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Dever
de casa, para filhos ou pais? |
Zuleide Blanco Rodrigues
Graduada em Pedagogia (PUC-SP), pós-graduada em
Educação (PUC-SP) e leciona no Colégio
FMU.
E-mail: zuleide.blanco@bol.com.br
Esta é uma pergunta que nós, educadores,
ouvimos com freqüência de pais preocupados
em dar o melhor atendimento possível a seus filhos
em casa. Certamente, falamos de "dever de casa"
para filhos, acompanhados pelos pais.
Com o intuito de auxiliar aos pais nessa tarefa, sugerimos
que, na medida de suas possibilidades, providenciem um
local que tenha boa claridade, seja organizado e, no momento
do trabalho infantil, esteja afastado de divertimentos
que tirem sua atenção.
Interessante e eficaz é ter em casa uma gramática
da língua portuguesa, um dicionário (escolar),
atlas geográfico e histórico, livros de
assuntos diversos, revistas e jornais que sirvam ao trabalho
de consulta, recorte e colagem.
Vivemos dias atribulados hoje e, uma necessidade cada
vez maior de que pais e mães trabalhem fora, por
estes e outros motivos torna-se importante encontrar,
na semana, momentos para dialogar com os filhos sobre
o que têm aprendido na escola, quais as matérias
que mais gostam, que assuntos lhes despertam maior curiosidade
etc. Os filhos precisam sentir o interesse, carinho, atenção
dos pais por seu aprendizado, por suas conquistas ou dificuldades;
muito mais do que pelas respostas prontas aos exercícios
de casa.
Os pais não precisam saber procedimentos pedagógicos
desenvolvidos na escola para acompanhar as lições
de seus filhos, mas podem ajudar muito mostrando-se presentes,
não ficando ansiosos por resolver ou aprontar os
deveres de casa. Esta ansiedade pode levar ao risco de
não se chegar ao aprendizado do que precisa ser
aprendido e, suscitar divergências de orientação,
desequilibrando ainda mais a criança.
Mais uma vez, salientamos que é importante o acompanhamento
atencioso e a colaboração carinhosa dos
pais na realização das atividades de casa.
Não se trata de "fazer para as crianças",
mas estimulá-las e ajudá-las a chegarem,
com seu trabalho pessoal, às descobertas, ao conhecimento,
à formação de hábitos saudáveis,
ao fortalecimento da autonomia e desenvolvimento de responsabilidades.
Crianças que estão acostumadas a realizar
pequenas tarefas domésticas, como arrumar o quarto,
preparar a mochila da escola, organizar seus pertences
no armário ou estante, geralmente assumem mais
facilmente seus deveres escolares. A falta de disciplina,
como testemunham os próprios alunos, é responsável
por grande parte do baixo desempenho acadêmico.
Alunos sem rotina de estudo costumam ler, uma ou duas
vezes, toda a matéria, um dia antes das avaliações.
Os resultados, nestes casos, não são, nem
poderiam ser bons.
A orientação de planejar o dia pode vir
dos pais. Para um aluno que estude no período da
manhã, por exemplo, chegar da escola, almoçar,
estudar e só depois brincar com os amigos, jogar
videogame, praticar esportes, ir ao clube. Quando os pais
chegam em casa, tomar banho, jantar, conversar com a família,
assistir TV e dormir, reservar-se, pelo menos, oito horas
de sono tranqüilo e reparador.
Pelos conhecimentos que venho acumulando, e com a certeza
de uma parceria na formação de gente, ouso
sugerir aos pais o "fazer bem" a nossa parte,
desta forma colaborando com o crescimento e o desenvolvimento
de nossas crianças em prol de uma sociedade e um
país melhores e, também, nos conscientizarmos
de que educar é um ato contínuo de aprendizado,
que evolui com uma orientação correta e
experiência de vida.
"[...]
mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão."
(Carlos Drummond de Andrade) |