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A
PRÁTICA PEDAGÓGICA COM CRIANÇAS
PORTADORAS DE DISTÚRBIOS ARTICULATÓRIOS:
EM BUSCA DE CONTRIBUIÇÃO PARA A FORMAÇÃO
DE
PROFESSORES |
Marilda
Carneiro Santos
Milenna Brun
O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados
parciais da nossa pesquisa sobre a prática pedagógica
com crianças portadoras de distúrbios da
fala (dislalia), partindo do pressuposto que a falta de
conhecimento teórico-prático do professor
dificulta o processo ensino-aprendizagem. Dois eixos teóricos
guiam a pesquisa: a teoria interacionista de Vygotsky
que aborda o desenvolvimento intelectual e lingüístico
das crianças e as recentes discussões sobre
formação de professores e prática
pedagógica numa perspectiva de profissionais reflexivos.
Este trabalho apresenta os primeiros
resultados parciais de nossa pesquisa sobre a prática
pedagógica com crianças portadoras de
distúrbios articulatórios ou dislalia,
no âmbito do Mestrado em Educação
Especial, convênio entre Universidade Estadual
de Feira de Santana, Bahia, Brasil e o Centro Latino
Americano para a Educação Especial, Havana,
Cuba.
O estudo, iniciado em junho de 2000,
identificou e analisou a prática pedagógica
de professores da 1ª série do ensino fundamental
de seis escolas municipais de Feira de Santana em classes
que incluem crianças portadoras de distúrbios
da fala (dislalia). A investigação também
pretende na sua segunda etapa contribuir com reflexões
e propostas sobre a formação inicial e
permanente dos professores.
Embora as diretivas atuais na área
da Educação Especial indiquem, principalmente
a partir da Declaração de Salamanca, que
recursos pedagógicos e metodológicos educacionais
especiais devam ser aplicados a fim de garantir que
todas as crianças diagnosticadas como portadoras
de N.E.E., ou seja, que apresentam deficiências
ou dificuldades de aprendizagem em algum momento da
sua escolarização, possam se desenvolver
globalmente, percebemos que um longo caminho ainda deve
ser percorrido no contexto escolar brasileiro para que
este direito básico seja uma realidade e não
uma exceção.
A modalidade de ação educativa
especial no Brasil fundamenta-se filosoficamente na
Declaração Universal dos Direitos do Homem,
na Convenção Sobre os Direitos da Criança
e na Declaração de Salamanca, legalmente
no artigo 208 Constituição da República
Federativa do Brasil e no Plano Decenal de Educação
para Todos.
O avanço significativo na área
da educação especial ocorrido no Brasil
a partir das contribuições da Conferência
Mundial de Educação Especial, realizada
em Salamanca, Espanha em 1994, foi materializado pela
nova Política Nacional de Educação
Especial, que reafirma o compromisso de respeitar as
diferenças e condições de eficiência
de cada um, de promover oportunidades semelhantes de
aprendizagem com as contribuições dos
colegas, sua alteridade e diferenças e de implantar
programas individualizados apropriados a cada criança
dentro do sistema regular de ensino.
A nova Lei de Diretrizes e Bases para
e Educação Nacional, Lei no 9.394, de
20/12/96, define Educação Especial, por
modalidade de educação escolar, oferecida
preferencialmente na rede regular de ensino, para pessoas
com necessidades educacionais especiais. Essa modalidade
de educação é considerada como
um conjunto de recursos educacionais e de estratégias
de apoio que estejam à disposição
de todos os alunos, oferecendo diferentes alternativas
de atendimento.
O Ministério da Educação,
a partir da nova LDB tem investido em um sistema de
informações e políticas adequadas
às exigências e complexidades da Educação
Especial. Segundo dados atuais do Ministério
de Educação e Cultura o Programa Nacional
de Capacitação de Recursos Humanos já
atende 135 municípios. Dados estatísticos
também comprovam o crescimento (entre 1996 a
1999) de matrículas de alunos com N.E.E (por
deficiência) em escolas regulares. As publicações
na área foram igualmente incentivadas e o próprio
ministério lançou as séries Diretrizes,
específicas para cada necessidade de educação
especial e os Parâmetros Curriculares Nacionais
para a Educação Especial.
