti Simoni - Email: nefono@terra.com.br
Fonoaudióloga formada pela Universidade Luterana do Brasil, ULBRA. Especializanda em Linguagem com ênfase em Fonoaudiologia Escolar pelo IPA. Fonoaudióloga clínica.
Canoas/ RS

A criança surda pode ser facilmente reconhecida pela família por seu comportamento quando não se assusta com um ruído e/ou com um som. Porém, uma deficiência auditiva mais leve, que também pode prejudicar o desenvolvimento da criança, é muito difícil de ser descoberta. Às vezes, pode haver alguma suspeita, mas geralmente passa desapercebida pelos próprios pais e professores. Desta forma, a criança que tem uma surdez profunda, normalmente está numa classe de crianças deficientes auditivas. Porém aquelas que têm uma deficiência auditiva leve, não são percebidas pelos professores e estão nas classes juntamente com os alunos que ouvem normalmente. Entretanto, estes alunos precisam ser descobertos, porque sem uma boa audição, fica muito difícil para essa criança aprender a ler e a escrever.
O professor precisa observar se a criança apresenta dificuldade na pronúncia das palavras, se aparenta preguiça ou desânimo, se usa palavras inadequadas e erradas, quando comparadas às palavras usadas por outras crianças da mesma idade, se a criança atende quando é chamada, se inclina a cabeça, procurando ouvir melhor, se não se interessa pelas atividades ou jogos em grupo, se é retraída, desconfiada ou vergonhosa, se pede que o professor repita várias vezes à mesma coisa e se fala muito alto ou muito baixo.
Uma conversa entre professor e pais pode ajudar muito. Muitas vezes é o professor que alerta os pais sobre o comportamento auditivo da criança.
Pode-se suspeitar de uma possível perda auditiva, se existirem pessoas surdas na família da criança, se já teve doenças como meningite ou caxumba, se já usou antibióticos por longo tempo e em altas doses, se já teve sarampo e como foi sua evolução, se a criança queixa-se sempre de dores de ouvido, se a criança apresenta pus no ouvido, com ou sem cheiro, se tem resfriados constantes, se tem problemas respiratórios, a altura que a criança prefere ouvir rádio ou televisão, se a criança fala muito "hã, hã..".
Se houver uma suspeita, o professor deve tomar algumas medidas para tentar solucionar ou diminuir o problema da criança, como: sentar a criança em lugar mais adequado, falar com a criança de forma natural, sem gritar e sem sussurrar, encaminhar a criança ao otorrinolaringologista (médico especialista em doenças da audição), encaminhar a criança a um fonoaudiólogo para que sejam tomadas todas as providências para um tratamento adequado, dar liberdade para a criança dizer quando não entendeu ou não escutou o que lhe foi dito, sem que ela se sinta envergonhada, integrar a criança ao grande grupo, fazendo com que os colegas compreendam os motivos pelos quais ela não fala ou não escuta normalmente.
Cuidados necessários e muito importantes:
Não limpar ou coçar o ouvido com a unha ou com qualquer objeto, para enxuga-lo é adequado usar a ponta do dedo envolvido na toalha;
Tratar corretamente, com orientação médica, as gripes e outras infecções, como também qualquer dor que possa vir a ter;
Não pingar qualquer remédio no ouvido, principalmente os remédios caseiros;
Antibióticos somente devem ser usados sob receita médica;
Não introduzir objetos estranhos no ouvido, como milho e feijão;
Evitar que a criança seja amamentada em posição horizontal (deitada). Procurar manter sua cabeça um pouco mais alta para o leite e o vômito não escorrerem para o ouvido.

Tomando-se os cuidados necessários, você estará ajudando a resolver um problema que é muito sério e que afeta um grande número de crianças brasileiras. A deficiência auditiva infantil quando não tratada, em alguns casos, chega até a surdez.
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