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::. Brincar não dói
Danuza Prates Veloso Souto
Fonoaudióloga
CRF 4765 RJ/T/MG

Email: danuzaps@hotmail.com
 

Introdução:
Demonstraremos aqui como a utilização do brinquedo pelas crianças no ambiente hospitalar,auxilia na sua recuperação, mais rápida e proporciona o desenvolvimento das habilidades nas áreas neuro-psico-motoras,afetiva, de linguagem e aprendizagem.

A criança será atendida por uma equipe multidisciplinar:
Médicos
- Professores
- Enfermeiros
- Nutricionistas
- Fonoaudiólogos
- Assistentes Sociais
- Psicólogos
- Atendentes de Enfermagem
- Estagiários (supervisionados) dos cursos na área da saúde e educação da Unimontes.

Objetivos:

O objetivo do trabalho é prestar atendimento 'a criança e 'a família, no tempo que permaneça internada na unidade pediátrica.

Desenvolvimento:

Aos pacientes internados serão prestados atendimentos diante da situação de internação, doença, tratamento e prognóstico, através de estabelecimento de vínculo, entrevistas de esclarecimentos, apoio terapêutico, grupo terapêutico e assistência pedagógica para acompanhar seu desenvolvimento de aprendizagem e conteúdos adequados.
Trocas constantes de informações com toda a equipe, promover atividades de pesquisa, trabalho de orientação junto aos pais e crianças, na sala de recreação, desenvolvendo brincadeiras e construção de brinquedos.
Avaliação e estimulação do desenvolvimento neuro-psico-motor de todos os lactentes de zero 'a dois anos,através de atividades desenvolvidas por profissionais e estudantes estagiários,assim como, crianças nas faixas etárias subsequentes. Haverá supervisão individual e em grupo,objetivando a troca de experiências e receberão orientação técnica e teórica dos profissionais escalados para a assistência, em todas as áreas de atuação.

Umas das maneiras pelas quais a criança se beneficia no hospital é brincando.O brinquedo pode ajudar a fazer o hospital parecer menos hostil e proporcionar 'a criança um recurso para fugir a ansiedade causada pela doença e pelas visões estranhas 'a sua volta.
O brinquedo é o trabalho da criança;com ele ela aprende como ocupar a maior parte do seu tempo, o brinquedo lhe proporciona atividade física,estímulo intelectual,socialização,além de servir como vazão para suas emoções.
O brinquedo no hospital devolve,em parte,aspectos normais da vida diária e previne maiores perturbações.Além disso,proporciona 'a criança a oportunidade de reorganizar sua vida, diminuindo assim sua ansiedade e dando-lhe um sentido de perspectiva;além da função recreativa e educacional,tem também valor terapêutico.Através dele a criança liberta-se de seus problemas e sentimentos.

Clientela Usuária/Público Alvo:

Pacientes na faixa etária de zero 'a 13 anos, com nível sócio econômico baixo,da zona urbana e rural,vindos de ambientes pouco estimuladores .Some-se a isso a condição de saúde da criança, que por si só debilita e altera a sua capacidade e disponibilidade para expressar seu mundo interno e interagir com o meio.
Umas das principais causas da ocupação dos nossos leitos é a desnutrição protéico-calórica e suas conseqüências.Assim a criança chega para ser internada passando por um processo de adaptação a um ambiente novo e hostil, com afastamento da família e quebra de sua rotina diária.Vivências ameaçadoras,geradoras de angústias que a incapacitam a responder adequadamente 'as solicitações próprias de sua idade.

Ação Estimuladora por Faixa Etária

Lactente: zero 'a dois anos
Necessidades: afetividade-alimentação-asseio-ambiente estimulatório.
Proposta: familiar acompanhante, ou na sua ausência, mãe substituta.
1. Alimentação e asseio.
2. Objetos estimulativos em termos de som,cores,formas,movimento e tato,feito de material esterilizável,para serem fixados no teto e/ou berço.
3. Berço com grades coloridas.
4. Bebê conforto, para possibilitar mudança de ambiente.
5. Objetos de manipulação com movimento (em madeira, plástico ou sucata de enfermaria-esterilizáveis).
6. Projeto de utilização do espaço ao ar livre para estimulação da marcha (barras ao longo da parede).
7. Utilização da sucata para confecção de diversos brinquedos em conjunto com os pais.
Pré-escolar: dois a sete anos
Necessidades: trabalhar esquema corporal- auto-estima - organização espacial - organização temporal - estímulo ' a verbalização - motricidade ampla e fina - treino AVD (atividade vida diária): asseio, independência.
Proposta
1. Reconhecimento do corpo - parte sã e parte doente (utilizar espelhos e desenhos)
2. Reconhecimento do espaço físico (hospital)
3. Trabalhar noções de tempo (internações longas podem afeta-las).
4. Conversar, contar estórias, ouvir discos infantis.
5. Estimular a fala sobre sentimentos e conscientização da doença
6. Participar no Grupo de Internação Lúdica (encontros).
7. Confecção de brinquedos de sucata por pais e crianças.
8. Treino de independência nos próprios cuidados, melhorando confiança e auto-estima.