Observa-se, contudo, por um lado que,
o PNEE não considera distúrbio de linguagem
como uma N.E.E. e que as séries Diretrizes não
inclui um exemplar especifico sobre tais distúrbios
e por outro lado, que poucos estudos foram realizados
concernindo os distúrbios da fala no contexto
escolar.
A lacuna encontrada nas preocupações
do MEC e o alto índice de incidência de
tais problemas articulatórios comprovam a relevância
de trabalhos a serem desenvolvidos nessa área,
principalmente porque a linguagem constitui uma das
manifestações essenciais na vida psíquica
do homem, além de ser propriedade distintiva
dos seres humanos. A aquisição lingüística
é o resultado de uma atividade nervosa complexa,
que permite a comunicação interindividual
de estados psíquicos e representa uma habilidade
decorrente de uma complexa integração
dos vários sistemas biológicos (cerebral,
auditivo, motor e outros) inter-relacionados com os
aspectos psíquicos, cognitivos, afetivos e sociais.
Porém, além da sua freqüência
e importância, destacamos outras razões
essenciais para o estudo de tais distúrbios e
do papel do professor neste processo. Em primeiro lugar
porque a fala é um indicador do desenvolvimento
integral da criança e a sua aquisição
interfere na aprendizagem da leitura e da escrita; em
seguida, está comprovado que todo diagnóstico
precoce nessa área favorece o prognóstico
e permite que a ação pedagógica
seja adaptada; e finalmente, porque a formação
do professor e sua prática pedagógica
são fatores passíveis de inovações
positivas e eficazes.
Nossos objetivos iniciais foram a identificação
das crianças dislálicas matriculadas nas
séries iniciais do ensino fundamental em escolas
municipais de Feira de Santana e a caracterização
e a análise da prática docente de seus
professores.
Partindo do pressuposto que a falta
de conhecimento teórico-prático do professor
em relação ao trabalho com crianças
portadoras de distúrbios da fala dificulta o
processo ensino - aprendizagem, tentamos identificar
os distúrbios da fala existentes e a prática
docente nas séries iniciais do Ensino Fundamental
em escolas da rede municipal de Feira de Santana.
Para uma melhor compreensão da
dislalia revisitamos as principais teorias sobre a aquisição
da linguagem cujas perspectivas são diferentes
e mesmo contraditórias. A teoria de Chomsky advoga
que o indivíduo nasce com capacidades inatas
e um conhecimento subjacente de uma gramática
universal, ou seja, universais cognitivos e lingüísticos
inerentes a todos os indivíduos que serão
estimulados pelo meio. A teoria comportamentalista de
Skinner contrasta agudamente com a abordagem chomskyniana
e percebe a linguagem como um comportamento verbal semelhante
a todos os outros comportamentos operantes condicionados,
decorrentes da aprendizagem estímulo - resposta.
Piaget por outro lado afirmou que os indivíduos
nascem apenas com uma potencialidade (capacidade inata):
aquela de aprender. Assim, o conhecimento e desenvolvimento
da criança dependem de exposição
ao meio e dos estímulos deste. Para o autor,
a base do conhecimento é a transferencia e assimilação
de "estruturas" e uma língua seria
adquirida por assimilação dos modelos
favorecidos pelo meio. A linguagem, além de não
se apresentar como uma capacidade inata, precisa esperar
que uma etapa cognitiva se desenvolva para que o indivíduo
possa começar a manifestar processos de "assimilação"
ligados à aquisição da língua.
