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::. A avaliação como prática educativa
ROBSON FRANCISCO DAS CHAGAS
Formado em Pedagogia e História. Especialista em Docência do Ensino Superior pela Universidade Castelo Branco. Especialista em Psicopedagogia e Orientação Educacional pela UFRRJ. Bacharelando em Teologia e Mestrando em Pedagogia Cristã. Professor e Coordenador Pedagógico do Seminário Evangélico Boa Esperança.
E-Mail: robchagas@bol.com.br

Falar sobre avaliação é uma tarefa árdua. Quando se fala em avaliação educacional torna-se complicado.
Ao avaliar o rendimento de uma máquina, por exemplo, estabelecem-se parâmetros do perfil desejado. Testando um motor elétrico podemos dizer que, ao conectarmos à corrente elétrica, ele dará partida ou não, terá boa performance ou não. Caso o rendimento não seja satisfatório, introduzir-se-ão correções.
Quando se trata de pessoas, a avaliação toma outras dimensões. Fatores internos (sociais, econômicos, psicológicos, etc) e fatores externos (clima, ambiente, local, professores, etc) interferirão no processo avaliativo que poderão torná-lo inútil ou poderão obter-se resultados antagônicos, diferentes dos desejados.
Devemos, então, procurar uma nova proposta que substitua o paradigma atual, objetivando o repensar no ato de avaliar, buscando na natureza, na vivência e experiências do aluno, o ponto de partida que "se dá quando o professor pensa como o aluno está pensando ou se sentindo sobre algo, quando o aluno pensa sobre como o professor e outros pensam e se sentem sobre esse mesmo algo".
O pior é que muitos professores aferem sem se preocuparem com o aluno, apostando totalmente no sistema vigente ou estabelecendo critérios próprios, deturpando totalmente a finalidade da avaliação, não dando margens a introdução de novas formas de pensar, onde a maior preocupação é saber o que o aluno "aprendeu", e não como ele reage as diversas situações em que é colocado ou como aplica essa aprendizagem.
Justamente essa liberdade de expressão encontra dificuldades, atualmente, pelo receio de certos educadores em abrir mão dos padrões que se encontram. A mudança de mentalidade é muito difícil devido a formação tradicional, onde a resposta de acordo com o gabarito deve ser mantida a qualquer custo, sem direito a outras interpretações.
Para melhorar este problema é necessário, antes de tudo, colocar a prática educativa ao lado da prática avaliativa. Aquela se utiliza desta como controladora do processo educacional. A avaliação se faz mister não para "passar ou reprovar" o aluno, e sim para ajudar no acompanhamento, controlando e corrigindo a prática educativa, melhorando cada vez mais a relação ensino/aprendizagem.
Um exemplo de prática avaliativa autoritária e inflexível.
"Uma aluna de Odontologia, embora estagiando em um consultório dentário, iniciando na profissão, deixou de se formar com a sua turma porque lhe faltou um ponto na prova única e final de uma das cinco disciplinas do último semestre do curso. E anote-se: disciplina de uma área distinta da especialização que havia escolhido." É como passar em todos os exames de direção e médico para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, ficando reprovado por não saber trocar um pneu, coisa que pode ser aprendida posteriormente.
Pensando nisso, as correções das provas poderiam sofrer um critério avaliativo global de forma que o aluno possa dar suas soluções de acordo com entendimento e percepção da realidade colocada diante dele. Outra atenção deve ser dada aos problemas estanques (visão imediatista), isto é, julgar sem levar em consideração outros fatores que possam ter influência nas respostas. Por isso que a prática educativa é severamente criticada, pois ela nega e desrespeita as diferenças individuais dos alunos. É preciso introduzir um tipo de avaliação mediadora e global que promova "um processo interativo e dialógico, buscando a confluência de idéias e vivências".


Texto baseado no livro HOFFMANN, Jussara , Pontos e Contra-Pontos - do pensar ao agir em avaliação, Ed Mediação, Porto Alegre,1998.

Publicado em 17/08/2009


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