Escolares: sete 'a treze anos
Necessidades: Trabalhar conceitos e aprendizagem da vida escolar - trabalhar as necessidades e propostas de ação aos pré-escolares
Prioridades: Além das ações levantadas aos pré-escolares, trabalhar com duplas ou grupos - jogos com letras e números, quebra-cabeças, jogos de memória, destreza, etc...Jogos de papéis (social e de identidade) - dramatizações.


As propostas, em todas as faixas etárias visam trabalhar a interação da criança com o meio, utilizando a sua principal forma de expressão: o brincar

Atividades:

O espaço adequado foi construído para que as atividades lúdicas possam ser desenvolvidas com as crianças, seja o brincar, ler, estudar e o acompanhamento do seu conteúdo escolar, respeitando suas possibilidades e limitações.


As rotinas de enfermagem serão adaptadas sem interrupções, utilizando o ambiente, que gera menos ansiedade para as crianças, para a realização de medicamentos e exames, quando necessário.


As festas do ano serão comemoradas: Páscoa, São João, Dia das Crianças (data prevista da abertura do nosso espaço pedagógico - 12 de outubro de 2004), e Natal.


A utilização do brinquedo feito de sucata objetiva não só o brincar de construir brinquedos mas trabalhar a origem dos pacientes,evitando que os brinquedos industrializados sejam levados para casa e também que a resistência a voltar para casa,querendo ficar num lugar " ideal" ,cheio de brinquedos sofisticados,negando sue meio de origem, invertendo os valores.


Cada criança terá uma sacola plástica com seu nome,onde colocará seus brinquedos, que serão levados para casa quando da sua alta hospitalar.

. Confecção de Brinquedos

Material:
Figuras representativas da família:mãe,pai,menino,menina,bebê
Figuras representativas da equipe hospitalar:médico,enfermeira
Objetos de uso hospitalar:
1. Tubos de Soro
2. Embalagens de remédio
3. Rolos de esparadrapo
4. Seringas
5. Canos plásticos.
6. Cateter
7. Bonecos
8. Equipo
9. Esparadrapo
10. Aparelho de pressão
11. Estetoscópio
12. Algodão
13. Frasco de Soro
14. Gaze

Objetos de uso doméstico
1. Telefone
2. Prato
3. Colher
4. Copo
5. Mamadeira
A sucata domiciliar também será utilizada.

Brinquedos:
1. Brinquedos de simples elaboração para crianças e pais (jogos, carrinhos, móbiles, bonecos, barcos, etc.)
2. Brinquedos para fins específicos, para serem fixados no teto e berços (com forma e movimento).
3. Brinquedos para serem manuseados por crianças que estão em repouso ou com parte do corpo imobilizado.
4. Utilização da tenda para atividades físicas.
5. Utilização do parquinho, áreas com mais sombra, aparelhos para facilitar caminhada e que estimulem ação e criatividade.

Conclusão

A utilização das salas atinge seus objetivos adequadamente, em três atividades distintas:

1. Estimulação de crianças de zero 'a dois anos,utilizando brinquedos confeccionados pelos maiores:
- móbiles de tecido, papel e madeira;
- chocalhos barulhentos feitos de tubo de soro;
- peças de madeira pintadas com cores fortes feitas com a ajuda dos pais;
- almofadas, bichos de pano feitos pelas mães.
2. Produção de brinquedos a partir da sucata hospitalar e domiciliar, realizada pelas crianças e pais, que servirão de modelo quando levados para casa.Servem para equipar os quartos da enfermaria e na estimulação de bebes.
3. Recreação com pacientes em isolamento ou repouso.Utilizamos livros de estórias, jogos de duplas, sendo alguns deles de confecção própria.
Materiais que não são sucata são obtidos através de doações.

Além deste trabalho de confecção de brinquedos com sucata,outras atividades são realizadas visando a expressão de vivencias e sentimentos em relação 'a doença e internação:atividades gráficas de pintura e desenho e modelagem em argila.
Existe uma ação psicoterapeutica no lidar com esses sentimentos.A importância de coordenar e manter espaço onde todos os pacientes internados possam interagir como grupo, criando laços de solidariedade, aprendendo a desenvolver tarefas importantes que impliquem noções de limites, disputa, poder, etc.
O brincar e construir brinquedo são, por si só, vivências reestruturantes que superam os sofrimentos de uma internação. Na medida em que a criança tem em seu poder o objeto agressor (tubos de soro, seringas, etc.) e consegue transformá-lo em objeto lúdico, está lidando com as dualidades da situação (agressão/cura) tendo boas chances de elaborar o trauma da internação.
Para os pais, construir brinquedos para seus filhos proporciona-lhes um alívio do sentimento de culpa inerente 'a situação de internação do seu filho. São capazes novamente de dar algo para as crianças, aliviam a angústia, ocupam o tempo no hospital e saem com a auto-estima mais elevada, podendo repassar a comunidade sua aprendizagem e experiência.

Estimule a criança através de estórias e músicas.
Professores, Psicopedagogos, Pedagogos, Fonoaudiólogos
Profissionais da Educação,
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