Desta
sorte, a partir dos períodos históricos
em que a presença do homem se fez constante,
tanto a educação quanto a tecnologia também
se fizeram presentes ainda que de modos rudimentares.
Se uma e outra, então, não são
consideradas novidades, como entender o emprego do adjetivo
novo segregando as duas palavras? Alías, mais
do que isto: como entender o que é posto, se
o termo antecede apenas ao último apresentado?
A
construção da resposta pode ser iniciada
de modo bastante simples: dizer que um bem é
novo significa comunicar que ainda não fora destinado
a servir ao fim para o qual fora concebido. Diversamente
a existência de um novo bem suscita a idéia
de que algo, até então indisponível
ou impensado, passa agora a existir e está destinado
ao uso. Por conseguinte, novas tecnologias são
tecnologias criadas na recenticidade e, sendo assim,
integram-se às outras pré-existentes.
Quanto
ao número delas ou mesmo o nome que têm,
a expressão vocabular não se ocupa em
aclarar isto, deixando em aberto a questão para
o leitor. Desta forma, possibilita que novas e novas
tecnologias de informação e comunicação
(TIC), surgidas nesta época de rápida
evolução tecnológica, sejam agregadas
sob a mesma égide: a das tecnologias informáticas
ou de última geração.
Surgem,
pois, no conjunto das novas possibilidades comunicativas,
ferramentas síncronas e assíncronas. Se
as primeiras, por se processarem em tempo real, não
dispensam a presença física dos agentes
comunicativos em interação, estejam eles
instalados no mesmo espaço físico ou não,
as segundas não possuem tais requisitos. Dentre
as grandes similaridades a se destacar estão
a de que ambas as modalidades requerem a mediação
tecnológica e a de que tais ferramentas estendem
o tempo da relação professor-aluno e aluno-aluno,
em se tratando de seu emprego nas situações
convencionais do ensino e da aprendizagem da educação
formal.
O
elenco das diferenças existentes é bem
vasto, como também o é o das vantagens
e limitações associadas a cada uma das
ferramentas disponíveis. A opção
por uma modalidade comunicativa ou outra recai, necessariamente,
sobre as possíveis tecnologias educacionais que
abarcam, o que implica buscar conhecer cada parte do
conjunto para que a escolha pedagógica seja a
mais procedente possível, isto é, atenda
aos anseios da proposta instrucional.
Com
o advento das TIC, a comunicação educativa,
inerente à prática pedagógica,
ganhou novo ânimo, pois chats, fóruns,
listas de discussão e blogs, dentre tantos, passaram
a ser percebidos como elementos passíveis de
utilização didático-pedagógica.
A
relação de ferramentas citadas não
é e nem pretende ser exaustiva na medida em que
as novas tecnologias são tantas e tão
numerosas que, certamente, não há como
elencá-las na totalidade. É provável
mesmo que, no mundo de hoje, não exista pessoa
humana que conheça a todas elas. Estamos, assim,
todos expostos a um contínuo descobrir destas
novas tecnologias; a estabelecer com elas uma permanente
relação de busca e de curiosidade, vez
que, sob a guarda de uma forma pluralizada, o adjetivo
desafia o desejo humano de descobrir, de investigar,
de romper com a inércia imposta pelas soluções
definitivas para as questões que temos.
Fora
todos os ganhos imediatos que podem ser relacionados
a partir da exposição do sujeito aprendente
a estas inúmeras ferramentas, há que se
registrar, ainda, as profundas alterações
nas estruturas psíquicas e cognitivas do homem,
quando as mesmas mostram-se mais complexificadas, refinadas,
evoluídas. E, em decorrência destas modificações
nas estruturas mentais, resultam novas habilidades para
compreender, desvelar, interagir, contribuir para a
transmudação do meio em que se vive. Deste
modo, situados num novo patamar, poderemos intervir
em searas que, até então eram-nos alheias.
Portanto, novas ferramentas levam a novas habilidades
mentais, que, diferenciadas das que dispunhamos anteriormente,
favorecem um novo modo de estar no mundo, de influenciá-lo
e de sujeitar-se à sua influência.
Há,
pois, uma relação dialética entre
os sujeitos cognoscentes e os objetos tecnologizados
que, lançados na sociedade pelo próprio
homem, são tomados como objeto de desejo que
precisam ser conhecidos e integrados à sua vida.
Tudo isto envolve um conjunto de construções
e desconstruções mentais, tornando, cada
um de nós atores mais autênticos deste
mundo em mudança, fato que se manifesta no grau
de participação e responsabilidade com
que nos assumimos frente a ele.