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Empresa e a Educação - Uma leitura
psicopedagógica |
Dulce Consuelo R. Soares
Psicopedagoga, Psicóloga, Pedagoga & Consultora
em RH, REG: 950487/MEC - RJ
ABPp: 043/SP, CRP: 05/29851,
E-mails: dsoares@itquality.com.br
/ dconsuelo@ajato.com.br
Este
artigo tem como objetivo estabelecer as relações
entre a empresa e a educação. Há
algum tempo atrás acreditava-se que a educação
fazia parte de algumas agências institucionais
como: a família e a escola; agia-se na prática
como se a empresa e a sociedade em geral não
fosse atingida pelo diretamente pelo processo da Educação;
esperavam que o sujeito ao sair da escola estivesse
pronto para atuar no mercado de trabalho e que assim
ele deveria devolver à sociedade o que esta investiu
nele ,através da sua produção,
da sua qualificação profissional.Vale
ressaltar que teoricamente o sujeito deseja dar tal
retorno,porém o que conseguimos assumir é
que ninguém que seja humano, possa se considerar
pronto; estamos sempre nos "desequilibrando"
diante de uma situação nova,necessitamos
acomodar novos esquemas para assimilarmos e internalizarmos
novas estruturas para prosseguirmos nosso caminho de
aprendizagem.Como o processo de educação
atinge a empresa? Atualmente, ouvimos que a maioria
das empresas investem em capacitação profissional
de seus funcionários. Por quê? Aqui nos
cabe uma reflexão: "O que será que
pode estar acontecendo aos Funcionários - Sujeitos
das empresas? Será que eles não sabem
como agir profissionalmente com seus colegas, chefes
e diretores? Esses dados foram coletados a partir de
constantes pedidos à várias consultorias
e um dos módulos mais requisitados é justamente
o de relações interpessoais. Podemos fazer
várias conjecturas : falta de comunicação,
a situação político - econômico
- social do país, falta de limites estruturantes
em cada Funcionário - Sujeito por falhas anteriores
de outras agências como: a família e a
escola , falta de competência da empresa, falta
de competência do próprio funcionário,
entre outras. De uma maneira geral as pessoas desenvolvem
uma tendência a atribuir causas internas e causas
externas aos seus resultados e aos resultados dos outros
,essa atribuição exerce uma função
auto - servidora que minimiza os sentimentos de responsabilidade
e comprometimento com o resultado. Segundo o psicólogo
social Fritz Heider (1944) as pessoas tendem a atribuir
causas externas ao mau resultado e causas internas ao
bom resultado, porém é condição
sine qua non, refletirmos sobre nossas atribuições,
pois elas pautam nossas condutas favorecendo ou complicando
nossas relações sociais na empresa. O
que queremos pontuar é que precisamos exercitar
- O que é Meu e o que é do Outro! Fazer
unicamente atribuições externas (minha
empresa não investe em mim, por isso não
sou bom funcionário), não resolve o problema.
Em contrapartida fazer atribuições exclusivamente
internas (sou péssimo funcionário e não
sei como melhorar) paralisa ainda mais o movimento de
atividade que é o movimento interno, de busca,
de pesquisa que faz parte do ser humano. A título
de exemplo, iremos construir uma história fictícia
para ressaltar o processo de ensino - aprendizagem na
empresa. Dois diretores de uma empresa "X"
solicitam um diagnóstico institucional a um profissional
de recursos humanos para avaliar os subsistemas de sua
empresa, pois os diretores sentem que algo não
vai bem... No processo diagnóstico as técnicas
utilizadas inicialmente foi a da entrevista e a observação
para o estudo de caso em questão; um dos momentos
importantes do diagnóstico - as primeiras impressões
para posterior construções de hipóteses.
