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Atrasos
de linguagem na criança |
Karina
Tamarozzi de Oliveira
Fonoaudióloga, Mestre e Doutoranda em Ciências
Médicas - Faculdade de Ciências Médicas
- UNICAMP.
E-mail:
katamarozzi@hotmail.com
Um
distúrbio de linguagem na criança pequena,
em geral é determinado comparando-se o funcionamento
de linguagem desta com o da mesma idade com desenvolvimento
"normal". Os sinais de um distúrbio de
linguagem mudam ao longo do tempo, uma vez que levamos
em consideração o crescimento e desenvolvimento
das crianças. Quando as habilidades pré-verbais
e verbais iniciais não se desenvolvem, há
motivos justificados para preocupação. O
atraso de linguagem pode muitas vezes ser o primeiro sinal
de uma alteração no neurodesenvolvimento.
Algumas crianças apresentam perturbação
no desenvolvimento da linguagem que não pode ser
explicado por déficits de percepção
sensorial, capacidades intelectuais ou funcionamento motor
ou sócio-econômico. Essas crianças
podem ser diagnosticadas como distúrbio específico
de linguagem ou outros quadros afins. Suas dificuldades
surgem à medida que elas se desenvolvem, e os pais
começam a perceber problemas no desenvolvimento
lingüístico por volta dos dois anos de idade.
Neste momento, a maioria das crianças de desenvolvimento
normal está acrescentando vocabulário novo
ao seu repertório de palavras e é comunicadora
entusiástica. As crianças com distúrbio
de linguagem utilizam vocabulário mais restrito
e apresentam problemas em comunicar desejos e necessidades.
(Boone, 1994)
Essas crianças devem ser encaminhadas à
avaliação fonoaudiológica, para definição
das categorias lingüísticas em déficit,
orientação familiar e possíveis encaminhamentos
para otorrinolaringologista, neurologista, psicólogo
ou outros profissionais que se façam necessários.
Segundo Capovilla (1997), atraso de linguagem é
o problema de desenvolvimento mais comum em pré-escolares
e pode se correlacionar com distúrbios posteriores
de aprendizagem. Entre outras provas, é identificada
via avaliação do número de palavras
faladas e compreendidas, já que aos 2 anos o vocabulário
expressivo mínimo é de 50 palavras com combinações
de 2-3 palavras. Metade das crianças com atraso
de fala aos 24-30 meses podem apresentar atraso severo
entre 3-4 anos.
Os atrasos de linguagem podem acarretar dificuldades em
toda a vida do sujeito, pois a aquisição
de linguagem acontece como uma continuidade durante todo
o desenvolvimento.
O amplo quadro que envolve a esfera da linguagem pode
ser sucintamente discutido da seguinte forma:
- Desenvolvimento lexical é um contínuo
na vida do sujeito, Adquirimos o vocabulário durante
toda a nossa vida, pelo menos enquanto estivermos ativos;
ouvindo, falando e interagindo com o meio.
- Desenvolvimento fonológico adquirido na infância
acontece por etapas; os primeiros sons são guturais,
depois os bilabiais, velares etc. Podemos dizer que a
aquisição completa da fonologia se dá
na maioria das crianças por volta de 5 a 6 anos,
no mais tardar.
- A morfossintaxe, que começa por volta dos 18
meses com uma gramática rudimentar e vai aprimorando
ao longo dos anos, até que seu uso se torna automático,
isso por volta dos 5 anos de idade. A partir daí
o indivíduo usa as regras da sintaxe e da morfologia,
sem necessidade de recursos de memória e, dependendo
do nível cultural de aprendizagem, sem grandes
erros na construção gramatical. (Jakubovicz,
1997)
O desempenho comunicativo ocorre com a integração
de todas essas áreas e variações
da normalidade são esperadas, uma vez que os aspectos
individuais e do ambiente lingüístico são
considerados na análise dos dados da avaliação.
É importante não deixar de considerar o
fato de uma considerável variação
individual nos padrões do crescimento do vocabulário
inicial, nem todas as crianças apresentam uma explosão
de vocabulário.
As crianças continuam a aprender uma quantidade
enorme de novas palavras durante muitos anos, ao passo
que aprender que opções encontram-se disponíveis
em uma língua também leva bastante tempo.
O léxico não é simplesmente uma lista
de palavras, engloba um vasto número de expressões
idiomáticas - sintagmas e construções
cujos significados não são necessariamente
depreendidos a partir de suas partes, e inclui uma grande
quantidade de usos figurados. Assim, constituem um componente
importante da aquisição lexical. Estudos
da aquisição lexical inicial revelaram bastante
sobre como as crianças começam a adquirir
um léxico. Mas, até agora, sabemos relativamente
pouco sobre como as crianças constroem seus primeiros
insights à medida que vão acrescentando
milhares de novas palavras e expressões idiomáticas
com o passar dos anos.(Fletcher e MacWhinney, 1997)
Referências Bibliográficas
BOONE,
D. R. e PLANTE, E. Comunicação Humana
e seus distúrbios. Porto Alegre, Artes Médica,
1994.
CAPOVILLA, F. C. e colaboradores. Desenvolvimento lingüístico
na criança dos dois anos aos seis anos: Tradução
e estandardização do Peabody Picture Vocabulary
Test de Dunn & Dunn, e da Language Development Survey
de Rescorla. Ciência Cognitiva: Teoria, Pesquisa
e Aplicação, v. 1, n.1, p. 353-80, 1997.
DUNN,
L. M. e colaboradores. Test de Vocabulário en
Imágenes Peabody: adaptación hispanoamericana.
Circle Pines, MN, American Guindance Service, 1986b.
FLETCHER,
P. e MACWHINNEY, B. Compêndio da Linguagem da
Criança. Porto Alegre. Artes Médicas,
1997.
JAKUBOVICZ,
R. Afasia Infantil. Rio de Janeiro, Revinter, 1997
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