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Dificuldade
de Aprendizagem e Família: construindo novas
narrativas |
Elizabeth
Polity*
Psicopedagoga, Terapeuta de Família, Mestre em
Educação, Doutora em Psicologia
INTRODUÇÃO
É sempre muito desafiador iniciar um trabalho
que combina o resultado de uma pesquisa com a prática
que é construída no fazer profissional.
Este teve origem na dissertação apresentada
para a obtenção do título de Mestre
na área de Educação. Sua execução
foi o produto de muita reflexão sobre as atividades
que desenvolvo em uma Instituição escolar,
que atende crianças com a queixa de Dificuldade
de Aprendizagem, juntamente com o trabalho que desenvolvo
em consultório particular, com famílias,
aliados aos meus estudos acadêmicos.
SÍNTESE
TEÓRICA
Iniciarei
com um levantamento a cerca das diferentes definições
sobre dificuldade de aprendizagem. Acredito ser esta
uma abordagem interessante e que nos permite ampliar
a maneira de nomearmos o problema. Vale mencionar, que
ao nomearmos estamos no campo da lingüística
e que portanto são construções
sociais que visam tornar mais fácil a comunicação,
não tendo entretanto a pretensão à
verdade única e absoluta.
A definição desenvolvida pelo Comitê
Nacional de Dificuldades de Aprendizagem (EEUU) é
a seguinte:
Dificuldade de Aprendizagem é um termo genérico
que se refere a um grupo heterogêneo de desordens,
manifestadas por dificuldade na aquisição
e no uso da audição, fala, leitura, escrita,
raciocínio ou habilidades matemáticas.
Estas desordens são intrínsecas ao sujeito,
presumidamente devido a uma disfunção
no sistema nervoso central, e pode ocorrer apenas por
um período na vida .
Problemas de controle de comportamento, percepção
social e interação social podem existir
junto com as dificuldades de aprendizagem, mas elas
não constituem por si só uma desordem
de aprendizagem.
Embora dificuldades de aprendizagem possam ocorrer concomitantemente
a outras condições desfavoráveis
( retardo mental, séria desordem emocional, problemas
sensórios - motores ) ou influencias externas
( como diferenças culturais, instrução
insuficiente ou inapropriada) elas não são
o resultado dessas influencias ou condições.
A dificuldade de aprendizagem, quando de origem biológica,
pode ser bastante definida e clara, nos levando a supor
que a área emocional e o ambiente familiar não
tiveram nenhuma participação no seu aparecimento
e determinação. Boa parte dos problemas
que esbarramos nesta área - lentidão de
raciocínio, falta de atenção, desinteresse,
etc.. - encontram suas origens na biologia e sobretudo
na biologia exposta ao meio ambiente.
Mesmo as teorias mais organicistas e baseadas na neuropsicologia,
como afirma Ratey (1997), admitem que os distúrbios
mentais, mesmo brandos, podem se tronar muito piores
em respostas a um ambiente cheio de ruídos, a
uma família ruidosa. Este é um dos importantes
motivos pelos quais responsabilizamos os pais pelos
problemas dos filhos; porque o nível de funcionamento
dos pais sempre altera o problema - com base biológica
ou não - do filho. A criança hiperativa
se tronará mais hiperativa, a deprimida mais
deprimida, a autista mais autista, quando a família
funciona desta forma.
Alícia Fernandez, (1990) em vários momentos
do seu livro A Inteligência Aprisionada, nos traz
uma visão mais global das Dificuldades de Aprendizagem,
onde existe a articulação entre inteligência
e desejo; entre família e sintoma. Ela diz: Se
pensarmos no problema de aprendizagem como só
derivado do organismo ou só da inteligência,
para sua cura não haveria necessidade de recorrer
à família. Se, ao contrário, as
patologias no aprender surgissem na criança ou
adolescente somente a partir de sua função
equilibradora do sistema familiar, não necessitaríamos,
para seu diagnóstico e cura, recorrer ao sujeito
separadamente de sua família. Ao considerar o
sintoma como resultante da articulação
construtiva do organismo, corpo, inteligência
e a estrutura do desejo, incluído no meio familiar
(e determinado por ele) no qual seu sintoma tem sentido
e funcionalidade ...é que podemos observar o
possível "atrape" da inteligência.
