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Para Adultos: A Bagagem de Cada Um é a Base
Para a Docência |
Poeta Professor Silas Correa Leite
Site pessoal: www.itarare.com.br/silas.htm
E-mail - poesilas@terra.com.br
Poeta
Prof. Silas Corrêa Leite, Educador, Jornalista,
Escritor Premiado De Itararé-SP
Membro da UBE-União Brasileira de Escritores
Educador da Rede Pública e Particular de Ensino.
Pós-graduado em Educação, Literatura,
Relações Raciais e Inteligência Emocional.
Autor do Romance Virtual de sucesso ELE ESTÁ NO
MEIO DE NÓS, no site: www.hotbook.com.br/rom01scl.htm
O
Mestre Paulo Freire já nos dava lições
de sabedorias vivenciadas a partir de uma prática
educacional ético-humanitária, postulando
o modus operandi do processo ensino-aprendizagem a partir
da denominada “bagagem” inerente do próprio aluno.
Uma
criança no seu aprendizado inicial tem que passar
pela docência do toque, do gestual, do olhar;
reforçado pelo afeto do laço bilateral
que elenca a chamada missão no letramento, dentro
do que preconizam as aprendências lúdicas,
cognitivas.
Um
“teen” no ensino fundamental tem que aprender além
dos conteúdos oficiais da grade curricular, necessários
fundamentos sobre ética, cidadania e habilidades
a partir da interdisciplinaridade nas matérias,
e ainda temas transversais enfocando a formação
e a integração social.
No
Ensino Médio a práxis tende a ser redimensionada
pela própria receptividade do aluno em seu tempo
especial de travessia, de mudanças, de questionamentos,
e, no Curso Noturno para adultos, então, mais
do que nunca, o Educador que professa a aula, deve,
antes mesmo de começar a trabalhar o planejamento
das lições, avaliar a clientela escolar,
seu meio, suas carências e especificidades, e,
principalmente, cientificar-se da chamada “bagagem”
adquirida de cada aluno, daí, então, partir
para a matéria, o necessário conteúdo
propriamente dito.
O
aluno adulto do Curso Noturno de qualquer unidade escolar
normalmente trabalha, tem uma gama de compreensão
sócio-cultural, tem uma receptividade diferenciada,
estuda para completar um ciclo atrasado, a fim de um
aprendizado-aprimoramento complementar todo especial,
excluído que eventualmente foi em ano letivo
qualquer para a necessária sobrevivência
possível.
Tem
lá as suas habilidades peculiares, os conhecimentos
adquiridos pela vida, precisa apenas apensar ao seu
trabalho e à sua realidade de vivências
a essência dos programáticos conteúdos
primordiais, complementares, pois o seu tempo urge,
está defasado por algum motivo ou razão
subsistencial, teve que tardiamente descobrir nele próprio
o interesse para voltar à sala de aula em horário
de descanso num sacrificial turno extra, portanto, devemos
inspirá-lo nesse seu novo recomeço, acrescentando
aí um fomento especial ao que ele já sabe,
já traz consigo. Esse é o foco.
Você
não ensina o beabá, vogais e consoantes,
relevos e regras de rigor formal, conceitos ou teorias
de ocasião, mas, apensa ao conhecimento de cada
um aquele acervo complementar básico entre a
teoria e a prática imediatista, com trabalhos
diretos e abrangentes para o momento emergencial dele,
em circunstancia importante, num mundo globalizado que
mundializa conceitos, teorias, e recursos indiretos
de inclusões como infovias, dentro de um neoliberalismo
bancado pelo império da nova ordem econômica
que, é bem verdade, trará seqüelas
àquele que não se aperfeiçoa, não
se enquadra, não tem diplomas; passou de ano
sem saber, sem pensar a produção de conhecimento,
ou fez da simples decoreba um recurso que resultou infrutífero
pra a aplicabilidade prática. São novos
tempos, a realidade é outra. Técnicas
de ensino também.
Nesse
contexto é que precisamos completá-lo
enquanto ser cidadão, in/formá-lo direta
e objetivamente, influenciá-lo bem, provê-lo
dentro de uma visão ético-comunitária
de perspectivas sociais, tentando formar o aluno principalmente
enquanto ser humano que se integre definitivamente à
sociedade concorrencial também de contrastes
sociais e de riquezas injustas.
São
Paulo – da força que ergue e destrói coisas
belas (como bem cantou Caetano Veloso) – é um
espelho pluridimensional de todos os vários brasis,
reflexos periféricos aqui se manifestam em rupturas
e culturas pan-regionais. O aluno tem que bem sacar
seu meio, se inserir nele como raiz de matriz original.
Da favela à periferia sociedade anônima,
do camelô ao capital estrangeiro, do migrante
discriminado aos horizontes de mudanças, da historicidade
emergente à geografia midiática, será
sempre nesse fito primordial o ensino-aprendizagem noturno
enquanto processo dinâmico, focado num prisma
novo, porque um processo de ensino deve sempre revisto,
principalmente porque da casa do aluno à escola
há um ambiente que se ergue brutalmente, e ele
às vezes não compreende – e precisa compreender
– desde o narcotráfico à violência
que está sujeito; desde as aulas cabuladas à
inclusão social a partir da comunidade escolar,
mais a descoberta desse meio interativo, para então
e a partir disso, acrescentar vasto conhecimento modificador
de seu próprio curso seqüencial de vida.
Essa é a idéia.
O
aluno dos ciclos básicos ainda, você o
pega pela mão, ajuda, cativa-o pelo afeto da
didática primordial, pelas contentezas que devem
ser peculiares às regências de aulas.
No
Ensino Noturno você pega o aluno pela palavra,
pelo incentivo, pelo seu jeito, pela aula viva, alegre,
gostosa – ele tem direito legal a isso – você
desperta nele o interesse pelo seu também jeito
diferenciado de ensinar (ou não fará sentido),
com metodologias variadas, música, teatro, cinema,
histórias em quadrinhos, raps, danças,
jogos, tudo isso visando, com a instrumentalização
desses novos manejos, formar o cidadão que reflete
o que recebe, que escreve o que pensa, que produz textos,
ele mesmo evoluindo na escrita e na conscientização
de sua importância.
Então
o professor também especial nesse contexto participativo
de trocas e somas tem que ter paciência diferente,
atitudes estimuladoras, valer-se sabiamente de todo
o seu aparato nesse curso e horário; a aula precisando
ser ministrada com lógicas novas, e, sim, o professor
também se valendo de competentes textos atuais,
modernos, interessantes, bonitos, graciosos.
Curso
para adultos é para quem sabe o que quer. Para
quem sabe o que faz. Para quem faz bem feito. Para quem
gosta de lecionar profissionalmente bem e se completa
no outro, na sintonia de conquistar a classe; numa prática
hábil para que tenha um retorno em potencial
nesse propósito.
Só
é feliz quem se faz feliz naquilo que faz, assim
também faz feliz aquele com o qual se relaciona.
Boa
aula, Professor! |