Vigotsky construiu propostas teóricas
inovadoras sobre temas relacionados ao pensamento e
à linguagem, a natureza do processo de desenvolvimento
da criança e o papel da instrução
para o desenvolvimento. Segundo ele, as origens das
formas superiores de comportamento consciente - pensamento,
memória, atenção voluntária
etc. - devem ser encontradas nas relações
sociais que o homem mantém. Linguagem e pensamento
(processos cognitivos) são fenômenos de
desenvolvimento autônomos nos primeiros meses
de vida e já se manifestam independentes do estimulo
do meio. Os processos cognitivos, por sua vez, desenvolvem-se
inicialmente independentemente da linguagem. Processos
cognitivos e linguagem são fatores fundamentais
à sobrevivência e, por essa razão
tomam o seu lugar de importância desde o primeiro
contato da criança com o mundo. Desta forma,
quando o indivíduo começa a dominar a
língua, apresenta duas funções
de uso dessa língua, que são paralelas
e não se confundem: a função social
e a função cognitiva.
Para Vigotsky três aspectos são
relevantes no desenvolvimento infantil. O aspecto instrumental
diz respeito à natureza basicamente mediadora
das funções psicológicas complexas.
Os seres humanos respondem aos estímulos apresentados
pelo ambiente, mas também são capazes
de alterá-los e usar as modificações
como instrumento de seu comportamento. O aspecto cultural
engloba os meios socialmente estruturados pela sociedade
a fim de organizar os tipos de tarefa enfrentados pela
criança em crescimento, e os tipos de instrumento,
tanto mentais como físicos, de que ela dispõe
para realizar tais tarefas. O aspecto histórico
associa-se ao cultural, uma vez que os instrumentos
que o homem usa para dominar seu ambiente e seu próprio
comportamento, foram criados e modificados ao longo
da história social da civilização.
Assim, para Vigotski, a história da sociedade
e o desenvolvimento do homem caminham juntos e, mais
do que isso, estão de tal forma intrincados,
que um não seria o que é sem o outro.
As crianças, desde o nascimento,
estão em constante interação com
os adultos, que ativamente procuram incorporá-las
às suas relações e a sua cultura.
A mediação dos adultos permite que os
processos psicológicos mais complexos tomem forma
primeiro interpsiquicamente e em seguida intrapsiquicamente,
através da interiorização dos meios
historicamente determinados e culturalmente organizados
de operação das informações.
Inicialmente, os aspectos motores e
verbais do comportamento estão misturados. A
fala envolve os elementos referenciais, a conversação
orientada pelo objeto, as expressões emocionais
e outros tipos de fala social. A fala começa
a adquirir traços demonstrativos e a indicar
o que a criança está fazendo e do que
está precisando. A criança, fazendo distinções
para os outros com o auxílio da fala, começa
a fazer distinções para si mesma. E a
fala vai deixando de ser um meio para dirigir o comportamento
dos outros e vai adquirindo a função de
autodireção. Fala e ação,
que se desenvolvem independentes uma da outra, em determinado
momento do desenvolvimento convergem, e esse é
o momento de maior significado no curso do desenvolvimento
intelectual, que dá origem às formas puramente
humanas de inteligência. Inicialmente, a fala
acompanha a ações e, posteriormente, dirige,
determina e domina o curso de ação, com
sua função planejadora.
O desenvolvimento está, pois,
alicerçado sobre o plano das interações.
E todos os movimentos e expressões verbais da
criança, no início da sua vida, são
importantes, pois, afetam o adulto, que os interpreta
e os devolve à criança com ação
e/ou com fala. A fala inicial da criança tem,
portanto, um papel fundamental no desenvolvimento de
suas funções psicológicas.
Vigotski deu ênfase ao processo
de internalização, como mecanismo que
intervém no desenvolvimento das funções
psicológicas complexas. Este processo é
a reconstrução interna de uma operação
externa e tem como base a linguagem. O plano interno
para ele, não preexiste, mas é constituído
pelo processo de internalização, fundado
nas ações, nas interações
sociais e na linguagem.
