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::. Linguagem e sinais indicativos de dificuldades na aprendizagem escolar
Karina Tamarozzi de Oliveira
Fonoaudióloga, Doutora em Ciências Médicas - FCM UNICAMP
Fone: (14) 8142-3135

E-mail: katamarozzi@hotmail.com
 

Ao analisarmos o desenvolvimento lingüísticos em diferentes aspectos e situações, torna-se claro que a linguagem não é uma habilidade única e sim uma coleção de habilidades que podem estar desordenadas de diversas formas. O ponto fundamental é investigar em que estágio do desenvolvimento a linguagem se interrompeu e quais os aspectos afetados.
Sabe-se que as estimulações precoces da linguagem podem prevenir distúrbios de aprendizagem, diversas pesquisas salientam a importância do período pré-escolar no desenvolvimento do cérebro humano (Tedesco, 1997; Oliveira e Capellini, 2003).
O período pré-escolar é uma fase rica em descobertas para a criança e ansiedades para os pais, o desenvolvimento idealizado da linguagem, a adaptação escolar e, sobretudo social é priorizada em detrimento a outras habilidades. Nesse momento, um problema no desenvolvimento lingüístico dificulta outras tantas aquisições. Dessa forma, a avaliação da linguagem com a subseqüente indicação terapêutica ou de orientação familiar é primordial, e quando realizada com sucesso pode levar a criança à vida familiar, social e escolar vitoriosas, o que não ocorre se não for dado o devido valor preventivo.
Quando falamos de avaliação da linguagem imediatamente pensamos em verificar como a criança está falando. Mas é importante afirmar que, através da avaliação, é possível verificar como a linguagem foi construída internamente, sua evolução em relação à expressão oral passando pela expressão motora e gestual, sem nos esquecermos do dinamismo e mútua influência entre essas fases (Limongi, 2005).
O ingresso na vida escolar deve ser uma extensão do desempenho e desenvolvimento de zero aos seis anos, período em que desenvolveu suas habilidades básicas para a alfabetização, tornando-se uma fase prazerosa para a aquisição da leitura e escrita.
Em pré-escolares, as primeiras evidências de alterações lingüísticas podem se manifestar com dificuldades nos conteúdos pedagógicos e na compreensão da linguagem do professor e/ou colegas da mesma faixa etária. Conseqüentemente, há menor participação em atividades acadêmicas como contar histórias, teatros e músicas, revelando até mesmo queixas na aprendizagem da relação de fonemas com as letras do alfabeto. Estes tipos de problemas colocam as crianças em risco para o fracasso acadêmico e social posterior.
Sendo crescente o número de crianças com fracasso escolar que apresentam dificuldades no aprendizado da leitura e escrita em decorrência de alterações anteriores no processo de aquisição e desenvolvimento da linguagem, é necessário entender que os prejuízos ou atrasos neste processo por disfunção neuropsicológica, fator genético ou neurológico podem acarretar dificuldades lingüístico-cognitivas que refletem na aprendizagem da leitura e escrita.
Nos últimos 20 anos, os autores parecem concordar que a aprendizagem da leitura e escrita em sistemas alfabéticos pressupõe uma reflexão deliberada da fala que utilizada de forma natural e eficiente pela criança nas situações comunicativas do dia a dia, deve tornar-se objeto de sua atenção consciente, a fim de permitir o desenvolvimento do que se costuma designar como conhecimento ou consciência metalingüística (Barrera e Maluf, 2003; Ygual-Fernandez, Cervera-Mérida, 2001; Cervera-Mérida, Ygual-Fernandez, 2006).
Assim, parece que são vários os sinais preditivos que cursam paralelamente aos transtornos de fala e linguagem no pré-escolar que serão indícios de dificuldades na lectoescrita. Dessa forma, as orientações gerais para esse grupo de crianças devem priorizar:

- As dificuldades de linguagem devem ser indícios de dificuldades para a aprendizagem escolar;
- O diagnóstico e a intervenção nessas crianças deve ocorrer em fase pré-escolar e abordar as características lingüísticas e metalingüísticas;
- O acompanhamento deve prosseguir periodicamente mesmo após superadas as dificuldades lingüísticas, uma vez que as interconexões entre linguagem oral e escrita ainda podem influenciar negativamente a aquisição da leitura e escrita.

Publicado em 20/02/2007


 
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