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A
Importância do Fonoaudiólogo na Adaptação
da Prótese Auditiva
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Danuza
Prates Veloso Souto
Fonoaudióloga - CRF 4765 RJ/T/MG
Av.Cula Mangabeira 210/503 -Tel: 38-3216.1250 / 9119.9770
Santo Expedito - Montes Claros/MG
Email: danuzaps@terra.com.br
e danuzaps@hotmail.com
O
objetivo deste artigo é salientar e ressaltar
a importância do papel do fonoaudiólogo
na adaptação do aparelho de amplificação
sonora individual (AASI) nas pessoas portadoras de perda
auditiva.
Introdução:
O papel da audição na
comunicação humana é de extrema
importância para o desenvolvimento social.
Para o deficiente auditivo candidato ao uso da amplificação,
a adaptação da prótese auditiva
tem um papel fundamental no seu processo de habilitação
e/ou reabilitação.
Ao surgir, os problemas auditivos podem vir a ser corrigidos
por meios de tratamentos clínicos e intervenções
cirúrgicas, porém existem perdas auditivas
para as quais nenhum tratamento é possível.
Para estes casos, as próteses auditivas são
instrumentos importantes.
Todo indivíduo portador de problema auditivo
deverá fazer inicialmente uma avaliação
otorrinolaringológica.Doenças otológicas
progressivas, doenças sistêmicas com repercussões
sobre o aparelho auditivo, necessitam ser descartadas
ou tratadas convenientemente. Diante do diagnóstico
do otorrinolaringologista, o fonoaudiólogo é
o profissional que assume a coordenação
do processo de habilitação ou reabilitação
do deficiente auditivo.
A adaptação em crianças:
O diagnóstico precoce possibilita
a intervenção dos profissionais envolvidos
no processo de habilitação da criança,
antes que este sujeito se encontre seriamente marcado
pelas conseqüências da deficiência
auditiva. Sabe-se que a deficiência auditiva acarreta
na criança não apenas alterações
no desenvolvimento da linguagem, mas também nos
aspectos cognitivo, social, emocional e educacional,
sendo estas implicações secundárias
que serão minimizadas com o uso precoce da amplificação.Quanto
mais cedo o diagnóstico for realizado e a prótese
adaptada, melhores serão as possibilidades de
aproveitamento dos resíduos auditivos desta criança.
A adaptação da prótese auditiva
é uma das condições fundamentais
para que a criança deficiente auditiva desenvolva
todo o seu potencial, o que ocorrerá apenas quando
ela utilizar plenamente o instrumento, isto é,
em todas as horas do dia.Este processo dependerá
da participação da família, sendo
que o sucesso na utilização do aparelho
pela criança estará diretamente relacionado
à atitude e à educação dos
pais.Muitos fatores estão relacionados à
rejeição da prótese, e um dos principais
é a não aceitação por parte
da própria família.
A adaptação em adultos:
Já o processo de reabilitação
no adulto, é um resgate, onde a audição
com a prótese se transforma numa redescoberta
do sentido, tão importante nas relações
humanas, no seu contato com o mundo.O objetivo principal
do trabalho de orientação e aconselhamento
de indivíduos adultos, deve ser a resolução
das dificuldades específicas ligadas direta ou
indiretamente à perda auditiva.O paciente deve
estar envolvido ativamente no processo de reabilitação
para que seja possível o estabelecimento de condições
facilitadoras para a mudança de atitudes e a
busca de soluções.Chama-se de solução
não apenas o uso efetivo da prótese e
de estratégias que facilitem o desempenho do
indivíduo na comunicação, como
também a aceitação e melhor convivência
com uma nova forma de vida.
Com a perda da audição surgem também
sentimentos de insegurança, medo e até
incapacidade. A dúvida quanto à possível
progressão da perda é algo que pode deixar
o indivíduo inquieto.As dificuldades de comunicação
fazem com que duvide de suas capacidades e habilidades,
tanto profissionalmente quanto pessoalmente, levando
à mudança na qualidade de vida, depressão
e isolamento.
O paciente adulto deve entender o que é uma prótese
auditiva, como funciona e ser capaz de manipular todos
os controles externos e obter o máximo aproveitamento
possível em cada situação e ambiente
acústico.
Na seleção e adaptação
de próteses, questões relevantes são
colocadas:
1-Qual o tipo de prótese a ser
utilizada?
2-Qual o tipo de adaptação: monoaural?binaural?
3-Qual o tipo:analógico?programável?digital?
4-Qual o tipo de amplificação: linear
ou não linear?
5-Quais as características eletroacústicas
mais apropriadas? Ganho máximo, saída
máxima?
O sucesso depende destas decisões
e da adaptação, que deve ser bem sucedida,
pois se não for, a prótese não
será utilizada, sendo inclusive rejeitada, e
o deficiente auditivo continuará com as dificuldades
da sua deficiência.