Audrey Souza refere-se a Dificuldade de Aprendizagem
, como sendo um impedimento de um bom desempenho intelectual,
vinculado a problemáticas emocionais associados
a conflitos familiares não explicitados. (Souza,
1995)
Ë preciso também se considerar, os efeitos
emocionais que essas dificuldades acarretam, agravando
o problema. Se seu rendimento escolar for sofrível,
a criança talvez seja vista como um fracasso
pelos professores ou colegas, e até pela própria
família. Infelizmente, muitas dessas crianças
desenvolvem uma auto-estima negativa, que agrava em
muito a situação, e que poderia ser evitada,
com o auxílio da família e de uma escola
adequada.
No meu entender, a dificuldade de aprendizagem tem causas
e desenvolvimentos múltiplos, exigindo pesquisas
em diversos campos do conhecimento, para que se tenha
uma visão mais ampla sobre esse tema. Ela pode
ter uma origem orgânica, intelectual/cognitiva,
emocional (incluindo-se aí a estrutura familiar/relacional),
sócio-cultural; porém, o que se percebe
na maioria dos casos é que há um entrelaçamento
destes fatores, responsável pela complexidade
da situação.
Dificuldade de aprendizagem, na literatura especializada,
é um termo genérico que se refere a um
grupo heterogêneo de desordens, manifestadas por
dificuldades na aquisição e no uso da
audição, da fala, da leitura, da escrita,
do raciocínio ou das habilidades matemáticas.
Problemas de controle de comportamento, percepção
e interação social podem coexistir.
As dificuldades de aprendizado também podem ocorrer
em concomitância com outras condições
desfavoráveis (retardo mental, séria desordem
emocional, problemas sensório-motores) ou, ainda,
serem acentuadas por influências externas (como,
por exemplo, diferenças culturais, instrução
insuficiente ou inapropriada) não sendo, necessariamente,
o resultado dessas condições.
Por isso, tanto nas considerações caso
a caso, como numa casuística mais ampla, encontrar
um fio condutor para explicar a multiplicidade de sintomas
é, às vezes, impossível, mesmo
para os especialistas. O que responde por este fato
é que esta complexa e ampla sintomatologia corre
paralela a igualmente complexa rede de possibilidades
que a originam.
Crianças tolhidas por uma dificuldade de aprendizagem,
na maior parte das vezes, têm o seu desempenho
escolar comprometido. Sabe-se que nunca há uma
causa única para o fracasso escolar, mas uma
conjunção de fatores que, num determinado
momento, interagem, imobilizam o desenvolvimento do
sujeito e do sistema familiar/escolar/social. É
importante não confundir dificuldade de aprendizagem
com fracasso escolar.
Em resumo, nomeio a dificuldade de aprendizagem como
um conjunto de sinais, de origem bio-psicossocial, calcados
em algumas constituintes básicas: a criança,
a família, a escola e o meio social (Polity,
2001).
Ao fazer este trabalho, como educadora e terapeuta familiar,
pretendi compreender e descrever a relação
do sujeito aprendente com sua família e destes
com a aprendizagem. Mencionei em minha obra anterior,
como julgo importante que o educador tenha conhecimento
daqueles com que vai trabalhar. (A quem se ensina?,
in Polity, Ensinando a Ensinar, 2a edição,
2003). Pretendi ainda, abrir um novo espaço de
conversação entre a Família e a
Escola, com o intuito de olhar para as condições
de aprendizagem de forma a abarcar um contexto mais
amplo, e assim poder re-significar as dificuldades que
surgem neste processo.
APRESENTAÇÃO
Definir
Dificuldade de Aprendizagem, como vimos, não
é tarefa das mais simples. Muitas são
as causas que concorrem para seu aparecimento e outras
tantas são as formas como se manifestam. No entanto,
algumas características são normalmente
encontradas nas crianças ou jovens com este diagnóstico:
dificuldade de raciocínio ou lentidão,
dificuldade de simbolização, atraso no
desenvolvimento cognitivo em comparação
a crianças da mesma faixa etária, dificuldade
de socialização, entre outros. E o que
aparece mais evidentemente em decorrência destes
fatores é o que denominamos de fracasso escolar.
A criança em idade escolar sabe que precisa ter
sucesso nos estudos. Isso é exigido por seus
pais, familiares, colegas, professores, pela sociedade
como um todo. O sucesso opõe-se ao fracasso,
e este implica num juízo de valor, num julgamento
que deve corresponder a um ideal.
