No mundo complexo da educação,
especialmente nos dias de hoje onde estudos diversos
são feitos com amplitude e alguma profundidade,
é inegável, sobejamente claro que, os
factores família e escola são de uma determinância
e peso extremamente marcantes.
Apesar das diverssíssimas conclusões e
trabalhos realizados por inúmeras individualidades,
organismos e instituições, dinamizados
pelos vários processos de investigação
mais recentes; para além de toda a espécie
de estratégia pedagógica aplicada com
o objectivo de minorar as turbulentas vicissitudes sócio-escolares
da massa estudantil ao nível da escolaridade
obrigatória e não só, quer se queira
ou não, a família e a escola sempre foram,
são e continuarão a ser (deviam ser) as
bases estruturais de uma edificação educacional
forte, consistente, compacta e preparadora do jovem
para as dificuldades cada vez maiores da coexistência
humana, em qualquer dos planos dinâmicos do seu
desenvolvimento gradual.
Hoje, a escola, começa a ser cenário de
afecção psicológica para alguns
alunos e a família um instrumento social desarticulado.
A escola é (começa a ser) de certo modo
indesejada, e a família um ambiente desmembrado
e por isso desarmonioso. Actualmente, ambas se apoiam
em estruturas oblíquas, oscilantes e propensas
a impulsos degeneradores e, consequentemente, involutivos.
As suas dinâmicas inconscientes, carentes de um
amparo reformador global autêntico, insistente
e progressivo, afastam na escola a criança dos
mais indispensáveis requisitos de afectividade
e desenvolvimento interior, no mais puro sentido dos
termos; na família, está patente, por
influenciação social, um arrastado processo
de auto-desintegração que vai impedindo,
até à obstrução total, a
inserção no infante e no adolescente,
dos ideais sublimes e dos valores autênticos da
Vida e do Ser.
"A escola e os seus processos,
estão neste crucial momento planetário,
necessitados de sujeição a transformações
que facultem ao ser humano a sua própria dignidade
pessoal integra."
Não podemos esperar mais, em
períodos de transição tão
séria como a que vivemos, que pseudo-reformas
inconsistentes e vazias de destinos e objectivos repetidamente
aplicados, a nada levem no contexto da formação
integral do ser humano que é, sempre foi e será
o alicerce dos povos, das sociedades e das civilizações.
O homem de hoje perdeu por completo (se é que
alguma vez possuiu) o sentido de unidade, por inter-relação,
entre o micro e o macrocosmo. Mergulhado no
ênfase do avanço tecnológico, hipnoticamente
absorvido por uma infinidade de apetências de
índole prazeiral e consumista, demoniacamente
obcecado pela luta concorrencial nos meios de produção,
"apanhado" pelos sonhos de (pseudo) liberdade
e por outras ninharias efémeras, títulos
temporais, etc., torna-se, lenta mas irreversivelmente,
indiferente à necessidade imprescindível
de questionar o mundo à sua volta e buscar o
seu desenvolvimento humano intrínseco, a verdadeira
Jóia da Vida. O homem de hoje, já não
sabe auscultar os encantos de uma natureza de que faz
parte e que vai assassinando gradual e teimosamente.
Não sabe igualmente de onde veio, não
sabe porque cá se encontra e, tão pouco,
(o que é mais grave) para onde vai...
Torna-se assim urgente resgatar valores desvirtuados
senão perdidos, através de um sistema
educacional adequado, fundamental e propiciador de esperanças
num Novo Homem para um novo mundo face a uma Nova Era,
já em rolagem no tempo.
De que servem as estatísticas de fachada ostentando
números discutíveis de (in)sucesso num
ensino que continua a metralhar as jovens mentes das
crianças e adolescentes com temáticas
de valor(?) imediato e de necessidade sempre questionável?
Para conquistar afanosa e fanaticamente um lugar na
universidade, que lhe dê um canudo (apenas) para
rotulagem social, ou lugar na famigerada prateleira
do desemprego? Dos variadíssimos aspectos a questionar
neste contexto, este podia permitir a partida para essa
discussão segundo os defensores da chamada pedagogia
holística que objectiva alcançar o desenvolvimento
psico-espiritual do ser humano, em prol da descoberta
de si próprio e da sua razão de existir,
estruturando desta forma e na sociedade uma verdadeira
consciencialização humana e, por consequência,
o atrás referido resgate de valores perdidos.
Não é mais admissível "ensinar
coisas" informando e assistindo paralelamente a
comportamentos de rancôr, ódio e violência
na família e na sociedade. As crianças
transportam sensibilidades apuradas, captam e registam
a adversidade do mundo que as rodeia de uma forma superior,
embora silenciosamente, contraindo por vezes traumas
irremediáveis; sente-se já nelas algum
do indiferentismo reinante nos adultos à propriedade
do bem e do amor universal, quais botões de rosa
em murchidão, no jardim descuidado da existência...
