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::. Os professores e suas vozes
Solange Dorfman Knijnik
Formada em fonoaudiologia pela PUC/SP há 16 anos, palestrante em escolas (Mackenzie, Biosfera) e sindicatos (SIEEESP, Sinprosasco), especialista em Telemarketing, autora do curso "Operador de telemarketing e Atendimento ao Cliente" da rede de ensino Easycomp.
Telefone consultório: (011) 3661-8445/ 9337-4547
E-mail: solange_fono@bol.com.br
Site www.solangefono.hpg.com.br



Minhas filhas, assim como milhões de crianças, ao longo de sua vida escolar, convivem com os mais diversos tipos de professores.
A cada novo ano letivo, novos professores, novas caras e novas vozes.
Interessante que, talvez por serem filhas de fonoaudióloga, a "leitura", ou seja, a "percepção" do talento dos professores, está intimamente relacionada às vozes dos mesmos.
Minha caçula, com apenas sete anos, imita a voz de sua professora com perfeição e a relaciona com sua personalidade, dando prontamente a mais sincera definição:
"É bem assim, mamãe - e faz uma curva entoacional desafinada e para baixo - ela é meio desanimada, sabe? Mas ATÉ que é legal, tirando aquela voz irritante..."
Já a mais velha, que tem dez anos, passou para o ginásio e tem várias vozes e personalidades para descrever.
"A professora tal é insuportável, mamãe, não explica nada, manda a gente ficar lendo sozinha, além de falar tudo errado, tropeçar nas palavras, a língua projetar entre os dentes, um horror."
"A outra é esforçada, tadinha, pena que seus dentes sejam tão tortos que ela fale chiando, além de estar velhinha e sua voz sair tremendo..."
"Já uma outra é toda atrapalhadinha, tem que ver que voz estranha, fala sussurrando, parece que não tem fôlego"
"Mas a de matemática, que legal que ela é! Explica tudo claramente, mesmo o exercício mais difícil faz parecer fácil e, adivinha! Sabe aqueles fones de ouvido que usam os operadores de telemarketing que você dá treinamento? Ela dá a aula com um ligado a um gravador com alto-falante que ela leva, disse que já teve problema de voz e a fonoaudióloga indicou, é tão legal! Parece que estou assistindo a um show e ela não faz esforço algum, quando tira o microfone dá para ver que ela está falando baixinho!"
Encanto-me com minhas pequenas "especialistas em voz" e penso o quanto essas experiências auditivas são marcantes e fazem parte do processo de aprendizagem delas.
Poder perceber o lado das crianças, de seu aprendizado e bem-estar é muito enriquecedor, pois confirma que estamos no caminho certo ao buscarmos as nossas verdadeiras vozes, aprendendo a ouvir os seus "apelos" por cuidados, atenção, "apelos" estes em forma de cansaço, soprosidade, rouquidão, desafinação, entre outros.
Ouvir a escuta das crianças é ouvir a voz do coração.
Espero que, neste ano letivo, possamos intensificar os cuidados individuais e a luta coletiva por melhores condições de saúde vocal para o exercício da imprescindível profissão de professor.
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