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::. E por falar em público... como vai a nossa comunicação?
Profa. Dra. Lucí Hildenbrand
Licenciada em Biologia (UFRRJ), M.Sc em Educação/Tecnologia Educacional (UFRJ), Ph.D.em Comunicação/ Radio e Tv.(USP); especialista em Campanhas de Saúde Pública, Consultora e Assessora de Projetos em Tecnologia Educacional ; Educomunicação; Comunicação, Educação e Saúde. Docente da UFRRJ, UNIG e UNESA.
E-mails: lucihildenbrand@uol.com.br / luci.h@ig.com.br


É evidente que, em última instância, toda e qualquer mensagem visa atingir determinado segmento populacional denominado público-alvo.

A expressão não é recente nem tampouco desconhecida para as distintas categorias profissionais, o que se revela com facilidade, pois toda produção acadêmica pretende alcançar grupo social específico.

Assim, programas de uma mesma rádio ou emissora de tevê, por exemplo, pretendem que, num certo dia e horário, seus ouvintes ou telespectadores sejam pessoas integrantes de um conjunto de sujeitos dotados de perfil já definido, conjunto que delineia o público pretendido.

Sabemos que meios de comunicação mediatizam a maioria das relações comunicativas junto às inúmeras parcelas da sociedade. Revistas, internet, fotografias, entrevistas em programas de rádio, textos impressos em boletins, livros ou jornais são mera fração do elenco das tecnologias que, parecendo infindáveis, fazem tal mediação.

Certamente neste contexto comunicativo-educacional, as palavras orais ou escritas estão entre os elementos mais correntes, apesar de seu uso devido não ter se mostrado tarefa simples nem mesmo aos que, teoricamente, deveriam ter um bom domínio da língua.

Lidar com um idioma rico, extenso e complexo como o nosso é, por si, um desafio, pois seu uso singular depende, em parte, do rigor adotado na seleção de cada termo, considerando não só o texto em que se insere, mas também o contexto a que se refere.

Assim, o conhecimento do universo lingüístico, incorporado no curso da comunicação, é quesito elementar para a conversão do pensável no dizível e do dizível no compreensível.

A humildade - cabe grifar, qualidade essencial à construção e consolidação do espírito científico, também considerada básica nas instâncias da codificação e decodificação de mensagens - viabilizará o acesso à diversidade da língua propiciando o contato com palavras ou expressões nunca vistas ou ouvidas e a busca de seu exato sentido.

Depurar o olhar e o ouvir para receber palavras orais e/ou escritas, presentes em quaisquer meios ou materiais de educomunicação, é condição sine qua non para que o falante ou o leitor dirija a palavra própria a determinado grupo.

Falar bem e escrever bem são artes que se aprendem gradualmente; artes passíveis de serem rebuscadas como se fossem cristais de verdade. Ambas pressupõem assumir uma relação com a palavra absolutamente incomum, pois exigem que cada construção lingüística seja pensada, elaborada, revisada, analisada, refletida para que favoreça a construção e a reconstrução do conhecimento veiculado.

Falar e escrever bem pressupõe despojar-se da condição de quem conhece e domina a própria língua; pressupõe disposição para viver a ousada aventura de descobrir a língua materna atentamente, a partir da consulta às principais fontes de informação, pois somente elas guardam os tons do saber em todas suas nuanças. Pressupõe, em fim, alimentar o desejo de avançar no território inerente ao código lingüístico, vez que tal domínio é capaz de viabilizar a unidade e a simplicidade do discurso, a riqueza e a exatidão dos termos escolhidos, a clareza e a logicidade que a palavra exata e concisa encerra.

Falar e escrever ajustadamente a um público é pôr em prática o exercício do pensar; de um pensar refinado, especializado, porque há de se efetivar o fluxo comunicativo entre os pólos engajados na atividade, exercendo a interação. É este pensar distinto, transmudável e específico, que nos permite elaborar textos únicos para públicos particulares. Não se pode falar a iletrados, adotando linguagem hermética, restrita aos que têm grande leitura. Similarmente, não procede dirigir-se aos homens de vasta cultura como se fossem pessoas libertas e destituídas delas. Em Ortega y Gasset há um sábio ensinamento que diz 'eu sou eu e minhas circunstâncias'. Se isto é verdade irrefutável, importa saber a quem se dirige a palavra, a mensagem, o texto, a comunicação. Quem produz comunicação o faz sob um dado contexto experiencial do mesmo modo daquele que a ela se expõe. O homem nunca se ausenta, se desvincula ou rompe com as raízes que o conectam ao seu mundo, à sua realidade. E este fato não pode ser desprezado, ignorado ou perpassado por quem se quer assumir um autêntico comunicador.

Se for preciso, então, não titubeie em revisar sua linguagem, em ajustá-la, aprimorá-la, sujeitá-la a mais profunda lapidação, o que não se pode é pretender comunicar no vazio, considerando um outro ideal, irreal, destituído de vida, de história, de imagens, de memórias, de cultura... enfim, de todas as coisas que o tornam humano acima de tudo. Pense nisto toda vez que for se dirigir a alguém: não se perca na grandeza do meio mediatizador; encontre-se em si mesmo para que, de modo inteiro, possa dizer-se e fazer-se comunicar.
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