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A Educação humanística : a
chave para o desenvolvimento sustentável
do século XXI |
Thais Cristina de Melo Salvador
Estudante do curso de letras licenciatura em inglês
e português da Faculdade JK/GO;
E-mail: trompetenek@yahoo.com.br
- tel: (61) 3627-1906
Resumo: A educação é vista e sentida
atualmente como um lugar pouco empolgante, considerada
pelos indivíduos participantes desse processo um
símbolo de insatisfação e frustração.E
o novo século é justamente uma época
de constante mudança e mecanização
do comportamento, fragmentação do conhecimento,
onde o aprender é um dever não necessário.
Portanto é necessário uma humanização
maior da escola, das leis educacionais, dos educandos
e educados. O presente trabalho visa, analisar , sugerir
e identificar alguns dos aspectos educacionais influentes
no processo de humanização da educação
e seu objetivo e formação no século
XXI.
Palavras chaves: Educação.
Escola. Sociedade. Humanização. Globalização
Introdução
Educação segundo o nosso bom e velho dicionário
é o conjunto de normas pedagógicas tendentes
ao desenvolvimento geral do corpo e espírito
de um individuo. Mas é claro que tal definição
não se aproxima nem um pouco do real aspecto
e importância que a educação possui
em nossas vidas.Pois, a educação não
pode ser resumida em apenas "normas pedagógicas"
e sim se pode ampliar sua definição a
um complexo sistema de interação entre
sabedoria, companheirismo, sociabilidade,reflexão,
formação e transformação
da realidade protagonizado por seres humanos.
Esse processo ,como tudo na vida, é feito em
conjunto ou seja é preciso estar junto, agir
junto, possuir o prazer de constituir a massa participante
no processo educacional e poder conta com ela também.
A educação em sua natureza nasce da troca
e interação de experiências e saberes
humanos. Ela por si só deveria ser humanística.
Os erros educacionais
Quantas não são as discussões sobre
como aperfeiçoar os métodos educacionais?
Como adaptá-los ao novo mundo globalizado e consumista?
Inúmeras,não é verdade? Mas pouquíssimas
são as reflexões sobre os verdadeiros
valores educacionais.
Em uma sala de aula do curso de licenciatura, os alunos
são instigados a desenvolver diálogos
sobre as leis educacionais, sobre a estrutura de funcionamento
de uma escola, sobre as relações existentes
entre professor x aluno e etc... E é aí
que detectamos que tudo funciona de maneira diferente
da proposta inicial e que a educação é
um sistema falido onde pessoas frustradas a promovem.
Levianamente, somos levados a pensar que o objetivo
primordial da educação é claro
e nobre e o que faz a educação tornar-se
falha é o fato de ser desenvolvida por pessoas
que, por sua vez, são diferente e vulneráveis
ao tempo, as mudanças sociais e emocionais, que
por sua vez, influem diretamente no sucesso e aplicabilidade
do sistema educacional. Será mesmo?
Será que estamos falando de algo que realmente
possui bases ideológicas, políticas e
principalmente humanísticas bem definidas? A
educação realmente é alicerçada
por diretrizes que esclarece de forma sucinta a sua
função para todos os indivíduos
envolvidos no processo educacional?
Fica difícil pensar em educação
humanística se nem ao menos é possível
conceituar o termo educação. O questionamento
ás bases educacionais torna-se de suma importância
e foi o que fez Tsunessaburo Makiguti um antigo e já
falecido educador japonês que acreditava que os
problemas da educação japonesa estariam
focados nos seguintes pontos:
1) O erro no estabelecimento do objetivo da educação.
2) O fato de não ter a felicidade como propósito
final.
3) A incompreensão sobre o potencial criativo
dos seres humanos
4) O foco exagerado na transferência de conhecimento
e
5) A ausência da parceria entre escola, o lar
e a comunidade no processo educacional.
Makiguti afirmava:
O objetivo da educação é preparar
as crianças para se tornarem células responsáveis
e saudáveis no organismo social, a fim de contribuírem
para a felicidade da sociedade e , com isto, encontrarem
sentido, propósito e felicidade em suas vidas.
Ou
seja o objetivo da educação é a
criação de verdadeiros valores humanos
que utilizem a educação como instrumento
de transformação de suas vidas na busca
da felicidade como um todo e não parte dela.
Creio que estabelecer essa formação de
indivíduos criativos como objetivo da educação
e a felicidade global como objetivo do educado transformaria
a sala de aula em um ambiente de transformação
e não mais de reprodução, onde
os alunos estariam conscientes de seu papel principal
de agente modificador da sociedade e a escola se tornaria
o palco para o grnade espetáculo chamado evolução.