A Utilização da Prótese
Auditiva
A utilização depende não
só da seleção do modelo adequado
e de moldes perfeitamente ajustados, como principalmente
do processo de adaptação do indivíduo
à amplificação. Este processo auxilia
a pessoa a aceitar e incorporar a prótese auditiva
no seu dia a dia, beneficiando-se ao máximo da
sua utilização.
Importantes quanto à seleção das
características eletroacústicas, modelo
e regulagem adequada, são as orientações,
acompanhamento e aconselhamento ao usuário.
Estas orientações e aconselhamentos, o
fornecimento de informações, explicações
e suporte para orientar as opções, comportamentos
e atitudes dos deficientes auditivos e às suas
famílias, destinam-se a capacitar o indivíduo
a encontrar as soluções para as suas dificuldades.
Interferem e influenciam desde a aceitação
da perda auditiva, até o seguimento das orientações
na reabilitação.
O Papel do Fonoaudiólogo
A confiança, a integração
e a credibilidade do paciente e da família ao
profissional fonoaudiólogo são de suma
importância para a evolução do processo
de adaptação.
A empatia, o calor humano, compreensão e respeito,
proporcionam a confiança para o paciente aceitar,
assimilar e agir conforme as informações
recebidas.
A essência do processo se dá quando o paciente
se envolve em seu tratamento.
Aconselhamentos:
1-Informação geral sobre
a perda auditiva e sobre a prótese auditiva.
É fundamental que o usuário entenda a
forma de operação da prótese auditiva,conheça
seus componentes,localização e função
de cada controle, afim de utiliza-la como um instrumento
efetivo no aproveitamento de seus resíduos auditivos,desmistificando
a imagem de equipamento de difícil adaptação
e manipulação.
2- Na medida em que se sabe que a prótese auditiva
"não devolve a audição normal"
e que,mesmo usando a prótese, algumas dificuldades
ainda irão persistir, é importante incluir
nas orientações, explicações
sobre a utilização de pistas adicionais
e estratégias de comunicação.O
objetivo é conseguir melhor aproveitamento e
desempenho possíveis, para facilitar a comunicação
e melhorar a qualidade de vida do deficiente auditivo.
A afetividade, emoções, sentimentos e
atitudes envolvidos, devem ser considerados.
Histórico:
Num passado bem próximo, após
a indicação da prótese pelo médico
otorrinolaringologista ou médico da família,
o paciente adquiria o aparelho diretamente nas empresas,
através de um vendedor.O trabalho de seleção/orientação
e uso efetivo era inexistente. Não havia continuidade
do serviço, e a prótese não era
vista como parte integrante na habilitação
e/ou reabilitação do deficiente auditivo.
A situação foi mudando à medida
que os fonoaudiólogos envolveram-se neste trabalho.
Hoje para o aproveitamento efetivo da amplificação,
é indiscutível a importância da
participação do fonoaudiólogo,
que proporciona uma utilização adequada
e bem sucedida do aparelho.
NORTHERN e DOWNS (1991) ressaltam que o papel do fonoaudiólogo
é aconselhar o próprio paciente, pais
e familiares sobre os aspectos da perda auditiva, da
deficiencia, da prótese e de seu uso, dando suporte
emocional, acompanhando o progresso do paciente,garantindo
o benefício do uso da prótese em condições
de funcionamento possíveis, organizando a terapia
e treinamento especial.
Também ERDMAN (1993) afirma que devido à
compreensão da deficiência auditiva e dos
problemas dela originados, os fonoaudiólogos
são os profissionais mais habilitados para aconselhar
os deficientes auditivos e seus familiares.
A (ASHA,1984) American Speech Language Hering Association,
destaca o aconselhamento como requisito mínimo
para aqueles que oferecem serviços de reabilitação
auditiva. O profissional fonoaudiólogo deve estar
preparado para aconselhar o indivíduo a respeito
das dificuldades geradas direta ou indiretamente pela
perda auditiva, auxiliando-o a encontrar solução
para os problemas.
Assim sendo, o paciente e a família podem encarar
a perda auditiva de forma diferente, pois as dificuldades
variam segundo o grau da perda, a personalidade e as
condições ambientais.
Conclusão:
Não existem reações
semelhantes ou uniformes, cada caso é avaliado
e acompanhado em particular, recebendo o suporte e informações
apropriadas.
Diante da velocidade dos avanços tecnológicos,
a atualização dos profissionais da área
de seleção e adaptação de
prótese auditiva deve ser uma constante, pois
o aprimoramento proporciona maior aceitação,
envolvimento e melhores condições no atendimento,
beneficiando o tratamento do nosso paciente.
Referencias Bibliográficas:
Almeida,Kátia
de-Iório,Maria Cecília Martinelli-Próteses
Auditivas-Fundamentos Teóricos e Aplicações
Clínicas- 1996- Editora Lovise
Jornal Brasileiro de Fonoaudiologia-Ediçao trimestral-Vol
4 n:17 out/dez 2003 - Editora Maio
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