| ::. Alunos,
Pais e Sociedade Consumista: Ambições
Materiais |
Poeta Professor Silas Correa Leite
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br
Poeta
Prof. Silas Corrêa Leite, Educador, Jornalista,
Escritor Premiado De Itararé-SP
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Educador da Rede Pública e Particular de Ensino.
Pós-graduado em Educação, Literatura,
Relações Raciais e Inteligência Emocional.
Autor do Romance Virtual de sucesso ELE ESTÁ NO
MEIO DE NÓS, no site: www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
Para
Luis Nassif, Heródoto Barbeiro e Marcelo Tas
No
mundo em que vivemos, desde a tal falência das
utopias e, no flanco a neoliberal globalização
inumana que faliu políticas públicas já
precárias, há uma ala tendenciosa que
embasa a ditadura da mídia que promove seu open-doping
e inverte valores, e assim vale tudo no jogo de levar
vantagem em lucros impunes, fundando então um
consumismo insano e, no contexto a ambição
material acima de todos os valores éticos e sócio-comunitários,
principalmente Família, Deus, Solidariedade.
Ambições
materiais que, em famílias com paradoxos e pragmatismos
criam complexos, deformam valores, e, frutos estranhos
de um meio às vezes carentes, crianças,
teens, jovens, principalmente alunos, são resultantes
disso, reflexos disso, acabando a escola por ser um
falso desfile de modismos pueris, de consumismo que
foge do real e, vai por aí a “cabeça vazia”
que o educador tem que avaliar, encher de outros valores
mais magnânimos, mesmo não sendo pai, psicólogo
ou mesmo assistente social e, ainda assim ter que, do
seu jeito, lidar com o problema assim mesmo, se superando
para ter e manter uma visão equacionada muito
bem humanista num meio pressionado pelas mesmas práticas
de uma globalização que valora etiquetas
e grifes e deforma valores adquiridos e fere conquistas
de sentimento de solidariedade.
Vale
mais um tênis de marca do que um livro. Vale mais
um jeans cabritado do que um cedê de jazz, vale
mais uma tatuagem do que a valia de uma ética
cidadã, vale mais o que prega a novela do horário
nobre do que um ato bendito que endossa um meio, uma
equipe, um grupo, um espaço sadio de conquistas
salutares que deve ser e precisa ser a escola mas nem
sempre o é, por conturbadas situações
de políticas que falem o estatal em favor do
privado e em detrimento do povo com suas carências
, e ainda as tais históricas dívidas socais
centenárias impagas desde o fim da Ditadura de
64 e ainda depois da Falência do Plano Real enquanto
multiplicador de incoerências e de devaneios que
iludem os incautos a partir de engodos estatísticos
de néscios.
Ambições
materiais.
Nada
mais preocupante. O professor mal-remunerado e sempre
sob alce de mira de mídias mirabolantes que elegem
nefastos políticos que contribuem com as chamadas
riquezas injustas de um modelo deprimente, recebe a
cota humana para o ano letivo a partir de falências
públicas e resíduos sociais, o ser enquanto
humano chamado aluno cada vez menos formado enquanto
ser, filho, cidadão e pessoa, e tem que estar
ali para ser alvo, pensar rápido, sacar lances,
domar feras sem ser opressivo e ditador, mas sabendo
que a clientela discente é sim, ano após
ano, mal-preparada a partir do lar, de pais com problemas,
de meios danosos, de ambições outras que
não a de Ser mas a de Ter e assim não
adquirir conteúdo e nem estar preparado (e interessado)
nesse enfoque. E assim perdem todos. A escola, o mercado,
o aluno que vai enfrentar a concorrência quando
será só mais um dígito na linha
de produção e linha de crédito.
Na
Ásia, em Londres, na aldeia mais fronteiriça
do Chile, da Europa toda e, claro, também e principalmente
no Brasil, o jovem já vem carimbado: problemático.
A culpa não é da escola – em que pese
mal provida estruturalmente (para não dizer de
professores ganhando menos que policiais) – mas é
na escola o espaço-problema que vai locar situações-limites,
situações-conflitos, e o educador tem
que se virar como pode, resolver na marra, esse é
o modelo, todos são vítimas e os recursos
parcos ou desviados, apesar da propaganda enganosa que
ilude o pior tipo de ignorante que tem, o ignorante
político.
O
aluno está mais preocupado com o tipo de mochila
chique que veste, do que com o caderno, copiar a lição,
saber, ser, aprender, convier. Todos querem aparecer
sem ser. Mal do século, um dos preços
da globalização neoliberal amoral e inumana.
Que tem o grupo, depois gangue, a linguagem depois o
elenco de gírias, o comportamento depois o ataque,
as incoerências depois a agressividade gratuita.
Quem não passou por isso? Quem não testou
seu mestre? Mas os tempos eram outros. Pais eram amigos,
famílias decidiam em paz, o mercado tinha emprego,
professor ganhava igual a um juiz, sabíamos o
que queríamos e, a bem da verdade, depois dos
pais, os mestres eram os melhores amigos dos jovens.
