Home | Anuncie | Publique seu artigo | Normas para publicação | Boletim periódico | Classificados | Cadastre-se | F@le conosco

::. Alunos & filhos: Eles não têm culpa
Poeta Professor Silas Correa Leite
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br

“Tempo presente e tempo passado/Talvez ambos presentes no futuro/E o tempo futuro está contido no tempo passado/Se todo o tempo é eternamente presente/Os tempos não podem ser resgatados/O que se foi é uma abstração(...)/Permanecendo uma possibilidade perpétua”
(Poeta T. S. Eliot)

-Com todos os problemas (ou defeitos) que eles possam ter; com todas as resultantes comportamentais (até de exageros ou mesmo radicalismos sazonais); com todas as graves crises que sofrem e assim explodem direto; com tudo mesmo que, de alguma forma “respondem” - agindo, falando, conversando - sejamos verdadeiros e convenhamos: ELES NÃO TÊM CULPA.
-Sejamos sensíveis, ora: eles são as explícitas “respostas” do momento grave pelo qual passamos (e passa o mundo todo em estranhos novos tempos), eles são as, até, tristes “respostas” de filhos nem tão bem (e verdadeiramente) amados assim, de pais trintões, quarentões, cinqüentões, e do que mal colhemos (e vimos nos tornando rançosos) depois das ideologias, das utopias, com as mudanças (pouco éticas) do mundo contemporâneo – e seu holocausto graves nas ruas da amarguras - entre o até agora vazio ético do neoliberalismo, as conseqüências inumanas da tão cantada globalização, e o infame Império capitalista que, mesmo em decadência desde a Era Clinton, tornou as pessoas feias e feridas, desajustadas e sem perspectivas, sublimadas, resignadas (o pior está por vir?), por conseqüência então, todos os velhos cidadãos resultam abandonados de alguma maneira, os jovens em geral infratores e delinqüentes, os pais falidos em todos os sentidos com seus devaneios, e ainda podemos sacar desde já o que seremos também em breve, reféns da ALCA – Área de Livre Comercio das Américas – e outras mudanças que não mudam nada, mas dão pomposos vernizes novos (pseudo “modernos”) a pragmatismos sociais que falem o ser enquanto Pessoa, e desumaniza o próprio comportamento sócio-familiar como um todo. Só não vê quem não presta atenção.
-Como Educador, refletindo, sofrendo muito, sinto, confesso, no imediatismo do habitat escolar, a “resposta” social às mudanças do mundo moderno. Se acham que estou vendo chifre em cabeça de cavalo, olhem direito, raciocinem, prestem atenção: e a coisa vai piorar. Essa é a tendência, meus irmãos.
-Quando os filhotes recebem a violência da mídia, dos games orientais, da Internet mal usada, ou mesmo de quadrilhas ou gangues inseridas no contexto social, nem nos tocamos, ou até achamos isso coisa de rebelde sem causa, se esquecendo que são precárias válvulas de escape, quando não, cooptados indiretamente para serem massa de manobra. O tal associaçonismo extra-lar. Inocentes úteis. Que pais éramos? Não acompanhamos os rebentos? E agora, cara pálida?
-O que resultou disso tudo? Grosso modo, o “Nada Júnior” e que bem ou mal se tornou nosso descendente, mas, indagamos, quem exatamente ele É?
Simplesmente, baby, um “igual aos outros” (e todos por nada!). Mais um coió na gangue, na escola, no clube, na rua, na esquina, falando palavrões e gírias bobas, de “manés”, um pobre e estúpido voluntário da mediocridade generalizada, algo violento, às vezes "discrimimado" e muito inconveniente, indisciplinado, quase um excluído social e de alguma forma excluído do contexto escolar. Pois, a reboque, a bem da verdade, a sociedade, via Pais (insensíveis?) é CULPADA. Como diz a baladinha “A gente somos inúteis! – A gente faz filhos e não consegue CRIAR...”