Enquanto Piaget apresenta uma tendência
hiperconstrutivista em sua teoria, com ênfase
no papel estruturante do sujeito, Vigotski enfatiza
o aspecto interacionista, pois considera que é
no plano intersubjetivo, isto é, na troca entre
as pessoas, que as funções mentais superiores
têm origem. A teoria de Piaget também apresenta
uma dimensão interacionista, mas sua ênfase
é colocada na interação do sujeito
com o objeto físico. E a teoria de Vigotski apresenta
um aspecto construtivista na medida em que busca explicar
o aparecimento de inovações e mudanças
no desenvolvimento a partir do mecanismo de internalização.
Existe porém, um desacordo fundamental entre
elas: a influência do papel da fala inicial da
criança sobre o pensamento.
Ao abordar o desenvolvimento intelectual
e lingüístico das crianças, Vygotsky
desenvolveu conceito de linguagem como atividade, base
do conhecimento e do pensamento do homem, modificando
o rumo das investigações atuais. Este
novo conceito da psicologia social explica a maneira
como o homem se apropria do mundo, ou seja, é
a atividade que propicia a transição daquilo
que está fora do homem para dentro dele. A criança
é um sujeito ativo que, mediante processos interativos
de caráter verbal e não verbal com seu
ambiente, vai aprendendo as formas, conteúdos
e usos lingüisticos próprios de sua comunidade.
Em termos puramente aquisicionais, mesmo
considerando uma abordagem integradora de aspectos orgânicos
como psicológico, formais e funcionais, encontramos
comportamentos adotados pela maioria de indivíduos,
ainda sendo diferentes entre si, em um determinado estágio
maturacional. Tais comportamentos representam a norma.
Dentro da área da lingüistica clínica,
estabelecida a partir do início da década
de 80, os estudos lingüisticos têm se empenhado
em descrever e analisar produções irregulares
de comunicação. A "American Speech
Language and Hearing Association" (ASHA) conceitua
as desordens da comunicação como os impedimentos
na habilidade para receber e ou processar um sistema
simbólico, observáveis em nível
de audição, linguagem e processos de fala.
Essas desordens podem variar em grau de severidade;
serem de origem desenvolvimental ou adquirida. Ainda
segundo ASHA, são consideradas como desordens
da comunicação as alterações
da fala (articulação, voz e fluência)
da linguagem (forma, conteúdo e função
comunicativa).
O distúrbio articulatório
da dislalia é definido por: presença de
erros na articulação da fala, em pessoas
que apresentam patologia não comprometida pelo
Sistema Nervoso Central. É a omissão,
substituição, distorção
ou acréscimo de sons na palavra falada.
A fim de analisarmos a formação
e a prática pedagógica dos professores
responsáveis pela mediação da aprendizagem
das crianças dislálicas identificadas
utilizamos como referencial as discussões mais
recentes sobre a qualidade, a democratização
e a modernização da escola. SCHON (1983),
NÓVOA (1995) ZEICHNER (1995) e PÉREZ GOMES
(1995) introduziram novas abordagens no debate sobre
a formação e prática pedagógica
dos professores, saindo de uma perspectiva centrada
nas dimensões acadêmicas (currículos,
disciplinas, entre outras) para uma perspectiva centrada
nos profissionais reflexivos, capazes de identificar
as características de seu trabalho técnico
e científico e o tipo de conhecimento e competências
que são chamados a colocar em prática.
A pesquisa foi delineada como um estudo
bifásico. A primeira fase, descritiva e explicativa,
consistiu no diagnóstico geral dos distúrbios
da fala nas escolas municipais do ensino fundamental
em Feira de Santana e na identificação
e análise da prática pedagógica
dos professores de alunos dislálicos. Em um universo
de 94 escolas municipais foram escolhidas 06 escolas
por serem consideradas de médio e grande porte,
pertencerem à Zona Urbana e oferecerem da alfabetização
à 4a série do Ensino Fundamental. Os professores
das séries fundamentais indicaram 121 alunos
identificados por eles como portadores de distúrbios
de fala. Uma avaliação logopédica
foi realizada e constatamos que 43 alunos apresentavam
distúrbios de fala, dos quais 24 dislalia funcional
simples ou complexa. As 03 escolas que apresentaram
maior número de alunos dislálicos por
turma foram selecionadas como área da pesquisa.
