A expressão não é recente nem
tampouco desconhecida para as distintas categorias profissionais,
o que se revela com facilidade, pois toda produção
acadêmica pretende alcançar grupo social
específico.
Assim, programas de uma mesma rádio ou emissora
de tevê, por exemplo, pretendem que, num certo
dia e horário, seus ouvintes ou telespectadores
sejam pessoas integrantes de um conjunto de sujeitos
dotados de perfil já definido, conjunto que delineia
o público pretendido.
Sabemos que meios de comunicação mediatizam
a maioria das relações comunicativas junto
às inúmeras parcelas da sociedade. Revistas,
internet, fotografias, entrevistas em programas de rádio,
textos impressos em boletins, livros ou jornais são
mera fração do elenco das tecnologias
que, parecendo infindáveis, fazem tal mediação.
Certamente neste contexto comunicativo-educacional,
as palavras orais ou escritas estão entre os
elementos mais correntes, apesar de seu uso devido não
ter se mostrado tarefa simples nem mesmo aos que, teoricamente,
deveriam ter um bom domínio da língua.
Lidar com um idioma rico, extenso e complexo como o
nosso é, por si, um desafio, pois seu uso singular
depende, em parte, do rigor adotado na seleção
de cada termo, considerando não só o texto
em que se insere, mas também o contexto a que
se refere.
Assim, o conhecimento do universo lingüístico,
incorporado no curso da comunicação, é
quesito elementar para a conversão do pensável
no dizível e do dizível no compreensível.
A humildade - cabe grifar, qualidade essencial à
construção e consolidação
do espírito científico, também
considerada básica nas instâncias da codificação
e decodificação de mensagens - viabilizará
o acesso à diversidade da língua propiciando
o contato com palavras ou expressões nunca vistas
ou ouvidas e a busca de seu exato sentido.
Depurar o olhar e o ouvir para receber palavras orais
e/ou escritas, presentes em quaisquer meios ou materiais
de educomunicação, é condição
sine qua non para que o falante ou o leitor dirija a
palavra própria a determinado grupo.
Falar bem e escrever bem são artes que se aprendem
gradualmente; artes passíveis de serem rebuscadas
como se fossem cristais de verdade. Ambas pressupõem
assumir uma relação com a palavra absolutamente
incomum, pois exigem que cada construção
lingüística seja pensada, elaborada, revisada,
analisada, refletida para que favoreça a construção
e a reconstrução do conhecimento veiculado.
Falar e escrever bem pressupõe despojar-se da
condição de quem conhece e domina a própria
língua; pressupõe disposição
para viver a ousada aventura de descobrir a língua
materna atentamente, a partir da consulta às
principais fontes de informação, pois
somente elas guardam os tons do saber em todas suas
nuanças. Pressupõe, em fim, alimentar
o desejo de avançar no território inerente
ao código lingüístico, vez que tal
domínio é capaz de viabilizar a unidade
e a simplicidade do discurso, a riqueza e a exatidão
dos termos escolhidos, a clareza e a logicidade que
a palavra exata e concisa encerra.
Falar e escrever ajustadamente a um público
é pôr em prática o exercício
do pensar; de um pensar refinado, especializado, porque
há de se efetivar o fluxo comunicativo entre
os pólos engajados na atividade, exercendo a
interação. É este pensar distinto,
transmudável e específico, que nos permite
elaborar textos únicos para públicos particulares.
Não se pode falar a iletrados, adotando linguagem
hermética, restrita aos que têm grande
leitura. Similarmente, não procede dirigir-se
aos homens de vasta cultura como se fossem pessoas libertas
e destituídas delas. Em Ortega y Gasset há
um sábio ensinamento que diz 'eu sou eu e minhas
circunstâncias'. Se isto é verdade irrefutável,
importa saber a quem se dirige a palavra, a mensagem,
o texto, a comunicação. Quem produz comunicação
o faz sob um dado contexto experiencial do mesmo modo
daquele que a ela se expõe. O homem nunca se
ausenta, se desvincula ou rompe com as raízes
que o conectam ao seu mundo, à sua realidade.
E este fato não pode ser desprezado, ignorado
ou perpassado por quem se quer assumir um autêntico
comunicador.