-Como queremos policiais santos se a sociedade não é essencialmente composta de santos? – Como queremos que os nossos “cacos de espelhos” (FILHOS!) sejam santos com os tais amebas neoliberais que elegemos como legítimos representantes do povo, ou heróis, mitos, políticos? Como querermos filhos lendo Machado de Assis se dissimulados malufamos o cedê cabritado da Tiazinha? A melhor pedagogia é o exemplo. Como queremos que o nosso filhote juvenil não beba Cloaca-Cola se fumamos como se chaminés bípedes? Com a postura que temos, de lontras lerdas, o que somos, o que queremos? Com a dosagem errônea (falsa) de moralismo superficial, o que queremos, o que esperamos, pois fomos, soamos e parecemos mal e porcamente ilustres cordeiros tosquiados em indevido estado de vantagem – o jeitinho brasileiro (de levar vantagem em tudo) – em proveito próprio?.
-Paremos pra pensar.
-Temos, 20, 30, 40, 50 anos e estamos perdidinhos da silva. Os nossos filhos sacam constantemente e de forma até aparentemente natural isso, captam no ar (e muito bem), fácil e profundamente, que estamos latindo no quintal para economizar cachorro; dando murros em pontas de facas, glosando o imposto de renda, mentindo para amigos do alheio, enganando familiares, mentindo conquistas pífias até para nós mesmos, querendo ludibriar todo mundo, porque, afinal, aqui e ali, num determinado momento, condição, estágio ou estadia, fomos usados; de forma até tácita consentimos, recebemos o deus-lucro como sinal na testa e agora babamos no corredor satanizado da grife fácil onde nem sempre as aparências enganam. Saravá, Malan.
-Se, em tese, superiores (superiores?) estamos fingidos – a realidade é um osso duro de roer – se estamos inseguros (ingênuos que fomos), imaginem o jovem então? Frustração. Desemprego. Faculdade?. Pessoas que se parecem como Pessoas mas são dejectos da mídia na mãos de um vareio de destino massificando a imbecilidade coletiva por atacado. Até mal alfabetizados. Riscos? Drogas, clubes, torcidas organizadas, a boca de fumo que vem candidamente bater na sua porta via síndico, porteiro, zelador, taxista, camelô, inspetor de quarteirão, dono de banca, feirante, contraventor, agiota. Todos na onda. E um lucrinho informal, por fora, garantido e impune.
-Aonde vamos parar, Deus do céu? Que atitude tomarmos antes que tiro saia pela culatra e a bala perdida ache nosso ente querido? O crime compensa nesse nosso sórdido e selvagem capitalismo de terceiro mundo em ocasiões historicamente impróprias - repudiando seres e famílias vítimas por causa de transformações em bastidores de insanidades palaciais (que elegemos para oito anos).
-Somos insensíveis ou alienados? Os dois juntos? Votamos mal e queremos o quê agora? Como cobrar do governo, se lhe passamos atestado de competência elegendo sempre os mesmos e acreditando no openg-doping do que dita a mídia atrelada?
-O Estado propositalmente falido, sem estrutura pública – e o número de miseráveis e de pobres de periferias aumentando – e arigós eleitores de ocasião se julgando os donos da verdade. Quem elegemos dos que prestam? Os cacarecos de sempre, de terno, gravata, farda, toga e túnica.
-Nossos filhos são os coitados da vez, da hora, “faz parte”; meros herdeiros de nossas neuras, órfãos de tudo o que de bem intencionado fizemos, porque, às vezes fomos metidos a sebo, elegendo ratos, confiando, acreditando em promessas e a casa caindo, o circo aumentando o percentual de palhaços que acreditam em aparências de marqueteiros e milagreiros de fundos falsos, ou ridículos messiânicos de ocasião. O modus operandi “rouba e diz que faz...”
