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::. Som, audição e fala
Néstor Antonio Pardo Rodríguez - Email: nestorpr@007mundo.com
Terapeuta da Linguagem / Fonoaudiólogo - Universidade Nacional da Colômbia


Um dos elementos indispensáveis para os processos normais da audição e a fala é o som. Este, em si, é uma onda mecânica longitudinal que se propaga a través do ar. Entre as suas características específicas se encontram a freqüência e a intensidade, que são objeto de estudo da acústica, uma rama da física (Cromer, 1978; Miller, 1979).

O ouvido humano em situações normais pode captar sons de uma frequência entre 16 e 20.000 ciclos por segundo (vibrações dobles por segundo ou hertz), ainda que pelo geral é mais sensível às diferencias entre um tono e outro quando se acham 50 dB (decibeis) por acima do umbral de audição e na gama dos 500 a os 4.000 ciclos por segundo (zona da discriminação auditiva da fala).

Entre maior seja o número de hertz (Hz) da onda sonora, mais agudo será o som segundo a sensação subjetiva do individuo, e maior será a frequência.

Por outra parte, uma pessoa pode perceber sons entre 0 e 120 decibeis (dB); isto é , entre o mínimo nível possível de detectar-lhes e o umbral de moléstia. A relação entre o nível subjetivo de sonoridade (volume) e a intensidade física do som não é lineal.

Cromer (1978) indica que numa sala de conferências, por exemplo, a intensidade da voz de um conferencista pode ser 100 vezes maior na parte dianteira que na traseira, No entanto, um ouvinte que se desloque de uma à outra somente experimenta uma ligeira diminuição na sonoridade.

DeConde (1984) expõe que a capacidade para atender ao discurso falado, compreender, lembrar e relacionar o que se escuta, de tal maneira que se dêm as respostas apropriadas, invólucra uma serie de processos intrincados que ocorrem automaticamente na maioria dos indivíduos.

Para que suceda uma efetiva comunicação, o cérebro, através da rede do sistema nervoso central, deve receber, transmitir, decodificar, classificar e organizar toda a informação auditiva antes de chegar à compreensão.

A integração funcional para essa tarefa tem lugar de uma maneira rápida e precisa ainda quando o ruído de fundo e outras alterações do sinal (forma de falar e ambiente) crêem interferências. Este fenômeno neurológico se costuma chamar processamento central auditivo.

No homem atual é evidente a dissociação dos lados esquerdo e direito do cérebro desde os primeiros dias de vida, a qual tem sido comprovada por Molfese (1977), entre outros, mediante estudos sobre a amplitude relativa das respostas auditivas evocadas sobre os lóbulos temporais.

Studdert-Kennedy (1987) reporta que muitas investigações descritivas e experimentais têm estabelecido que a capacidade perceptivomotora da fala se atribui ao hemisfério cerebral esquerdo em mais do 90 % dos adultos normais.

Em outras palavras, este tem maior capacidade de resolução para discriminar a informação situada na zona baixa do espectro sonoro (Ardila, 1984) como é o sistema fonético de códigos (Luria, 1981); isto é , para o manejo dos sons da fala. O direito, por sua vez, decodifica as sinais correspondentes a os ruídos do ambiente, o timbre e o sistema rítmico - musical.

No entanto, os dois devem atuar em perfeita harmonia, já que, por exemplo, o discurso falado é constituído tanto por uma serie de formantes sonoros muito específicos, como por um ritmo dado que em conjunto permitem a compreensão da mensagem que carregam em seu interior.

As habilidades para o eficiente e preciso processamento auditivo são particularmente cruciais para as crianças, uma vez que as deficiências que podem ocorrer no desenvolvimento do processamento freqüentemente levam a problemas para a aprendizagem da leitura (Vakker & deWitt, 1977; Kaluger & Kolson, 1969; Knox & Roesser, 1980; Rampp, 1980; Tarnopol & Tarnopol, 1977).

Por outro lado, a seqüência de eventos que conduzem à aquisição normal das habilidades necessárias para tal área escolar depende em gran grau sumo do coreto processamento da informação auditiva e é provavelmente o fator que melhor prediz o futuro êxito na escola (Kurland & Colodny, 1969; Rampp, 1980; Jule & Rutter, 1976). E finalmente, as alterações significativas neste processamento podem também causar atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem (Butler, 1981; Protti, Young & Byrne, 1980).

Faz-se imperativo distinguir entre os parâmetros periféricos (agudeza) e centrais (percepção) no diagnóstico dos desordens auditivos. Como se planejava acima, a agudeza auditiva descreve a sensibilidade da pessoa ao sonido; é dizer, a capacidade para receber e detectar a presencia de tênues tonos a diferentes intensidades.

