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::. Alguns aspectos sobre a linguagem humana e as habilidades de leitura e
escrita infantis
Graziella Ribeiro Soares Moura
Professora do Instituto de Ensino Superior de Bauru e do Instituto Superior de Educação Orígenes Lessa, pesquisadora e doutoranda em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos.
Email:
gribeiro001@ig.com.br

  Idéias desenvolvidas durante o I Encontro sobre Distrúrbios de Aprendizagem realizado pelo CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica) em São Paulo, no mês de julho de 2004.

Nossa sociedade possui inúmeras variantes lingüísticas as quais podemos caracterizar como: normas padrões e não-padrões; regionais; de prestigio; faixa etária, etc. Essas variantes permitem-nos afirmar que a expressão "falar certo" não é adequada, pois falamos certo à medida que reconhecemos essas variantes e nos adequamos a elas.
Outra expressão que não podemos aceitar como absolutamente correta é "a escrita é a representação da fala". Durante o processo de expressão oral não pontuamos, tampouco separamos as palavras como o fazemos quando escrevemos. A escrita é um processo diferente da fala, embora essas duas habilidades humanas estejam estritamente articuladas.
Fala, leitura e escrita são domínios do ser humano o qual conseguiu desenvolver uma linguagem mais sofisticada do que outros animais. Apesar de apresentarem-se vinculadas, o ato de escrever exige habilidades mais complexas do que o ato de ler e falar. Assim, podemos dizer que é necessário haver uma pedagogia para a aprendizagem da leitura e outra pedagogia para a aprendizagem da escrita (LIMA, 2002 ).
Para falar precisamos sincronizar a articulação labial com a sonoridade produzindo o vozeado. E para ler e escrever? Como o nosso sistema de linguagem é alfabético, é necessário adquirirmos a consciência fonológica, ou seja, o reconhecimento de que nosso sistema de escrita é constituído por sons (fonemas). Essa competência é conquistada durante o processo de alfabetização.
A linguagem é formada por uma tríade: forma, conteúdo e uso. A forma que é a representação icônica e fonêmica (no nosso caso) dessa linguagem; o conteúdo que está na ordem dos conceitos e abstrações, é a idéia que desejamos transmitir e o uso que significa para que utilizamos a mensagem, para que serve, a quem se destina? Pode-se afirmar que a linguagem é uma função simbólica, derivada do processo de desenvolvimento do conhecimento e revela uma capacidade de representação mais ampla. A linguagem foi elaborada socialmente, estruturada cognitivamente e depende de um aparato biológico preservado.
A linguagem requer a cognição e se desenvolve normalmente se a pessoa possuir o reconhecimento fonológico; semântico, lexical; morfológico e pragmático. Se a pessoa é normal em termos neurológicos e possui a compreensão dos aspectos citados, é capaz de ler, escrever e falar normalmente e muito bem. Mas para isso é necessário estimulação. A escola é um dos locais mais ricos em estimulação e capazes de promover esse desenvolvimento nas crianças. Muitas crianças brasileiras vivem em ambientes desprovidos de estimulação, recursos e experiências com a leitura e a escrita e esse fato, aliado à complexidade de nossa língua materna, pode provocar muitas falhas, por parte das crianças, no momento do aprendizado. Isso requer muita atenção, dedicação e estudo por parte daqueles que ensinam as crianças.
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1. Idéias desenvolvidas durante o I Encontro sobre Distrúrbios de Aprendizagem realizado pelo CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica) em São Paulo, no mês de julho de 2004.

2. Professora do Instituto de Ensino Superior de Bauru e do Instituto Superior de Educação Orígenes Lessa, pesquisadora e doutoranda em Educação Especial pela Universidade Federal de São Carlos.

Quando a criança aprende a escrever comete muitos erros, pois o nosso processo de escrita é altamente complexo. Temos inúmeras letras com sons diferentes e algumas letras com o mesmo som (s e z; ch e x; etc). O domínio dessas relações nem sempre é claro para crianças em idade escolar. Por isso, é necessário que os professores sejam pacientes e reconheçam os níveis de aprendizagem dos alunos.
As pessoas erram ao escrever porque têm que tomar uma decisão. Por exemplo: para escrever "exemplo" preciso decidir-me entre o x, s ou z e durante esse processo de escolha o erro pode ser pontual.
O processo de escrita traz aos estudantes alguns complicadores que são: a) a distância entre a forma de falar e escrever; b) a relação entre letras e sons; c) vários sons que uma única letra pode apresentar. Esses complicadores devem diminuir gradativamente conforme as crianças avançam na escolaridade. O trabalho docente deve promover a percepção, por parte dos alunos, de que não escrevemos conforme falamos. Fala-se cartera e escreve-se carteira; fala-se mãi e escreve-se mãe.
As idéias aqui contidas são apenas algumas reflexões que faço constantemente acerca dos processos de linguagem e leitura e escrita escolar. Espero que, com essas poucas linhas, possa ter contribuído para um melhor encaminhamento das práticas alfabetizadoras em nossas escolas brasileiras.

1. Idéias desenvolvidas durante o I Encontro sobre Distrúrbios de Aprendizagem realizado pelo CEFAC (Centro de Especialização em Fonoaudiologia Clínica) em São Paulo, no mês de julho de 2004.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

LIMA, E. S. Quando a criança não aprende a ler e a escrever. São Paulo: Sobradinho 107, 2002.
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