Esse ideal normalmente é ditado por valores familiares
que são transmitidos de geração
em geração. Há famílias
de engenheiros, que se espera do filho mais velho que
também o seja. Há famílias de advogados,
de médicos ou de negociantes, onde o destino
da criança já está selado nem bem
ela nasceu. Pode-se observar aqui o papel dos mitos
familiares que tentam a construção de
uma realidade irreal desejada para a continuação
da história familiar.
Quando se atende uma família cuja queixa é
a Dificuldade de Aprendizagem de um de seus membros,
em geral um dos filhos, faz-se mister construir um espaço
de escuta respeitosa, onde se possa observar o processo
de um plano mais amplo. Começamos por perguntar
como é:
¨ Estrutura Familiar, isto é, qual a composição
da família, organização fraterna
( a ordem, o sexo, as idades), quais as pessoas significativas
para o grupo, que convivem, ou não na mesma casa;
¨ Adaptação ao Ciclo Vital, isto é,
quais os eventos relacionados à evolução
natural do grupo, como a família reage a eles,
como cada membro enfrenta essas mudanças, eventos
externos e internos ao grupo que tem alguma significação;
¨ Alianças e Coalizões existentes
no grupo, quem é leal a quem, quem se une com
quem, contra quem,quais as alianças e triangulações
existentes no sistema familiar;
¨ Padrões de Repetição que
determinam a formação e/ou rompimento
de vínculos afetivos, influenciando sobremaneira
no funcionamento e na hierarquia familiar;
¨ Equilíbrio e Desequilíbrio considerando-se
seu funcionamento regular, ou seja, quais as expectativas
para cada um de seus membros, papéis, estilo
de funcionamento, padrões de comunicação
e temas recorrentes, que pertencem ao imaginário
do grupo; como manejam os segredos, o que é visto
e como é permitido o crescimento e a diferenciação;
¨ Significado que a família confere às
crenças, aos valores, aos mitos, que geram mandatos
relativos ao saber.
Ao procurarmos entender a família como um todo,
estaremos valorizando o aspecto de Globalidade do sistema,
que difere do somatório das partes (teoria Geral
dos Sistemas) e o aspecto de Reciprocidade, onde cada
membro influencia e é influenciado pelo comportamento
dos outros. Desta forma, poderemos nos aproximar daquelas
questões familiares que interferem de maneira
contundente no desenvolvimento da criança ou
do jovem.
A colocação do indivíduo no espaço
familiar, dentro de uma perspectiva geracional (vertical)
e dentro de um contexto atual (horizontal), permitem
a formação de um quadro mais amplo para
o entendimento das dificuldades de aprendizagem.
Quando um indivíduo nasce, ele não vem
ao mundo como uma tela em branco mas sim, inserido numa
história familiar que compreende várias
gerações e recebe uma série de
missões e projeções dos pais avós
e família extensiva (Bowen, 1978).
O conceito de missão está ligado aos conceitos
de legado e lealdade desenvolvido por Boszormenyi &
Nagy (1983), que evidenciam o quanto forte e poderosa
pode ser o legado destinado à criança,
impedindo-a muitas vezes de se relacionar com o conhecimento
e com o saber .
Se escolhêssemos reduzir a problemática
humana a uma só palavra, esta seria separação,
diz Groisman (1999). Pois o ser humano é gerado
em uma união, gestado em união, mas para
ser reconhecido em sua existência precisa separa-se.
Eu ousaria dizer, que mais que separação,
estamos falando de identidade, que só pode ser
conseguida através do equilíbrio entre
pertencimento e separação.
A necessidade de pertinência, de se sentir incluído
num grupo, é uma necessidade básica do
ser humano. Minuchin(1993) diz que a família
é o contexto natural para crescer e receber auxílio,
onde cumpre o seu papel de garantir a pertença
e ao mesmo tempo promover a individualização
do sujeito. Aprender requer que possamos nos separar,
pelo menos em parte, dos nossos pais e construir um
saber próprio, que ao mesmo tempo que nos dá
pertencimento, pois o compartilhamos com outros membros
do grupo. Isso demanda de nós um certo grau de
autonomia e individualidade, que por sua vez nos permitem
elaborar nossa própria identidade.
