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Triagem
Auditiva nas Escolas |
Mônica
de Sá Ferreira
Fonoaudióloga, Especialista em Audiologia, mestranda
em Fonoaudiologia. Professora da UNIPAC/ JF - MG. - E-mail:
monicasf@wnetrj.com.br
- Contato: (21) 2436-3846
Segundo a Organização Mundial de Saúde,
10% da população mundial sofre de problemas
auditivos. A surdez pode surgir em qualquer fase da
vida e, muitas vezes é irreversível. Quando
ocorre desde o nascimento, a mais grave, pode afetar
definitivamente o desenvolvimento psicossocial do ser
humano.
As Sociedades Brasileira de Otologia (SBO), Brasileira
de Otorrinolaringologia (SBORL), Brasileira de Fonoaudiologia,
a Fundação Otorrinolaringologia e o Conselho
Federal de Fonoaudiologia promoveram, em 1997, uma campanha
nacional com o objetivo de educar e conscientizar a
população brasileira para os problemas
da surdez visando a sua prevenção. Os
resultados mostraram a alta incidência da deficiência
auditiva no Brasil, especialmente em crianças.
A campanha "Quem Ouve Bem, Aprende Melhor!",
instituída por meio da Portaria Interministerial
MEC/MS Nº 1.487, de 15 de outubro de 1999, publicada
no Diário Oficial Nº 199-E, de 18 de outubro
de 1999 nasceu da parceria representada pelo Ministério
da Educação/FNDE, Ministério da
Saúde, Sociedade Brasileira de Otorrinolaringologia,
Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, Sociedade Brasileira
de Otologia e Fundação Otorrinolaringologia,
com o objetivo de detectar alunos com problemas no ouvido
e iniciar o tratamento médico adequado.
No total, 429 municípios e 10.532 escolas participaram
da 1ª fase, e 780.450 alunos foram testados. Os
resultados obtidos compreendem 264.189 alunos triados
e encaminhados para a 2ª fase. Nesta, participaram
117.730, os quais falharam na triagem em sala de aula.
A deficiência auditiva, caracterizada pela perda
total ou parcial da capacidade de ouvir, manifesta-se
como surdez severa ou profunda e surdez leve e moderada.
Assim como na visual, as pessoas portadoras de deficiência
auditiva podem ter afetadas a sua aprendizagem e o seu
desenvolvimento integral. A estimativa da OMS, em 1993,
é de que 1,5% da população brasileira
- cerca de 2.250.000 habitantes - seria portadora dessa
deficiência. As causas de deficiência auditiva
de moderada a profunda, mais freqüentes em crianças,
são a rubéola gestacional e outras infecções
pré-natais. Contudo, em cerca de 33% dos casos
não se consegue estabelecer uma etiologia para
essa afecção. Nos casos de deficiência
auditiva de leve a moderada, a otite média é
a causa mais freqüente na infância, com uma
incidência ao redor de 33%.
É por meio da avaliação audiológica,
que muitas desordens do sistema auditivo são
encontradas. São também determinados o
grau e tipo de perda auditiva, assim como o local da
lesão.
Ela normalmente é indicada em casos de crianças
que falam alto, apresentam rouquidão crônica,
otites de repetição, escutam a televisão
em volume aumentado, apresentam dificuldades escolares,
desatenção, trocas ou distorções
na fala e atraso no desenvolvimento de linguagem, assim
como em crianças portadoras de síndromes
e doenças degenerativas. Também é
indicada para indivíduos com queixa de dificuldade
de audição, ouvido tampado, zumbido, dor
de ouvido, incômodo com o som alto, como prevenção
em casos de trabalho em ambiente ruidoso. Isso para
que seja feita uma intervenção o mais
precoce possível.
Encontramos, também, alterações
significativas em crianças com histórico
de meningite, rubéola materna, sífilis
congênita, citomegalovírus, caxumba, sarampo
e traumatismos de face.
Em um grande número de casos, os problemas auditivos
leves ou moderados passam despercebidos aos pais e professores.
Entretanto estatísticas comprovam que cerca de
6% das crianças com 4 anos de idade, e de 3 à
4% das com 7 anos apresentam anormalidades nos exames.
Um grande número de escolas não solicita
de rotina a realização de audiometria,
exame específico para medir a audição
na época da pré-escola ou nas classes
de alfabetização. Dentre as que solicitam,
os resultados não são interpretados pedagogicamente,
por falta de assessoria especializada no assunto, pois
não basta exigir o exame, é necessário
correlacioná-lo ao desempenho da criança.
É possível realizar as avaliações
através da implantação de um programa
de saúde auditiva na própria escola, o
que facilita aos pais e garante uma assessoria especializada
nos moldes do Sistema Americano, onde a triagem auditiva
é obrigatória na rede escolar desde 1927.
Triagem é o processo de aplicar o grande número
de indivíduos determinadas medidas rápidas
e simples que identificarão alta probabilidade
de doenças na função testada. O
objetivo de uma triagem auditiva é detectar perdas
com um número máximo de identificações
corretas e com um número mínimo de falsos
positivos, usando triagem com tons puros associadas
às medidas de imitância acústica.
As crianças com audição ou função
de orelha média questionável podem ser
identificadas rapidamente e serem encaminhadas para
avaliação audiológica completa.
Um programa de detecção precoce de triagem
auditiva em crianças na pré-escola e na
alfabetização, visa a prevenir dificuldades
na aquisição da fala e no desenvolvimento
da linguagem, já que ambos estão diretamente
ligados à audição.
Um programa de triagem auditiva eficiente e preciso
não visa dar diagnóstico. Seu objetivo
é identificar crianças sem sintomas aparentes,
que apresentam determinado problema auditivo e orientar
os pais da realização de procedimentos
mais elaborados. Assim se alcançará o
diagnóstico pela avaliação audiológica
completa, tentando diminuir ou acabar com os efeitos
que determinada doença pode acarretar. A triagem
é o processo de aplicar a grande número
de indivíduos determinadas medidas rápidas
que identificarão alta probabilidade de doenças
na função testada.
Referências
Bibliográficas:
BESS, Fred H., HUMES, Larry, E., Fundamentos em audiologia.
2 ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.
RUSSO, Iêda C. Pacheco; SANTOS, Teresa M. Momensohn
Santos. Audiologia Infantil. 4 ed. São Paulo:
Cortez, 1994.
MUSIEK, Frank E.; RINTELMANN, William F. Perspectivas
atuais em avaliação auditiva. 1ed. São
Paulo: Manole, 2001.
Forum de Otorrinolaringologia (1997) http://forl.locaweb.com.br/campanha/menu.htm
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