Quando
eu pegava uma (antiga) Quinta Série e ia fazer
uma aula introdutória de apresentação
avaliativa com a classe toda, em análise de habilidades
básicas, aptidões essenciais, conteúdos
de letramentos (de toda a sorte) e conhecimentos hábeis
para o elo seqüencial do planejado conteúdo
da série/ciclo avante, eu já sabia da
“competência”, ou não, da colega pedagoga
que me antecedeu em ano letivo anterior no comando da
classe que me chegava de atribuição.
Claro
que há mestres bons e mestres com carências
de todos os tipos, de problemas como manejos a espirituais,
de técnicas e limitações, de conteúdos
ou alienações, de didáticas a distanciamentos,
e o pior que notei foi o de falta de atualizações
funcionais do meio e objetivos do meio educativo; alguma
falta de parâmetros, paralelos analíticos
ou mesmo grandes falhas no que deveria ser o profundo
e necessário estágio avaliativo do processo
ensino-aprendizagem da escola pública até
como uma rede sócio-comunitária.
Aluno
lendo, escrevendo, somando, a partir inclusive de sua
bagagem: professores dando conta do recado. Aprovei.
Fazendo por merecer o crédito de profissional
da educação. Sorte nossa. Classe em processo
de ciclo seqüencial. Campo lavrado.
O
mestre deve humanizar o letramento. Fornecer diferentes
tipos de linguagens dentro do processo ensino-aprendizagem,
para que o aluno se reconheça e se aproprie devidamente
disso, e com isso também reforce a construção
paulatina de sua autonomia social, no contexto sócio-educacional
que, certamente o levará a ser crítico
e a ter uma evolutiva consciência cidadã.
Classe
com problemas de déficit educacional: grito de
alerta. Professor, em tese, não passou na “lição”
de passar a lição da classe que é
mesmo, sempre, a devida inter-relação
professor/aluno, metodologia e resultantes. Pipocou
o efeito seguinte da somatória de apreendências.
Falha técnico-educacional.
Claro
que, os mestres aprovados, por assim dizer, estão
sempre atuantes, graciosamente atualizados, mudando
sistemáticas e refinos de meio. Atentos. Informatizados.
Lendo muito. Parar de estudar é estacar a visão,
o limite, o sentido de busca em comum, em conjunto (da
equipe) até. Professores reprovados, normalmente
são reclamões, atrasados, desconfiam de
tudo, quando não enrolam aulas; sempre com um
pé atrás contra o “novo” e o moderno,
quando não problematizados dentro do que preconiza
o próprio psicossomático, alguns estranhamente
ranzinzas, vários quizilentos, sacrificando assim
(também pudera) todo o processo de ensino (tempo
e espaço físico também) que é
abrangente e, avalia sim - na cobrança da reciprocidade
- o lado afetivo do educador.
Com
os alunos carentes sondados, de alguma forma se manifestando,
com o mestre ouvindo sim os tácitos reclamos
dos teens cidadãos, e saca-se o emergente. O
professor é chato. O professor é nervoso.
O professor é lento, devagar quase parando. O
professor enrola. Lê jornal em sala de aula. Faz
tricô. Fuma desesperadamente. Alerta. O profissional
que não gosta de lecionar, que profissional é?
Pior: quando o aluno detecta que professor não
ama, não demonstra isso no toque, no cotidiano,
no dia-a-dia. Não deve ser amado, portanto, aludem
alguns. Tristes, chutam outros. Amar-se a si mesmo,
para repassar esse amor serviçal de produtor
de conhecimento faz parte, rio e canoa no mesmo fluxo
da viagem margem e remanso. Será o impossível?
Como
compor situações assim, desse feitio,
como nódoa num trabalho em equipe escolar? Contemporanizar
para valorar colegas defasados? Cursos. Reavaliações
de percursos. Trocas. Amabilidades. Readaptações.
Dicas. Tratamentos. Alertas, diálogos. Conversar
e estudar juntos, revendo conteúdos, métodos,
metas, conceitos e princípios.
Mudar
o regime, a sistemática, o modus operandi em
classe. Alunos não devem ser cobaias de neuras
sublimadas. Aprender, reaprender. Alunos não
são alvos. São metas a serem atingidas,
por princípios metodológicos funcionais
de alfabetização, letramentos, conteúdos,
avaliações contínuas, conceitos
(revisão dos) e mesmo mudanças radicais
de posturas, linguagens e inter-relações.
Avaliado
o educador, com uma boa visão e disposição
para evoluir, podemos sim, dar de dez a zero na auditoria
funcional. Não devemos é passar recibo pra
estagnação, nem darmos diploma pra ignorância,
antes, revermos conceitos e estarmos pronto para mudanças
radicais, infovias, evoluções, somas. Quem
for bom profissional no ensino público, vai ser
bem avaliado e, assim, quem sabe, até mesmo valorado
e então poder continuar estudando, mudando o ensino
para muito melhor. Essa é a idéia. Esse
é o sonho. Metas e princípios no mesmo contexto.
Professor com prazo e validade vencido? Reciclagem nele.
Os seres humanos não têm peças de
reposição. O educador, se auto-avaliando,
pode estar sempre na vanguarda, na dianteira. Assim é
que se faz. Começar de novo, como diz a balada
de Ivan Lins, pois vai valer a pena, então, ter
esse exercício de sonho, de luta e trabalho profissional.
Vai valer a pena ter se reconhecido inteiro e pleno nessa
profissão magna de Educador!