A patologia, ao expressar-se em um dos membros do sistema,
que se oferece como canal escoador, representa dialeticamente
a tentativa de manutenção daquele equilíbrio
organizacional, ou segundo Hoffman, (1981), a patologia
surge quando se instala uma situação de
duplo vínculo numa etapa de necessária
transformação familiar. Assim o sintoma
expressaria ao mesmo tempo a necessidade de mudar e
a proibição em faze-lo.
A pouca diferenciação entre os membros
da família leva a uma confusão de papéis
que provoca perturbações na estrutura
hierárquica da família, com inversões
nas quais os filhos se tornam "pai" e os pais
se tornam "filhos", ou, são todos irmãos,
sem haver uma divisão nítida de papéis.
Quando a família nuclear não se separara
o suficiente das respectivas famílias de origem,
não estabelecem o que Minuchin chama de fronteiras
geracionais, dificultando a diferenciação
de seus membros. (Minuchin, opus cit.)
A criança com Dificuldade de Aprendizagem, que
é o objeto de nosso estudo, está na maior
parte das vezes situada numa família onde seu
discurso não encontra um sentido. A ela, muitas
vezes cabe a função de carregar o peso
da história do grupo. Esta função
pode ser demasiado difícil e ela não conseguir
dar conta. É quando surgem os sintomas: notas
baixas, falta de atenção, dificuldade
ou lentidão de raciocínio. "Ele fica
nas nuvens";" Nunca traz as lições,
seus cadernos estão incompletos"; Não
faz nada durante as aulas, parece que eu falo com as
paredes" ; comentam os professores.
Cada grupo familiar introduz expectativas e valores
sobre como o filho deve ser, como deve se comportar
e passa, mesmo sem o saber, os sonhos sobre a vida profissional
futura da criança. Desde seu nascimento começam
as profecias (acho que ele será um grande economista,
como o avô), os mandatos (somos uma família
de advogados, esperamos que ele siga a mesma profissão;),
as comparações (ele deve se esforçar
para tirar notas boas como o irmão), as lealdades
(meus pais são analfabetos, acho que também
não preciso estudar muito) os segredos (minha
mulher e eu achamos melhor não lhe falar nada
sobre a adoção). Todas estas situações
marcam profundamente o desenvolvimento futuro da criança
impondo-lhe tarefas que estão em desarmonia com
suas capacidades, aptidões ou mesmo desejos.
Para que uma criança aprenda é necessário
que ela tenha o desejo de aprender. E que sobretudo
o desejo dos pais a autorizem. Como diz Maud Mannoni,
numa belíssima metáfora, "as crianças
andam não só porque tem pernas mas porque
seus pais assim o permitem."
Bowby (1993) afirma que a existência de uma criança
com problema representa uma ruptura para os pais. As
expectativas construídas em torno do filho normal
tornam-se insustentáveis. Vistos como uma projeção
dos pais, estes filhos representam a perda de sonhos
e esperanças e a obrigatoriedade em lidar com
as limitações fazem com que muitos pais
se sintam despreparados para a tarefa que devem assumir.
Assim, pode surgir um padrão rígido de
comportamento, onde o tempo não pode passar,
dando lugar a mecanismos constantes e repetitivos no
intuito de manter o sistema paralisado e impedir que
o grupo evolua de um estágio para outro.
No trabalho com as famílias, nos deparamos então
com algumas questões: qual a relação
da família na formação e manutenção
do sintoma; qual a função do sintoma para
este grupo familiar?; o que este sintoma quer dizer?;
quais as pessoas implicadas ? E ainda, com relação
à aprendizagem: o que a família aprende?;
como ela se relaciona com o saber?; como a família
lida com as dificuldades que surgem no aprender? e sobretudo,
porque não aprender é significativo para
este grupo, em particular?
Ao pesquisar e construir junto com a família
sua história em relação ao saber,
contribuímos no processo facilitador para que
cada membro reconte seu percurso, descrevendo os fatos
à sua maneira, e sobretudo a significação
destes para a vida do sujeito. Ao elaborar narrativas
sobre seu movimento no Ciclo Vital, a família
pode resgatar um pouco da sua história, onde
o sintoma passou a ser descrito como tendo um sentido
neste sistema.
Embora ainda não tenha mencionado, quero ressaltar
a importância do profissional que acompanha a
criança e sua família (professor, psicopedagogo,
terapeuta) como co-responsável por essa realidade
que observa. Estando implicado no sistema e colaborando
para a construção da realidade que descreve.
