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Considerações
sobre o aprender e o não aprender
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Mara Musa Soares Silveira
Graduada em Filosofia com Especialização
em Psicopedagogia Clínica e Institucional.
O cérebro humano é uma estrutura complexa.
Nele encontra-se o córtex cerebral, onde cada
região microscópica é responsável
por uma função diferente. (O pensamento;
a memória, a percepção; a linguagem
e habilidade motora). Estas regiões comunicam-se
entre si, trocando mensagens e dados mediados por substâncias
denominadas neurotransmissores; formando uma rede complementar
de informações.
Para aprender faz-se necessário o envolvimento
do Sistema Nervoso Central (SNC), que é formado
pelo cérebro, que divide-se em áreas.
O lobo frontal é a área do cérebro
ligada à concentração, ao planejamento
e a iniciativa. O hipocampo localiza-se no lado temporal,
que é a área do cérebro onde iniciai-
se a memorização verbal.
O cerebelo é a região responsável
pelo senso de equilíbrio e assim como o córtex
motor, tem a função de coordenar os movimentos.
O Lado Parietal é responsável pela percepção.
Tem como função processar informações
relacionadas as noções de espaço
e volume. O Lobo Ocipital é o centro da visão.
Uma de suas funções é fazer com
que a pessoa possa diferenciar objetos de cores e texturas
semelhantes. A medula espinhal é responsável
pela transmissão dos impulsos. O axônio
envia informações, os dentritos e o corpo
celular recebem e processam. O processo de aprendizagem
ocorre no cérebro e o processo intelectual é
que dar sentido as coisas.
Alguns autores dividem as dificuldades de aprendizagem
em primárias e secundárias. As primárias
são aquelas cuja causa não pode ser atribuída
à elementos psiconeurológicos bem estabelecidos
ou esclarecidos. Dentro dessas disfunções,
teríamos os transtornos de Leitura, da Matemática,
da expressão escrita, bem como os transtornos
da linguagem falada.
As dificuldades de aprendizagem consideradas secundárias
são aquelas conseqüentes de alterações
biológicas específicas e bem estabelecidas.
Em relação as alterações
biológicas, digo, neurológicas, teríamos
as lesões cerebrais, Paralisia Cerebral, Epilepsia
e Deficiência Mental. Envolvem também os
sintomas sensoriais, através da Deficiência
auditiva, hipoacusia, deficiência visual e ambliopia.
Dentro das causas biológicas teríamos,
as situações de dificuldade de aprendizagem
conseqüentes de outros problemas perceptivos que
afetam a discriminação, síntese,
memória e relação especial.
Em relação aos problemas de comportamento
destacam-se o Transtorno de Déficit de Atenção
e Hiperatividade e o Transtorno Desafiador e opositivo.
Quanto aos de ordem emocional que favorecem as dificuldades
de aprendizagem, temos a Depressão Infantil e
a ansiedade (de separação) na infância.
Embora as crianças estejam suscetíveis
à maioria dos transtornos emocionais encontrados
nos adultos, muitos acreditam que as crianças
não têm problemas. Outros acreditam ser
falta de correção enérgica dos
pais, como também a falta de limites.
De acordo com a Lei Pública Americana, (PL. 94.
142), dificuldade de aprendizagem específica
significa uma perturbação em um ou mais
processos psicológicos básicos envolvidos
na compreensão ou utilização da
Linguagem falada ou escrita, que pode manifestar-se
por uma aptidão imperfeita de escutar, pensar,
ler, escrever, soletrar ou realizar cálculos
matemáticos. O termo inclui condições
como deficiências perceptivas, lesão cerebral,
disfunção cerebral mínima, dislexia
e afasia de desenvolvimento. No entanto, o termo exclui
as crianças portadoras de problemas de
aprendizagem decorrente de deficiência visual
auditiva e motora; deficiência mental oriundas
de problemas emocionais ou relacionadas a um deficitário
ambiente sócio cultural econômico.
Segundo o DMS. IV, os transtornos de aprendizagem são
diagnosticados quando os resultados dos testes padronizados
aplicados individualmente na Leitura, na Matemática
e na Expressão Escrita estão abaixo do
esperado para a idade, escolarização e
nível de inteligência da turma.
A CID. 10, predominantemente no capítulo intitulado
"Transtorno do Desenvolvimento das Habilidades
Escolares", descreve como sendo os transtornos
nos quais as modalidades habituais de aprendizado estão
alteradas desde as primeiras etapas do desenvolvimento.
Logo, observa-se que, o comprometimento não é
somente conseqüência da falta de oportunidade
de aprendizagem ou de retardo mental. Também
não é ocasionado devido a traumatismo
ou doença cerebral.
Com o objetivo de proteger as crianças ou adolescentes
contra atitudes discriminatórias por parte dos
pais e instituições escolares, alguns
psicopedagogos denominam a dislexia como "uma disfunção
específica de Leitura e Escrita". Nas dificuldades
relacionadas a matemática, descrevem como sendo
uma disfunção específica na compreensão
Matemática.
Diante dos estudos realizados acerca do aprender e do
não aprender, parece consensual a imperiosa necessidade
de se identificar, tratar e/ou prevenir o mais cedo
possível as dificuldades de aprendizagem; de
preferência ainda na pré-escola. É
de suma importância uma avaliação
global da criança ou adolescente, considerando
as diversas possibilidades de alterações,
que resultam nas dificuldades de aprendizagem.
O tratamento deverá ser o mais específico
e objetivo possível, já que, todo caso
é um caso. Nem toda dificuldade de aprendizagem
é causada por lesões cerebrais; ou seja,
nem todo distúrbio é perceptível
e comprovado, através de exames neurológicos.
Os sintomas de algumas síndromes podem estar
relacionadas com as falhas no processamento das informações
necessárias para a aprendizagem do conteúdo
estudado.
Enfim, não se deve tratar o não aprender
como problemas que nunca poderão ser resolvidos;
antes disso, deve-se encarar como desafios que fazem
parte do próprio processo de aprendizagem.
Na realidade temos visto, que a família só
é mobilizada a procurar ajuda especializada para
suas crianças, quando fica evidente ou ameaçado
o rendimento escolar e a aprendizagem.
As dificuldades de aprendizagem continuam a ser alvo
de uma grande quantidade de alunos com problemas escolares.
No entanto, o apoio que estes necessitam ainda hoje
é praticamente inexistente e muitas vezes são
geradores de graves prejuízos favorecendo cada
vez mais para a evasão escolar e conseqüentemente
a marginalização social.
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VASCONCELOS, José Gerardo (Org.). Filosofia,
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