::.
Como
trabalhar com alunos portadores de grandes dificuldades
de
aprendizagem |
Janete
Leony Vitorino
Licenciada em História pela Universidade
do Estado de Santa Catarina, UDESC. Pós graduada
em Psicopedagogia pela Universidade do Sul de Santa Catarina,
UNISUL. Professora da Faculdade de Educação
de Joinville - FEJ em cursos de Pós-Graduação
ministrando a disciplina Psicologia do Desenvolvimento
e da Aprendizagem Infantil.
Email: janetepsicopedagoga@yahoo.com.br.
Alguns
de nossos alunos possuem dificuldades que ultrapassam
as possibilidades comuns de aprendizagem.
Esses alunos, muitas vezes exige do trabalho da escola
e dos professores algumas medidas excepcionais.
Pode-se considerar como exemplo destas medidas: Classe
especializada em atender este tipo de alunado, um apoio
pedagógico extra classe ou as práticas
de apoio psicopedagógico, integrada à
sala de aula.
Para tanto o ideal seria um trabalho voltado para a
consciência de equipe, para então, encontrar
recursos para atender estes alunos, sem em momento algum
excluí-lo de sua integração, evitando-se
assim, à exclusão.
Tratando-se das competências, percebe-se que os
professores deverão com o tempo, apropriar-se
de uma parte dos saberes dos professores de apoio especializado,
mesmo que nem todos exerçam esta função
permanentemente.
Isso tudo pressupõe não só competências
mais precisas em didática e em educação,
mas também capacidades relacionais que permitam
enfrentar sem desestabilizar e nem desencorajar o professor.
Segundo Perrenoud, 2000, p.61: "Analisando a cultura
profissional dos professores de apoio experientes, suas
competências, representações, atitudes,
saberes, obtém-se a seguinte listagem de habilidades
que um professor que se propõe realizar este
trabalho deve representar".
- Saber observar a criança na situação,
com ou sem instrumentos.
- Dominar um procedimento clínico (observar,
agir, corrigir, etc.)
- Saber construir situações didáticas
sob medida (mais a partir do aluno do que do programa).
- Saber negociar/explicitar um contrato didático
personalizado.
- Praticar uma abordagem sistêmica.
- Estar acostumado à idéia de supervisão,
estar consciente dos riscos que se corre e se faz correr
em uma relação de atendimento.
- Respeitar um código explícito de deontologia
mais do que apelar para o amor pelas crianças
e para o senso comum.
- Estar familiarizado com uma abordagem ampla da pessoa,
da comunicação, observação,
intervenção e da regulação.
- Ter domínio teórico e prático
dos aspectos afetivos e relacionais da aprendizagem
e possuir cultura psicanalítica básica.
- Saber que, muitas vezes, é necessário
abandonar o registro propriamente pedagógico
para compreender e agir de modo eficaz.
- Saber levar em conta mais os ritmos dos indivíduos
do que os calendários das instituições.
- Estar convencido de que os indivíduos são
todos diferentes e o que funciona para um não
funcionará necessariamente para outro.
- Fazer uma reflexão específica sobre
o fracasso escolar, as diferenças pessoais e
culturais.
- Dispor de boas bases teóricas em psicologia
social do desenvolvimento e da aprendizagem.
- Participar de uma cultura que se encaminhe para uma
forte profissionalização, um domínio
da mudança.
- Ter o hábito de considerar as dinâmicas
e as resistências familiares e de tratar com os
pais como pessoas complexas, mais do que como responsáveis
legais de um aluno.
Esta
listagem de competências e habilidades não
deseja em momento algum transformar professores em "psicoterapeutas".
"Essas habilidades enfatizam não só
um atendimento mais individualizado, um método
mais clínico, com instrumentos conceituais deferentes
daqueles mobilizados para gerir um grupo" (Perrenoud,
1991).
Referência
Bibliográfica
PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para
ensinar; trad. Patrícia Chittoni Ranos - Porto
Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.
|