Relativamente à família, a "Escola-Mor",
está crivada pelas balas da indiferença
e do banalismo anarquista vivencial, sendo também
um pouco vítima da irresponsabilidade do poder
político dos governos, quase sempre inconscientes
nas suas decisões preventivas e protectoras.
É dilacerante, cruelmente ignóbil e de
consequências sociais imprevisíveis, a
banalização social do divórcio,
que veicula as pessoas directamente responsáveis,
os pais, para níveis de indiferença e
irresponsabilidade jamais constatados; mas, o mais doloroso
de toda essa condenatória postura, é o
gerar de cenários infernais nas mentes dos filhos
assim abandonados à sorte do mundo e deles próprios,
e, dessa forma, entregues a um destino irremediavelmente
infeliz em toda a acepção da palavra.
Se conseguíssemos, por fracções
do segundo apenas, "escutar" essa convulsiva
e torturante "orquestra de frustração",
angústia e desespero, trocaríamos conscientemente
as nossas conveniências egoístas, apoiadas
na falsa base da razão auto-reclamada, pelo dever
e amor que juramos no momento sagrado do matrimónio.
O bípede humanóide, deleita-se na busca
hipnótica e desenfreada dos voluptuosos prazeres
da vida, degenerando-se e inculcando em si próprio
uma postura consequente à psicologia do fácil,
do saboroso, do imediato e do mais. Tudo isto despido
da ausência das boas e tradicionais regras de
conduta que, como a sedimentação, a longo
prazo estratifica e solidifica ideais, elabora bons
carácteres, enrijece vontades e transforma radicalmente
personalidades, canalizando assim o ser humano para
consequências imprevisíveis de cuja responsabilidade
a escola não se pode ilibar. Revitalize-se a
pedagogia do profícuo diálogo, promova-se
a dinâmica do bom exemplo e o resto virá
por acréscimo ... Torneie-se a audiência
televisiva atacando o virus "telenovélico",
cambiem-se os programas de infracultura e o degenerador
cinema de violência e pornografia. Lute-se pelo
cultivo do convívio ameno, volatilizado hoje
pela apetência da tecnologia dos média
e, se possível, ore-se em grupo ou a sós,
mesmo contemplando um pôr do Sol ou ouvindo a
"música das esferas", a música
de Mozart, Beethoven ou Bach...
A família é a base da estirpe social,
mas hoje parece já corpo definhado, chagado e
doente; contudo, se o homem quiser, pode ser ainda o
desejável e poderoso veículo transportador
da harmonia, da compreensão e da Paz, em si e
no mundo.
Ensinar é, tem de ser sempre um acto de amor
consciente, e se assim for entendida a difícil,
complexa e nobre missão educativa, a reforma
revolucionária e concreta, profícua e
objectiva, seria norteada por princípios simples,
desmunidos de interesses ambíguos, estereotipos
intelectualizados e intelectualizantes, facções
elitistas, currículos distorcidos, lobis ou similares.
Assim, enveredar-se-ia pelo ensino de conteúdo
justo, adequado às necessidades do elemento aluno
e do colectivo local social, direccionada aos talentos
inatos, ao ensino do amor com amor, o que será
dizer, ensinar-se com a prática do exemplo nobre
em detrimento de objectivos teóricos, marasmáticos,
aversivos, improfícuos e desvirtuadores.
Estude-se a personalidade da criança, através
de um registo paciente, desde o pré-escolar ou
anterior, pormenorizado e constante, para se poder lidar
correctamente com a mesma e ir ao encontro de um modelo
de procedimento leccional de dados culturais consonantes
com a sua vontade, entusiasmo, capacidades e tendências.
Seria isto uma programática efectiva, sob a directriz
de um verdadeiro paradigma de contruções
educativas evolutivas, em substituição
de reformas experimentais ou prática e inculcação
de teorias subjectivas sem resultados positivos ou proveitos
benéficos. Fuja-se de tudo o que contribua para
a aversão às aulas, para a indiferença
e bloqueio de vontades nos alunos, para o suicídio
lento, silencioso e invisível, mas incontestável
da sociedade já decrépita porque desvirtualizada,
e descrente em conquistas atemporais por se encontrar
oca de fé.
Os valores humanistas escasseiam como
herança, mas não em potencial para as
novas gerações, e a Nova Era, em processo,
será radicalmente selectiva nesse contexto. Daí
que se torne urgente modificar o estado de coisas por
via de reformas revolucionárias no microcosmo-homem,
em direcção a uma vivência mais
sã porque mais livre, mais sublime e mais alegre,
porque mais fraterna e amorosa.
Pela Paz e pela Vida!!!