-Pedimos socorro? Terapias, Assistencias Sociais, Psicólogos, Autoridades? Ou só confiamos em nosso tempo, em nosso taco, em nossas mal resolvidas atitudes de despreparados até para Existir? Mas, cara pálida, que “bagagem” no final temos, o que herdamos afinal? Manipulados filhos do Jãnio e do Lacerda, a quem demos o passaporte da angústia adquirida no correr do tempo? A “resposta” de nossos filhos é dolorosa: a bagagem é nada, nenhuma, pois nem só de pão vive o homem, afeto, amparo e presença contam e muito, baby.
-Eles não nos jogam isso na cara em palavras cruas. “Falam” em atos, sons, comportamentos, atitudes, fugas, ilações, fantasias corroídas pelo medo, pela insegurança, pelo que sentem da hipocrisia que nos nutre, nos sitia, nos rodeia ou está implicitamente dependurada com tantas etiquetas, máscaras e rótulos em nosostros. Falando sério: estamos perdidos (assumo a minha cota) – ou seria tarde demais? – e o vício venceu, o contrabando erra conquistas, a tevê urra e dita modismos inócuos, a secretária eletrônica é apenas uma ilha na comunicação entre pais e filhos, a Internet às vezes pega pesado e mal; o nosso desespero, a nossa angústia – e a necessária sobrevivência custe o que custar – começam a cobrar o preço vital desses nefastos tempos neoliberais. Estamos falidos de alguma maneira, se medirmos bem e até intimamente.
Perdemos nossos filhos? Ou também perdemos para nós mesmos?...
-Rimos, quando ouvimos falar em filosofia, em religião, em ética, em solidariedade plural-comunitária e humanismo de resultados. Não tem nada a ver conosco, somos, mesmo, eleitores do babaquara político do tipo que rouba e diz que faz...
-Nada nos pertence de ruim. Não fazemos parte do bolo sectário ou catolaico, e nem queremos fatias de afetos para terceiros, o próximo, daquele plangente Sermão-salmo do Mestre Rabi. Rimos daquele pobre esquerdista sonhador que põe o dedo na ferida, que às vezes dá um toque, que, coitado, falando sozinho, pelos ermos e cotovelos, levanta bandeiras, lebres, sempre dando dicas como se pregasse no deserto, alertando, passando por coió alienado, quando o tachamos de radical, ignorando a questão da fome, do lixo, da privatização da água e do oxigênio, da abandonada periferia S/A, das cotas para os negros, do desespero dos pobres, os órfãos de nosso hediondo capital pau-brasil que começou com a colonização exploradora e sacrificante de 1500. Até quando tudo isso?
-Não temos posições sérias, íntegras, rimos feito hienas como se ignorantes políticos com estresse, não temos visão de todos por um, caminhamos como gado marcado para o curral das aparências, e achamos que entendemos de tudo, sabemos a verdadeira verdade (pobres de nós), mas não sabemos nadica de nada, o crime está vencendo (vejam os governos federais do mundo), o nosso filho será a nossa cara amanhã de manhã, quando dermos literalmente com os burros nágua e os nossos panos
sagrados do clã se tingirem de sangue inocente...
-Então nada poderemos fazer mesmo. Não nos restará consolo. Quando atacavam os outros, pobres, humildes, simples, favelados, pardos, mestiços, ignorávamos, éramos insensíveis, não tinha nada a ver conosco. Agora tudo está cara a cara, paredemeia, e já não podemos fazer nada. Perdemos a guerra. Estamos ferrados?.
-Que tal desligarmos a chata e burra tevê?. Talvez devamos esquecer o celular no cesto de roupas sujas, deixar pra lá o curso de pós-graduação, o cachorro com pedigree que nos toma tempo e espaço precioso, a amante entojada e cheia de nódoas, o Valium genérico, o clube de antas com posses urdidas em rancor, as ações de bandas cambiais, e assumirmos que somos PAIZÕES mesmo que açodados pelo repente imediato de um sinal de alerta? Que tal lermos um romance espetacular com o nosso Júnior cheio de espinhas e indagações incríveis?