Hoje nem os pais são pais, nem a família
é família, todos fingem e todos se perdem.
O
tempo hoje é quase inimigo da escola. O espaço
é multiplicador de cabeças errantes, drogas,
sexo, mídia apelativa, tudo indo contra o foco
do estudo, o interesse do professor, o que o aluno deveria
aprender que é vítima, mas então
é tirado do caminho do sucesso por só
querer ser sem ser. Antigamente você via um jovem
indo par escola, da mesma maneira que ia para uma igreja.
Polido, esperançoso, consciente, um sonho, um
ideal. Tinha valores. Hoje você vê como
um jovem vai para a igreja qualquer que é obrigado
ou não a freqüentar, mascando chiclete,
de boné, ouvindo walk-man, como se tivesse indo
pruma boca de fumo ou um forró, e assim mesmo
desse jeito pesudomoderno de ocasião que vai
para a escola querendo ser o ator principal de um circo
de aparências, quando pega um professor bom ou
o leva na conversa, ou tem uma didática meio
porra-loca, ou vai bater de frente e, claro, todos saem
perdendo, não é essa a idéia, mas,
principalmente o aluno que precisa daquilo que não
sabe inteiramente que precisa, porque não lhe
deram o mínimo em casa, o essencial: a educação
básica, de berço, de raiz, de meio. O
caráter.
Ambições
materiais.
Esse
é um problema universal, já detectado
no mundo inteiro. Depois do fim das utopias, o fim do
ser pensador enquanto ser pela expressão da palavra.
É cada um por si, todos por todos, como diz a
canção “Vida de gado/Povo marcado/Povo
feliz...” e o aluno triste fruto desse meio, é
só a resposta direta do que reage o jovem pelo
que lhe impingiram com falsidades e simplificações
que vão de pirações a violências
gratuitas. Tá no desenho animado, tá na
moto da hora, tá no produto cabritado, tá
na associação extralar, na falta de limite
que lhe deram, na falta de punição, sanção,
que os pais por não terem moral e visão
de moral também não lhe impuseram como
racionalmente deveriam até por disposição
legal. E o Sem Amor (daí sem caráter)
vira o aluno-problema, depois cidadão fútil,
péssimo ser humano, vítima de si mesmo
e de sua origem, seu meio, sua estrada cheia de tumultos,
acabando por ser refém de improbidades para sobrevivências
possíveis e os pais equivocados culpando a escola,
o governo, o professor, quando escola prepara, não
molda a partir dos primórdios de uma educação
essencial que é fruto de um lar inteiro e sério,
um lar de verdade que poucos têm.
Em
escola particular a concorrência é ruim,
quando um aluno é suspenso, tirado da escola
ou sofre um acidente de percurso, todos os colegas comemoram
um tipo a menos para enfrentar. Na escola pública
é pior, você vê o jovem que mal sabe
soletrar direito uma frase com sujeito, predicado e
verbo querendo cantar em inglês maleixo, ou tendo
celular e não tendo pra quem ligar, de quem receber
chamada e até mesmo de verdade não tendo
nada a declarar, nada a dizer. É apenas um medíocre
símbolo de status jeca quando status mesmo é
falar bem, escrever bem, por conseqüência
disso pensar bem e vencer desafios.
-Meu
filho não sabe nem escrever direito e passou
de ano, chia o pai mais bronco ainda, pobre coitado.
Perguntem em quem ele votou. Pior: analisem o que pensa
e vão ter uma surpresa. E depois aparecem ONGs
oportunistas e suspeitas faturando alto, jornais e revistas
vendendo educação mais como marca, marketing,
do que essencialmente com uma filosofia humanista de
conteúdo, de um – também na escola em
geral – humanismo de resultados. E todos faturam. E
a escola perde. Quando é que vão medir
isso?
Você
compra uma revista de educação moderna
para aprender conceitos contemporâneos, múltiplas
releituras, apreendências, filosofias, técnicas,
didáticas, textos inteligentes, puristas, teorias/praxis
de peso, e lá está a bobinha citação
neo-esóterica de ocasião, a lenda estilo
Paulo Coelho (decadente, portanto), a propaganda enganosa
de um ou outro governo, grana emergente de fundos perdidos
(que continuam em mãos estranhas), todos cobrando
boa educação só da cara falsa pra
fora; todos escondendo espúrias glosas em caixas
pretas de tanto caixa dois, e os professores nunca ganharam
tão mal, nunca foram tão vítima
do sistema injusto com eles do que nesses tempos de
irreais planos reais estatalmente também improbos.
A mentira da globalização neoliberal agrada
a muita gente, rende lucros, todos saem ganhando menos
o aluno que deveria ser o cidadão a evoluir,
mas que fica sentado à beira do caminho, vendo
a história passar e ele ser sacado do time de
sucesso.
Ambições
materiais.
O Cassino
Brazyl S/A só perde com isso. Quem está
ganhando por fora, jogando sujo, fazendo a reprodução
do open-doping de uma mídia viciada em mentira
que atira contra cabeças e mentes que serão
novos feudos de consumos de um futuro sem futuro? |