A integração da informação que se ouve é o segundo e igualmente importante passo no processo total da audição. Ambos aspectos devem ser considerados quando se realize a evacuação da capacidade auditiva, já que uma criança pode apresentar deficiências nas dois áreas. Não obstante, é difícil separar diagnosticamente as deficiências no processamento auditivo das alterações na agudeza auditiva quando ocorram simultaneamente.

As crianças com desordens no processamento auditivo central freqüentemente apresentam em sala de aula sintomas semelhantes a outros estudantes com perdas auditivas periféricas leves a moderadas ou flutuantes. O seu comportamento é muito inconsistente, porque gira ao redor de habilidades auditivas tais como a discriminação, memória e compreensão da informação.

Para um professor esta conduta pode gerar um certo grau de preocupação, especialmente quando não está claro se o estudante apresenta uma falta de atenção premeditada, ou possui uma base fisiológica que a provoque.

Academicamente tais alunos apresentam muitas dificuldades em leitura, matemática ou em ambas; e socialmente podem apresentar comportamentos inadequados como resultado da confusão mental criada por este problema no processamento auditivo central. Estas crianças chegam a sentir-se bastante frustradas ou ansiosas e, portanto, podem ser agressivas com os seus companheiros ou isolar-se.

O diagnóstico antecipado é crucial, já que as pessoas do ambiente no qual interactúa a criança devem estar conscientes das suas necessidades e fazer adaptações necessárias para que seja mais confortável e implementar programas apropriados de intervenção.

Não é comum ver o processamento auditivo separado em componentes individuais. No entanto, tem de ter-se em conta que uma criança está em disposição de iniciar a aprendizagem da leitura - escrita sim e só sim evidencia um manejo exitoso de todas e cada uma destas capacidades compiladas por Keith (1981):

DISCRIMINAÇÃO SONORA. Diferenciar entre sonidos de diferente frequência, duração ou intensidade.

LOCALIZAÇÃO. Orientar a fonte sonora.

ATENÇÃO AUDITIVA. Por atenção às sinais auditivas, especialmente ao fala, durante um tempo extenso.

FIGURA - FUNDO AUDITIVO. Identificar a um falante primário dum ruído de fundo.

DISCRIMINAÇÃO AUDITIVA. Discriminar entre palavras e sonidos que são acusticamente similares.

FECHAMENTO AUDITIVO. Compreender a mensagem completa quando se perde uma parte.

HARMONIZAÇÃO AUDITIVA. Sintetizar fonemas isolados que se encontram "encapsulados" dentro das palavras.

ANÁLISE AUDITIVO. Identificar fonemas o morfemas que se encontram "encapsulados" dentro das palavras.

ASOCIAÇÃO AUDITIVA. Identificar um som com a sua fonte.

MEMORIA AUDITIVA, MEMORIA SEQUENCIAL. Azmazenar e evocar estímulos auditivos de diferente longitude o número no ordem exato.

Ainda que estas capacidades representam diferentes aspectos do processamento e podem ser identificadas pontualmente, se deve ter cuidado ao plantar tarefas de diagnóstico ou remediarão, em vista que o processamento da informação auditiva invólucra todas estas habilidades simultaneamente.

Os sons da fala, ao igual que todos os que se produzem na natureza não são tonos puros, mas complexas misturas que se congregam num espectro, pelo qual o ouvido deve ser capaz no só de captar-los, mas de analisar-lhes e enviar-lhes ao cérebro para que este identifique as mensagens que portam.

Pelo tanto, qualquer programa para a aprendizagem da leitura-escrita que se adapte ao processo normal de desenvolvimento do linguagem na criança têm de partir do fonema, no seu aspecto físico e cognoscitivo; isto é, como som em si e como conceito no cérebro do falante.

Segundo a concepção de Bloomfield (1933), os fonemas de uma língua não são sons, mas conjuntos de traços distintivos que os interlocutores se acham adestrados em produzir e reconhecer dentro da corrente sonora da fala.

Isto tem sido comprovado por diferentes autores, entre eles Bailey (1983), para quem os diferentes fonemas se distinguem acusticamente pela envoltura do espectro, e particularmente pela frequência dos picos espectrais. Estes surgem das ressonâncias do trato vocal e se denominam formantes, identificados por meio dum número (f1, f2, f3, f4, etc.), sendo o primeiro formante o de mais baixa frequência.

Isto é , que o conjunto de formantes (rasgos sonoros) conforma um espectro cujo corpus ou envoltura é em si o que constitui o fonema. O ser humano deve desenvolver o conceito de fonema como unidade do som oral e o ouvido é capaz, então, de captar-lhe e discriminar-lhe segundo este aspecto, a sua duração e o intervalo temporal entre a aparição deste e outro fonema contrastante.