Que tal darmos um tempão enorme para os nossos caríssimos descendentes (você se lembra bem deles?) e um outro ótimo tempo precioso para a igreja, a família inteirinha, o viver em paz e bem, pelo diálogo aberto, pela confissão de culpas, pelos pedidos de pão a bel prazer, pensando eleições limpas, posturas novas, experiências ricas, sobrevivência ética, e não consumos, rótulos, e também pensarmos e termos atitudes pelo nosso bem e pelo bem comum?
-Ainda há tempo. Ainda há tempo? Vocês saquem aí.
-O “teen” pelo teen está na cara dele. Ele não tem culpa. E nós não cabemos em nós, comendo mortadela e arrotando atum. O jovem responde em atitudes e têm nojo dos governos(..) que elegemos erroneamente, contando vantagens, lucros certos, sempre de vitórias vazias e idiotizadas pela mídia que engolimos como drops rococós, como pastilhas que somam imbecilidade coletiva, estilo pop mas só pra burro engolir.
-Deixamos os filhotes aos cuidados do mal-remunerado tiofessor, do suspeito pai de rua, do supérfluo Seu Zé da Portaria, da empregada mais carente e problemática ainda, e vamos pelaí a beber, a fazer cursos, a contratar exercícios de aeróbica, fúteis e preocupados com a calvície, as varizes, a obesidade, enquanto estamos perdendo o contato com aqueles que deveríamos amar como se não houvesse amanhã... (Lembrem a canção do roqueiro que morreu...).
-E esses filhos seriam a mensagem que mandaríamos para o futuro... São as possíveis garagens de nossos DNAs em códigos legados, as gardênias de uma futura primavera que nunca acontece porque somos cobaias, frouxos, nos ossos de ofícios de nossas peculiaridades tangentes por berrantes e cincerros de modismos babaquaras.
-Os alunos não têm culpa. A sociedade falsa tem. Os filhos não têm culpa nunca. Os pais responsáveis e inconseqüentes têm. E não têm coragem (o orgulho!) para buscar ajuda depressinha. São todos usados também. Inseguros, despreparados mas não perdem a pose?.
-Os jovens são o que são, puros e simplesmente reflexos... E a nossa consciência? Já fomos jovens. Bem sabemos o que fizemos, o que sacamos, o que pintamos e bordamos, e nem assim mudamos o mundo, nem sequer mudamos à nós mesmos. Reflitamos sobre isso. Hoje, não há regras, tudo requer um insano ritual de realidades paralelas, estranhas, pseudo-esotéricas - ah o défict afetivo! - quando não há sanções, não há limites claros e dignos, não há, perdoem, Referencial.
-O que vamos fazer disso?
-Quanto de besteiras os pais vão consentir, até socialmente falando, antes de abraçarem o Mauricinho imberbe, a Sandy mocinha, recuperando-os dentro de si mesmos, como se verdadeiros e integrais PAIS?
-O que fizermos a nossos filhos, eles farão à sociedade. Radical é a fome!
-Talvez devamos pensar um pouco mais, baixarmos a bola de nosso orgulho tantã, olharmos bem ao nosso redor antes de esticarmos as canelas, sacando bem o que cantou Shakespeere (in, Romeu e Julieta):
“Com as asas leves do Amor/Superareis esses muros(...)/Pois mesmo barreiras pétreas/Não são empecilhos à entrada do Amor/E aquilo que o Amor pode fazer/É exatamente o que o Amor ousa tentar.”

-0-

Poeta Prof. Silas Corrêa Leite, Educador, Jornalista, Escritor Premiado De Itararé-SP
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Educador da Rede Pública e Particular de Ensino. Pós-graduado em Educação, Literatura, Relações Raciais e Inteligência Emocional. Autor do Romance Virtual de sucesso ELE ESTÁ NO MEIO DE NÓS, no site: www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail para contatos: poesilas@terra.com.br
Profissionais da Educação,
Envie suas sugestões, textos, trabalhos, reportagens, opiniões, etc. Eles serão publicados, neste Site, assinados por especialistas como você.
F@le conosco

Home | Anuncie | Publique seu artigo | Normas para publicação | Boletim periódico | Classificados | Cadastre-se | F@le conosco