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::. Repensando a Fonoaudiologia Escolar
Adriana Vanisia - email: adrianavanisia@hotmail.com

Porque o mundo que nos cerca é sempre mais complexo do que imaginamos, a atuação profissional será eficiente quanto mais privilegiar uma visão abrangente do assunto ou sistema sobre o qual se está atuando.

É esta a percepção a que se chega, após uma entrevista com a Fga. Adriana Vanísia Mendlovitz Albino, formada pelas Faculdades Metodistas Integradas Izabela Hendrix, em Belo Horizonte, que está desenvolvendo importante trabalho em Fonoaudiologia Escolar.

A partir dos posicionamentos da profissional sobre esse tipo de atividade, o leitor poderá alcançar uma concepção diferente do que pode ser o exercício da profissão de fonoaudiólogo.

Jornal - Como você percebe sua atuação na escola?

Adriana - O que considero mais importante destacar nesse trabalho é o caráter preventivo que ele envolve. Temos observado uma queda na necessidade de encaminhamento de alunos. Os dados indicam que uma orientação adequada aos pais e professores, desde 1999, quando teve início o programa, garantiu uma evolução positiva no acompanhamento das crianças. Em média, apenas 15% das que apresentam alguma dificuldade no processo de educação infantil são encaminhadas.

Jornal - Qual a receptividade dos pais e professores em relação ao seu trabalho?

Adriana - A relação é sempre positiva. Os pais tomam iniciativa de conversar com o fonoaudiólogo na busca de auxílio para a condução dos problemas, numa demonstração de interesse pela atuação do profissional. Isto representa oportunidade de divulgação de elementos importantes, não só do ponto de vista da orientação em si, como também, da valorização da profissão. Com relação aos professores, é importante um trabalho inicial de esclarecimento, apresentando objetivos, clareando os espaços de atuação e valorizando a parceria. Posteriormente, a interação é vantajosa, com troca de informações sobre os alunos e abrindo também espço para discussão quanto ao uso profissional da voz.

Jornal - Como o fonoaudiólogo pode auxiliar no aprendizado da criança?

Adriana - Através da associação de esforços com o corpo docente. Quando o professor tem melhores informações sobre o desenvolvimento normal de linguagem, fala e habilidades auditivas, por exemplo, consegue propor estratégias que auxiliam a aprendizagem, além de identificar distúrbios reais e ajudar na orientação para o encaminhamento, quando necessário.

Jornal - Que importância tem esse trabalho para um fonoaudiólogo?

Adriana - Esse trabalho permite que se tenha uma grande compreensão do que é a profissão de fonoaudiólogo. Trabalha-se com a maioria das dimensões envolvidas: motricidade, linguagem, desenvolvimento intelectual, enfim, tudo. Exercita-se a capacidade de relacionamento, além de um envolvimento com todas as áreas e análises da interação da criança com todas as disciplinas. Pode-se dizer, assim, que um trabalho desse tipo, induz à uma atuação mais holística. Mas, talvez o principal é que a ação não está focada na patologia, mas com ênfase na orientação, atuando preventivamente.

Jornal - Qual a sua opinião sobre o profissional que vê na triagem apenas a oportunidade de captar paciente?

Adriana - A triagem como forma de captação é uma barreira aos programas de fonoaudiologia escolar, na idéia do caráter preventivo da ação. Talvez até exista uma certa resistência quanto ao trabalho na escola devido a esse passado que registra uma triagem orientada para a captação. A triagem, como forma de avaliação pura, não leva a resultados satisfatórios. As observações mais informais, no dia-a-dia, no acompanhamento da criança em outras situações, na aula, no recreio, permitem o contato com uma comunicação mais efetiva, trazendo mais dados. A triagem deve ser vista como uma forma de complementar à avaliação.

Nota da Redação: Sobre esse assunto, é importante citar a Resolução nº 232/99 do CFFa., que veda a realização de atendimento clínico/terapêutico dentro das escolas de ensino regular.

Sugestão de Leitura: Fonoaudiologia na Escola. Maria Sacaloski, Edna Alavarsi Gleidis R. Guerra. Editora Lovise 2000.

Troca de informações e experiências sobre o assunto podem ser feitas através do email: adrianavanisia@hotmail.com

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