| ::.
Métodos
de alfabetização e a dislexia |
Maria Angela Nogueira Nico
Fonoaudióloga
e Psicopedagoga Clínica
Diretora e Coordenadora Técnica e Científica
da ABD
Site:www.dislexia.org.br
FALAR-OUVIR-LER-ESCREVER, são atividades da linguagem.
FALAR E OUVIR, são atividades com fundamentos biológicos.
A criança aprende a usar a linguagem falada com
velocidade incrível e isto depende de:
meio ambiente
trato vocal
organização do cérebro
sensibilidade perceptual para falar os sons
Ela adquire a linguagem escrita em parte INVENTADA e
em parte DESCOBERTA. INVENTADA porque criou-se símbolos
visuais (grafemas = letras) para representar elementos
da linguagem. DESCOBERTA, porque esses elementos serão
reconhecidos na linguagem falada (relação
grafema / fonemas = sons das letras).
LER
não depende somente da capacidade de segmentação
fonêmica (reconhecer sons e símbolos).
Ela é necessária, mas não é
sufuciente para formar um bom leitor. A criança
precisa descobrir que uma palavra é composta
por sons significantes e aprender também a identificá-los.
Mas principalmente, para se adquirir a habilidade da
leitura e escrita, é necessário que haja
a automatização desta função,
além da capacidade de síntese (interpretação).
Esta
habilidade não se desenvolve naturalmente nem
maturacionalmente, o aprendizado se incumbirá
desta tarefa.
No
entanto, há um número de crianças,
bastante representativo, com dificuldade para aquisição
e/ou automação do aprendizado da leitura
e escrita. Entre as diversas causas possíveis
dessa dificuldade está a dislexia. A dislexia,
uma dificuldade acentuada na leitura e na escrita, atinge
de 10 % a 15% da população mundial. Ainda
não é reconhecida e muitas vezes não
é aceita por professores. Crianças com
6 ou 7 anos de idade que apresentam inteligência
normal (geralmente acima da média ), mas tem
uma dificuldade atípica de aprender a ler, escrever
e soletrar podem ser disléxicas. A leitura lenta,
trabalhosa e individual de palavras impede a habilidade
da criança, adolescente ou adulto de compreender
o que leu ou escreveu, mesmo que sua capacidade de compreensão
da língua falada seja adequada. Há muita
dificuldade também em transformar a soletração
em som. Deficiências no processo fonológico,
que são fortes indicadores de que haverá
dificuldade na leitura e escrita, podem ser identificados
no jardim da infância ou na 1a série.
A
alfabetização precoce não produz
a dislexia, mas facilita o seu diagnóstico. Os
métodos da alfabetização mais modernos,
como na alfabetização GLOBAL, onde a criança
aprende a identificar as palavras como um todo tem conduzido
a uma identificação mais rápida
de disléxicos. O método SINTÉTICO
ou FÔNICO, que não impõe tanta carga
ao disléxico, permite que alguns casos passem
mais tempo desapercebidos.
O
sucesso na reeducação de um disléxico
está baseado numa terapia multisensorial (aprender
pelo uso de todos os sentidos ), combinando sempre a
visão, a audição e o tato para
ajudá-lo a ler e soletrar corretamente as palavras.
O disléxico precisa olhar atentamente, ouvir
atentamente, atentar aos movimentos da mão quando
escreve e prestar atenção aos movimentos
da boca quando fala. Assim sendo, a criança disléxica
associará a forma escrita de uma letra tanto
com seu som como com os movimentos da mão para
escrevê-la. O aprendizado deve ser feito de forma
sistemática e cumulativa. Sendo ainda cada caso
um caso específico, devem ser levadas em consideração
as particularidades de cada um.
|