Escola:
passaporte para o mundo.
Considerando o fato de a educação pode
ocorrer em diversos ambientes sociais como, a rua, a
família, a fila do banco ou no campinho de futebol,
e levando em conta que em qualquer desses ambientes
é possível desenvolver saberes, a escola
serviria para quê? O que seria a escola?
O fato é que normalmente conceituamos a escola
como educação e desprezamos assim todos
os nossos outros espaços físicos educacionais
e assim desvalorizamos a própria escola.
Juana Maria Sancho escreveu o seguinte sobre o conceito
escola:
Uma estrutura organizacional flexível
capa de se adaptar aos alunos, e em um âmbito
relacional no qual cada menino e menino ou jovem encontram
o ambiente adequado para desenvolver suas capacidade
intelectuais e emocionais
Juana definiu teoricamente o que seria
a escola que segundo esse raciocínio seria bem
fácil confundi-la com educação.
A verdade é que o ambiente escolar está
tão ligado a educação que a sua
existência é justamente justificada pelo
processo de aprendizagem.
O que ocorre é que o conceito de escola está
um tanto quanto indefinido. Ele é determinado
pelo referencial que o define por exemplo, a escola
é vista pelo pais como um ambiente corretor ou
seja o filho vai para escola por que possui deficiência
no saber e a escola o corrigirá, já para
alguns educadores a escola é um ambiente exclusivamente
de aprendizagem de conteúdos ou seja o aluno
aprenderá algo somente na sala de aula e nunca
fora dela, já para os adulto que não tiveram
a oportunidade de freqüentá-la tenha a visão
de que a escola é um ambiente representante da
realidade ou seja a escola transmite e reproduz a verdade,
e para os políticos a escola represente uma industria
ou seja a escola produtora de mão de obra. Poderia
citar diversos outros exemplos, mas gostaria mesmo é
de salientar que nem na família, nem na comunidade,
nem na política e infelizmente nem na própria
estrutura educacional a escola tem o conceito e respeito
que merece.
Quando começarmos a enxergar a escola um ambiente
propício para primeiramente reproduzir o mundo
em seu espaço físico, suas relações
sociais, econômicas e culturais e em segundo momento
ser um espaço aberto a (re) criação,
transformação e decodificação
desse mundo, ela se transformará na estrutura
educacional onde se pode enxergar de forma pessoal,
científica e acima de tudo humana os problemas
do mundo ,ou seja, da vida e através da troca
de saberes e experiências ajudaria na mudança
benéfica do mundo.
Uma mudança humanística: xô egocentrismo!
O ser humano se organiza em grupos, pois é o
grupo que o proporciona tomar decisões e acatá-las,
assumir responsabilidades, dividir tarefas além
de despertar o sentimento de " ter o seu lugar"
e " de pertencer a algo".
Em um mundo onde a existência humana é
constituída por idéias,atitudes, desejos,
regulamentos,linguagens, sentimentos e organizações,
fica impossível constituir uma história
sem se relacionar e conflitar-se com outras pessoas.
Não é estranho então pensar que
um ambiente tão social como é a escola
produza um sentimento de ganho exclusivamente pessoal
tão forte aponto de transformar a educação
em algo egocêntrico? A escola tornar-se um ringue
de batalha onde é premiado aquele aluno que tirou
a nota azul na prova e descriminado o aluno esforçado
da nota vermelha.
É o clássico caso do professor premiar
na nota qualitativa (aquela nota pretensiosa que busca
julgar o comportamento do aluno) aquele aluno que não
dá muito trabalho, que responde todos os questionários
devidamente enfeitados e organizados com respostas tão
corretas que parem ter sido retiradas do livros. Parecem?
São essas inúteis avaliações
que incentivam os alunos premiados a se fecharem em
um grupo fechado, que incentivam esse grupo a não
colaborar com os não tão produtivos pois
assim eles - os "cdfs"- eliminam a concorrência.
Não é necessário questionar a índole
ou avaliação de qualquer professor mas
sim questionar os valores que tais atitudes passam para
os alunos em processo de formação. Enganam-se
vocês ao pensar que os "ladrõezinhos",
"os marginais" e "os colarinhos branco"
surgem de forma instantânea ou o egocentrismo
dessas figuras é inato, eles foram educados para
se tornarem indivíduos com esses valores e postura
social.
A educação não deve preparar o
aluno para a vida pelo contrário, é enquanto
se vive que esse processo deve ocorrer. O estudo, a
educação existe e são aplicados
enquanto eu aprendo e não quando eu recebo um
diploma.
