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::. Educação e Novas Tecnologias
Profa. Dra. Lucí Hildenbrand
Licenciada em Biologia (UFRRJ), M.Sc em Educação/Tecnologia Educacional (UFRJ), Ph.D.em Comunicação/ Radio e Tv.(USP); especialista em Campanhas de Saúde Pública, Consultora e Assessora de Projetos em Tecnologia Educacional ; Educomunicação; Comunicação, Educação e Saúde. Docente da UFRRJ, UNIG e UNESA.
E-mails: lucihildenbrand@uol.com.br / luci.h@ig.com.br


O impacto do título do artigo fica a cargo de uma única palavra - novas - grifada, ainda, por sua flexão plural. Na verdade, torna-se impactante porque nem a educação nem as tecnologias são novas; elas remontam aos primórdios da constituição das diversas sociedades e culturas humanas.

Desta sorte, a partir dos períodos históricos em que a presença do homem se fez constante, tanto a educação quanto a tecnologia também se fizeram presentes ainda que de modos rudimentares. Se uma e outra, então, não são consideradas novidades, como entender o emprego do adjetivo novo segregando as duas palavras? Alías, mais do que isto: como entender o que é posto, se o termo antecede apenas ao último apresentado?

A construção da resposta pode ser iniciada de modo bastante simples: dizer que um bem é novo significa comunicar que ainda não fora destinado a servir ao fim para o qual fora concebido. Diversamente a existência de um novo bem suscita a idéia de que algo, até então indisponível ou impensado, passa agora a existir e está destinado ao uso. Por conseguinte, novas tecnologias são tecnologias criadas na recenticidade e, sendo assim, integram-se às outras pré-existentes.

Quanto ao número delas ou mesmo o nome que têm, a expressão vocabular não se ocupa em aclarar isto, deixando em aberto a questão para o leitor. Desta forma, possibilita que novas e novas tecnologias de informação e comunicação (TIC), surgidas nesta época de rápida evolução tecnológica, sejam agregadas sob a mesma égide: a das tecnologias informáticas ou de última geração.

Surgem, pois, no conjunto das novas possibilidades comunicativas, ferramentas síncronas e assíncronas. Se as primeiras, por se processarem em tempo real, não dispensam a presença física dos agentes comunicativos em interação, estejam eles instalados no mesmo espaço físico ou não, as segundas não possuem tais requisitos. Dentre as grandes similaridades a se destacar estão a de que ambas as modalidades requerem a mediação tecnológica e a de que tais ferramentas estendem o tempo da relação professor-aluno e aluno-aluno, em se tratando de seu emprego nas situações convencionais do ensino e da aprendizagem da educação formal.

O elenco das diferenças existentes é bem vasto, como também o é o das vantagens e limitações associadas a cada uma das ferramentas disponíveis. A opção por uma modalidade comunicativa ou outra recai, necessariamente, sobre as possíveis tecnologias educacionais que abarcam, o que implica buscar conhecer cada parte do conjunto para que a escolha pedagógica seja a mais procedente possível, isto é, atenda aos anseios da proposta instrucional.

Com o advento das TIC, a comunicação educativa, inerente à prática pedagógica, ganhou novo ânimo, pois chats, fóruns, listas de discussão e blogs, dentre tantos, passaram a ser percebidos como elementos passíveis de utilização didático-pedagógica.

A relação de ferramentas citadas não é e nem pretende ser exaustiva na medida em que as novas tecnologias são tantas e tão numerosas que, certamente, não há como elencá-las na totalidade. É provável mesmo que, no mundo de hoje, não exista pessoa humana que conheça a todas elas. Estamos, assim, todos expostos a um contínuo descobrir destas novas tecnologias; a estabelecer com elas uma permanente relação de busca e de curiosidade, vez que, sob a guarda de uma forma pluralizada, o adjetivo desafia o desejo humano de descobrir, de investigar, de romper com a inércia imposta pelas soluções definitivas para as questões que temos.

Fora todos os ganhos imediatos que podem ser relacionados a partir da exposição do sujeito aprendente a estas inúmeras ferramentas, há que se registrar, ainda, as profundas alterações nas estruturas psíquicas e cognitivas do homem, quando as mesmas mostram-se mais complexificadas, refinadas, evoluídas. E, em decorrência destas modificações nas estruturas mentais, resultam novas habilidades para compreender, desvelar, interagir, contribuir para a transmudação do meio em que se vive. Deste modo, situados num novo patamar, poderemos intervir em searas que, até então eram-nos alheias. Portanto, novas ferramentas levam a novas habilidades mentais, que, diferenciadas das que dispunhamos anteriormente, favorecem um novo modo de estar no mundo, de influenciá-lo e de sujeitar-se à sua influência.

Há, pois, uma relação dialética entre os sujeitos cognoscentes e os objetos tecnologizados que, lançados na sociedade pelo próprio homem, são tomados como objeto de desejo que precisam ser conhecidos e integrados à sua vida. Tudo isto envolve um conjunto de construções e desconstruções mentais, tornando, cada um de nós atores mais autênticos deste mundo em mudança, fato que se manifesta no grau de participação e responsabilidade com que nos assumimos frente a ele.

Navegar pelos novos ares ou mares do conhecimento já não se faz sozinho: mais do que nunca, precisamos dispor das novas tecnologias para tornar a vida humana melhor e, além delas, necessitamos também de novos pares que nos ajudem a descobri-las, a assimila-las e dar-lhes o sentido de uso que mais nos convier.
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