Portando trabalhamos com 19 alunos dislálicos
e 07 professores.
Na coleta dos dados utilizamos técnicas
que, tradicionalmente, estão vinculadas à
etnografia e demais metodologias qualitativas. A identificação
dos distúrbios e o diagnóstico de dislalia
foram feitos a partir de avaliação logopédica
e anamnese com a família. A caracterização
da prática pedagógica foi realizada através
de observações de classe, a entrevista
semi-estruturada, conversas informais, registro em diário
de campo com os profissionais da escola (diretores e
professores).
A observação direta nos
permitiu identificar as práticas escolares nas
seguintes categorias: relação professor
e aluno, as relações socioculturais, a
metodologia trabalhada, tipos de atividade objetivando
aquisição de conhecimento e técnicas
de avaliação. O ambiente da aprendizagem
foi o eixo central de sustentação para
a análise da prática desses professores.
Das 121 crianças indicadas, 43
ou 35,53% estavam cursando a 1a série, 24 ou
19,83% apresentavam dislalia simples ou complexa e,
19 foram selecionados para serem os sujeitos da pesquisa,
pela incidência de ter mais de um aluno dislálico
em cada sala de aula. Foi observado também que
a maioria desses alunos, 42,10%, possui sete anos de
idade, demostrado na tabela e figura 01.
Tabela 01 - Distribuição
da dislalia por idade, nas 1a séries em 3 escolas
municipais - F.s.a. / BA - 2000
| Idade |
Dislalia Simples |
Dislalia Complexa |
Total |
| 6 |
2 |
1 |
3 |
| 7 |
3 |
5 |
8 |
| 8 |
0 |
4 |
4 |
| 9 |
2 |
0 |
2 |
| 10 |
0 |
1 |
1 |
| 11 |
0 |
0 |
0 |
| 12 |
0 |
1 |
1 |
Fonte: pesquisa realizada nas três escolas investigadas
Figura 01 - Distribuição
da dislalia por idade nas 1a séries nas 3 escolas
municipais - F.Sa / BA - 2000
Foram aplicados, nestas 03 escolas, questionários
para os diretores com o objetivo de caracterizar as
escolas em relação à: número
de alunos matriculados, número de docentes, número
de docentes com nível superior. O resultado desta
pesquisa está expresso nos gráficos e
figuras 02 e 03.
| Escola |
Aluno/Professor |
| Escola
A |
40,73 |
| Escola
B |
35,00 |
| Escola
C |
30,16 |
Fonte: pesquisa realizada nas três escolas
Figura
02. Relação aluno/professor

Tabela 03. Relação Docente X Docente com
nível Superior
| Escola |
Docentes |
Docentes com nível superior |
| Escola A |
45 |
19 |
| Escola B |
29 |
1 |
| Escola C |
24 |
6 |
Fonte: pesquisa realizada nas escolas investigadas
Figura
03. Relação Docente X Docente com nível
Superior

O instrumento usado para a coleta dos dados sobre a
formação do professor foi também
um questionário, através do qual podemos
constatar que a formação desses professores
é bastante deficitária, apenas 14% possuem
nível universitário, não possuem
nenhuma formação para trabalhar com as
necessidades educativas especiais e a escola não
oferece oportunidade de trabalharem com a educação
continuada, apenas participam de algumas Jornadas e
Seminários. Nas reuniões pedagógicas
que oficialmente deveriam acontecer uma vez por semana,
apenas tratam dos problemas de disciplina e às
vezes discutem a questão dos conteúdos;
portanto não é um momento de estudo ou
de reflexão sobre a prática. Nesse questionário
observamos também que a maioria dos professores
57% está com mais de 20 anos de magistério,
e já não está mais estimulada com
o processo ensino aprendizagem (gráficos e tabelas
04 e 05).