Portanto, torna-se necessário implantar valores
humanísticos na educação como,
a convivência harmoniosa, o respeito a individualidade,
a troca de experiências e a valorização
da vida, para que assim, os alunos tenham o hábito
de serem pessoas mais humanas e não egocêntricas,
para que eles exerçam plenamente sua cidadania,
que possam enxergar sua felicidade e prosperidade algo
positivo não só para ele mas para a sociedade
também.
O século XXI clama por educação!
É visível as transformações
ambientais, econômicas, sociais que esse novo
século trouxe para todos. Não se pode
ignorar que tudo está diferente. Se começamos
o século passado acreditando na possibilidade
da energia elétrica nesse acreditamos na nuclear,
se antes a diversão era o almoço da família
no domingo hoje é a balada de sexta com os amigos.
O tempo anda tão curto e a humanidade caminha
a passos tão largos que as pessoas estão
se globalizando e ao mesmo passo as diversidades se
acentuam. É possível até pensar
que já está bom, para quê evoluir
mais? Para onde vamos agora?
A educação recebeu mais essa função,
a de direcionar o ,agora inimaginável, potencial
humano para o desenvolvimento sustentável e não
para a autodestruição.
Você pode até restringir esse desenvolvimento
apenas ao lado ambiental como controlar a destruição
da famosa camada de ozônio, a extinção
de animais ou a conservação dos mananciais
de água potável mas, a educação
do novo século é o agente transformador
de muita mais, é responsável ela diminuição
do preconceito, dos genocídios, da má
distribuição de renda ou seja da humanização.
Uma transformação tão ampla capaz
de retroceder os passos de destruição
que a humanidade tem dado e ser pioneira na construção
de vários outros caminhos mais humanos para trilhar.
Conclusão
A educação não pode abrir mão
daquilo que cabe somente a ela ensinar, das coisas que
os alunos só podem encontrar nela. Para tanto
é necessário que o seu propósito
de existência esteja claro não só
no papel ou nas leis mas sim na mente de todos indivíduos
participantes do processo educacional sejam eles alunos,
professores, pais, governantes.
É preciso abandonar a idéia que a escola
é formadora de trabalhadores, de universitários
ou de qualquer posição social. A escolarização
não deve pregar a idéia de que os alunos
só entenderão a função ou
a utilidade do saber aprendido quando se formarem e
estiverem trabalhando. Afinal todos querem ser felizes
agora, todos querem ser úteis agora e não
daqui a 8 anos. Desestimulante é saber que você
só terá um valor social depois de passar
mais de 10 anos na escola. É papel da escola
humanística valorizar tanto o aluno como o processo
de aprendizagem no exato momento em que existem.
O mundo está em constante transformação
e o novo século não possui uma perspectiva
otimista, portanto considerando o passado educacional
de reprodução de realidade e o presente
pouco inovador podemos considerar um grande desafio
pensar em uma perspectiva educacional de melhor qualidade.
O fato é que pode ser até penoso ser agente
transformador de um sistema vital a sustentabilidade
da vida humana. No momento em que o esforço individual
passa a ser recompensado pela prosperidade de todos,
a educação se faz.
Como enfrentar tantos e complexos desafios? Abandonando
a visão de educação para o indivíduo,
para um sistema político ou para parâmetros
curriculares e estabelecendo a educação
para a vida em todos os seus aspectos. O que eu chamo
de educação humanística.
The
human education : a key for sustainable development
of century XXI
Thais Cristina de Melo Salvador*
Abstract: The education is seen and
felt currently as a little entertainer place, considered
for the individuals participant of this process a symbol
of unpleasantness and frustration. The new century is
exactly a time of constant change and mechanization
of the behavior, spalling of the knowledge, where learning
it is a not necessary duty. Therefore a bigger humanization
of the education is necessary, of the educational, teachers
and student laws. The present work aims at, to analyze,
suggest and identify to some of the influential educational
aspects in the process of humanization of the education
and its objective and formation in century XXI.
Key Words: Education. School. Society.
Humanization. Globalization
_________________________________________________________________
Referencias
_______. A diversidade da escola ou a diversidade da
educação. Pátio. n 20, p.53, 2003.
_______. Makiguti um educador além do seu tempo.
Terceira Civilização. n 435, 2004.
MAKIGUTI, T. Educação para a uma Vida
Criativa. ed.1 Rio de Janeiro: Record,1994
FREIRE Paulo, FREI Betto. Essa escola chamada vida.4
ed.Ática .100p.
Publicado
em 18/11/2006
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