O profissional verbaliza a importância de entrevistar
todos que trabalham na empresa, explicando que isso
favorecerá um novo olhar promovendo um agir diferente,
fundamentado no sentir e no pensar de todos; tão
logo estabelecido o contrato, o profissional de RH inicia
seu processo de intervenção; recorte de
algumas entrevistas, inclusive os diretores, ele destaca
algumas falas por terem significado fundamental na avaliação
diagnóstica desta organização empresarial.
Func.A - "Aqui, você não é
valorizado, só cobrado, meu chefe ressalta apenas
os meus erros!"
Func.B -"Estou estudando para melhorar minha prática
profissional e fazer carreira nesta empresa, mas isso
não é fácil, pois chego tarde em
casa todos os dias, mas é preciso fazer isso
pormim".
Ger.A - "A maioria de nossos funcionários
são incompetentes, esperam encontrar um pai ou
uma mãe aqui na empresa! É muito cansativo
trabalhar em equipe, ainda não estamos acostumados
o resultado é bem positivo, mas quase sempre
a longo prazo e a empresa não pode esperar..."
Diretor A - " Um dos motivos que me levaram a contratar
um profissional de recursos humanos foi a dificuldade
que estou encontrando para administrar minha empresa".
Essas colocações dos funcionários
na entrevista direta feita pelo analista de RH nos remetem
as reflexões de nossas atribuições
e os prováveis focos de atuação
desse profissional convidado a revitalizar as dinâmicas
interpessoais que estão subjacentes às
atuações dos funcionários da empresa
"X". Voltemos a Teoria de Atribuição
de Causalidade de Fritz Heider. Observamos que na história
a maioria das falas tanto dos funcionários ,
como da equipe de coordenação, predominam
a atribuição externa, ou seja, o problema
é do outro, não é meu! Nesse momento
o sujeito não assume um compromisso com a sua
verticalidade (sua singularidade) e sua horizontalidade
(sua história interagindo com os outros) influenciando
sua capacidade de Atividade, Liberdade, Autoridade e
Criatividade - Princípios ligados ao ato de aprender.
(Borges, 1994).Essas atitudes só são percebidas
por nós quando vivenciamos um processo de reflexão
e educação, proporcionado pela família,
escola ou empresa. Na história nosso analista
de RH coleta um material bem valioso e produtivo, podemos
inferir que a coleta foi saudável, todos expressaram
o que sentem, pensam e fazem de verdade na empresa "X",
as falas não foram mascaradas e isso é
uma ação de saúde da Empresa. Para
minimizarmos a ansiedade dos leitores iremos finalizar
nossa história fictícia. Ao vivenciar
as etapas do diagnóstico institucional utilizando
técnicas como: observação, entrevista
, dinâmicas de grupo , técnica de grupo
operativo e observação sistemática
, o analista de RH apresentou o resultado da avaliação
aos diretores da empresa "X"; inferiu que
seria interessante para a empresa um curso de relações
humanas , pois constatou no diagnóstico a necessidade
de reativar nos Funcionários - Sujeitos a visão
do todo ( Ser / Sujeito) intregrado num outro todo (organização
empresarial) contribuindo e fornecendo novos motivos
internos e externos.Outra intervenção
pertinente é desenvolver uma política
de Recursos Humanos como: Avaliação de
Desempenho x Avaliação de Cargos e Salários
colaborando com o crescimento do funcionário
ou até mesmo o remanejamento daquele para outra
área da empresa , emergindo assim seu verdadeiro
talento.Outra recomendação constatada
pelo diagnóstico foi a necessidade de uma supervisão
com o objetivo operacional de construir uma: Super -
Visão, ou seja, um líder com uma visão
super do problema sendo capaz de identificar que movimentos
frente ao novo que os funcionários estão
vivenciando naquele momento em relação
à sua ação, instalando a "atividade"
suficiente neles , disparando assim a autoridade(autoria
/ autonomia) a criatividade e a liberdade, princípios
esses que energizam e alimentam a Construção
do Ser e do Saber.
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