Tabela
04. Tempo de serviço dos professores pesquisados
| TEMPO DE SERVIÇO |
Nº DE PROFESSORES |
| MENOS DE 10 ANOS |
1 |
| MAIS DE 10 ANOS |
2 |
| MAIS DE 20 ANOS |
4 |
Fonte: pesquisa realizada nas escolas investigadas
Figura
04. Tempo de serviço dos professores pesquisados
Tabela 05 Formação dos professores pesquisados
| Formação dos professores pesquisados |
| NÍVEL UNIVERSITÁRIO |
1 |
| CURSO DE MAGISTÉRIO |
6 |
Fonte: pesquisa realizada nas escolas investigadas
Figura
05. Formação dos professores pesquisados
Dos sete professores pesquisados apenas 01 possui nível
superior e constatamos através da nossa observação
que apesar desse professor não possuir nenhuma
formação para trabalhar com crianças
com necessidades educativas especiais, ele tem uma postura
em sala de aula diferenciada dos demais colegas que
só possuem o magistério (2ºgrau )
e estão perto de se aposentar.
Para
analisar a formação dos professores frente
às necessidades especiais do aluno com problemas
de fala foi criado um guia de observação
com as seguintes categorias: postura do professor, tipos
de atividades desenvolvidas, metodologia e avaliação.
Os
resultados desse guia estão em fase de análise,
dada a recente finalização da coletas
dos dados. Porém, já é possível
constatar que a formação desses professores
e o tempo de serviço interferem na prática
pedagógica. A única professora com nível
universitário tem uma prática diferenciada,
e consegue ser afetiva sempre, possui domínio
da turma, faz atendimento individualizado, tem sempre
uma postura de mediação, se preocupa em
trabalhar com atividades significativas e diversificadas,
programa atividades orais de modo a contemplar as necessidade
dos alunos dislálicos porém não
possui nenhuma orientação para trabalhar
com essas crianças.
Estes
resultados parciais guiam a segunda fase da pesquisa
na qual faremos um estudo experimental do tipo pedagógico
cujo objetivo é intervir na formação
inicial e permanente dos professores do município.
Esta segunda etapa objetiva (1) propor modificações
no Currículo do Curso de Pedagogia da UEFS e
no programa das Disciplinas Psicolinguística
e Distúrbios da Fala e da Escrita, de modo a
contemplar as necessidades dos futuros professores do
ensino fundamental da rede pública de ensino
em Feira de Santana; e, (2) elaborar e aplicar um projeto
de extensão de caráter permanente que
dê apoio metodológico e lingüístico
aos professores já atuando nas escolas municipais.
Como
a educação especial deve utilizar metodologias
especiais diversificadas e alternativas de atendimento
diferenciado, ela necessita, além de fundamentos
que norteiem suas orientações específicas,
do profissional especializado, com vistas a proporcionar
aos portadores de N.E.E. condições que
favoreçam sua integração na sociedade.
Considerando
que a adequada formação de professores
é condição essencial para o ensino
de qualidade (Nóvoa 1995: 9) e que essa formação
deve ser considerada como um processo que se prolonga
por toda a vida profissional uma vez que aprender a
ensinar envolve fatores sociais, afetivos, cognitivos
e éticos, um tal projeto, marcado pelas discussões
referentes à qualidade da educação
e às condições necessárias
para assegurar o direito dos alunos portadores de N.E.E.
de aceder à aprendizagens imprescindíveis
para o desenvolvimento de suas capacidades, pode ser
considerado relevante e capaz de contribuir para formação
de cidadãos capazes de responder a desafios e
interferir criativamente na realidade.
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