À
GUISA DE ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao
longo de seu Ciclo Vital, o ser humano traz dentro de
si, muitas famílias: a da sua infância,
a da sua adolescência, a da sua fase adulta, com
filhos e netos, e em todas elas a herança dos
padrões de relação familiar é
seu legado mais forte. Ser bem sucedido, do ponto de
vista intelectual (poder aprender e fazer uso do conhecimento,
como uma apropriação legítima),
está intimamente ligado à forma como o
funcionamento destas famílias internas e de suas
relações atuais, constroem seu contexto
de aprendizagem.
A criança vem inscrita numa trama de expectativas
familiares, e muitos dos pais que se vêem às
voltas com a frustração de ter um filho
diferente, tendem a estabelecer vínculos disfuncionais
que não ajudam-na a se desenvolver. Algumas vezes,
na tentativa de super protegê-la, encobrem sua
raiva e frustração, outras vezes, colocam-na
num plano de menos valia, determinando para ela, através
de mitos, mandatos, lealdades, uma incompetência
que está muito longe de corresponder à
realidade e com isso, a mantém eternamente infantilizada,
sem autorização para desenvolver o potencial
que apresenta. Existe ainda aqueles que colocam expectativas
inatingíveis, sem levar em conta o potencial
da criança.
Percebo que existe um processo de luto subjacente, quando
do nascimento e/ou desenvolvimento de uma criança
que poderia ser nomeada como disfuncional, seja ela
física, emocional ou intelectual; ou ainda a
combinação de todos esses aspectos. Processo
esse, que nem sempre é bem elaborado pela família,
agravando o quadro já existente.
Sabe-se de pais, zelosos e cuidadores, que fazem uma
verdadeira peregrinação por consultórios
de especialistas, na esperança de conseguir algum
tipo de ajuda para o filho, estando eles mesmos engajados
e dispostos a colaborar. Entretanto, na minha experiência,
percebo com freqüência, famílias que
não consideram a relação vincular
como decisiva para a evolução do processo,
tentando colocar sempre no "outro" a causa
do problema e não se permitindo enxergar a possibilidade
de progresso da Família, como Sistema. Como diz
Sara Pain (1982), "o absolutismo parental transforma
o transitório em definitivo, pois raramente a
expectativa de cura está colocada na modificação
do vínculo".
O que observei ao longo de meu percurso profissional
é que, muitas vezes, não é suficiente
ter capacidade intelectual para aprender. É necessário
também, que se acompanhe de um contexto relacional
favorável, que permita desenvolver as competência
e tolerar as limitações.
Pensando sobre o que eu nomeio por Dificuldade de Aprendizagem,
e considerando-a sob a óptica das relações
familiares, constato que muitas vezes, a compreensão
do contexto mais amplo não torna a criança
mais inteligente mas, possibilita que se formem novas
construções, que redefinem a carga de
responsabilidade, distribuindo aquilo que anteriormente
denominávamos de sintoma, por todos os envolvidos:
família, escola, comunidade terapêutica,
meio social, formando uma verdadeira rede relacional.
E desta forma, permite-se a construção
de narrativas mais poderosas - criadas em torno das
competências e da resilência - tanto para
a criança como para sua família.
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BOSZORMENYI
& SPARKS, Ivan e Geraldine, Lealtades Invisibles,
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*
Elizabeth Polity
Psicopedagoga
Terapeuta de Família
Mestre em Educação
Doutora em Psicologia
Ex- Diretora da Associação Brasileira
de Psicopedagogia
Diretora da Associação Paulista de Terapia
Familiar
Coordenadora do CEOAFE
Professora- formadora do Instituto Sistemas Humanos
Diretora do Colégio Winnicott - Al. Campinas,
1111, fone/fax: 884-3765 SP
Autora
dos livros:
Ensinando a Ensinar - São Paulo, Ed. Lemos, 1997.
2a Edição. Ed. Vetor, 2003
Psicopedagogia:
um enfoque sistêmico - terapia Familiar nos distúrbios
de aprendizagem (org.), São Paulo, Ed. Empório
do Livro, 1998, 2a Edição, Ed. Vetor,
2004
Dificuldade
de Aprendizagem e Família: construindo novas
narrativas, São Paulo, Editora Vetor, 2001
Dificuldade
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Ed. Vozes, 2003
Psicopedagogia- diversas faces, múltiplos olhares.
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Ainda existe a cadeira do Papai ? Considerações
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