Nas línguas alfabéticas, as unidades da fala são codificadas por meio de letras. Boa parte do problema do uso da discriminação auditiva para adquirir a leitura é questão de desenvolvimento cognoscitivo. Invólucra, em parte, aprender a estabelecer as correspondências sonido / símbolo entre unidades da fala e grafemas e, de outro lado, a segmentação auditiva. Esta última é uma habilidade essencial que invólucra a capacidade para centrar a atenção conscientemente nas sub - unidades de uma palavra falada.

O discurso oral se desenvolve dentro de uma corrente continua de sons. Não há separações demarcadas entre palavras, exceto pelas pausas do emissor. Entre os 3 e 7 anos se aprende a criar fronteiras psicológicas donde não existam físicas; isto é a isolar as palavras, sílabas e fonemas da corrente da fala, o segmentar auditivamente o discurso.

Downing (1970) observou que a maioria das crianças de cinco anos de idade custam compreender claramente o sentido que da o professor ao término «palavra». Na sua vez, estudos de Bradley e Briant (1978), Fox e Routh (1980), Libermam (1973); Lundberg, Olofsson e Wall (1980), e Sawyer (1985), têm encontrado que a capacidade para a segmentação fonológica na época que se inicia o ensino da leitura é um precursor dos subseqüentes níveis de aquisição de esta área.

As crianças podem aprender muito acerca do processo leitor e desenvolver confiança em si mesmos como leitores se os programas instrucionais partem do real nível das suas capacidades para a segmentação de palavras e/ou sílabas.

Passando a outro aspecto de este apartado, para Cromer (1978), Di Nicola (1979) e outros seguindo um processo evolutivo, os órgãos do homem destinados primariamente à respiração e à alimentação têm desenvolvido a função adicional de proferir uma rica sucessão de sons, cujo uso é aprendido desde a mais cedo infância e se utilizam simbolicamente com outras pessoas que têm a mesma língua e estão em capacidade de percebermos e compreendermos.

Por isto, à fala se lhe conhece algumas vezes como «função superposta». A produção da expressão oral, na sua fase mecânica, se divide em dois etapas: a emissão dum som audível quando as cordas vogais vibram, produzindo uma frequência fundamental (F0 = 125 - 250 Hz); e a constituição de um fonema concreto por meio de modificações adaptativas do aparato articulatório, o qual tem algumas estruturas que podem cambiar de posição.

Studdert-Kennedy (1987) argumenta que o fala é aprendida. Cita as investigações de Meltzoff e Moore (1977, 1983), as quais têm mostrado, num par de estudos meticulosamente controlados, que infantes, dentro das 72 horas de nascidos, podem imitar gestos faciais arbitrários (apertura da boca, protrusão labial) e dentro dos primeiros 12 - 21 dias também são capazes de imitar a protrusão lingual e o feche seqüencial dos dedos (este último o subraia como de particular interesse para a aquisição de uma língua manual).

Claro está, explica o mencionado autor, estes são gestos relativamente toscos, longe dos sutilmente intercalados padroes de movimento, coordenados a través de vários articuladores, que são necessários para a fala adulta. A importância dessas investigações é que permitem a dedução de que os gestos opticamente percebidos desde o mesmo nascimento induzem uma estrutura neurológica isomórfica com os movimentos que produzem as crianças.

Meltzoff (1982) demonstrou que as crianças entre 4 - 5 meses de idade que observam por largos períodos de tempo uma película na que se registra o fala de uma mulher, articulam repetidamente a vogal que estavam escutando (seja [i] ou [a]) em forma sincrônica com a cara apresentada na mesma.

Isto implica uma marcada inter-relação entre a visão e a audição com os mecanismos motores da fala desde uma idade tão antecipada. Studdert-Kennedy indica que partindo de que a estrutura espectral está diretamente determinada pelas cavidades ressonantes do trato vocal, e tanto a forma como o volume destas cavidades estão determinadas pela articulação (incluindo o patrono de apertura da boca para [i] e [a]) , a correspondência entre a forma da boca (óptica) e a estrutura espectral (acústica) refletem a sua fonte comum na programação dos mecanismos articulatórios da fala.

Evidentemente, continua o mencionado autor, as crianças dessa idade já têm uma representação amodal da fala, estreitamente relacionada com as estrutura articulatórias que determinam a forma fonética.

Por: Néstor Antonio Pardo Rodríguez - Terapeuta do Linguagem ou Fonoaudiólogo - Universidade Nacional de Colômbia

fonte: Fonodiaudiologia - Néstor Antonio Pardo Rodríguez
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