Via
de regra, os promotores das ações definem
aspectos gerais que devem ser levados em conta na produção
textual, dispensando, não raramente, abordagens
mais profundas.
Aprender
a escrever é, em grande parte, aprender a pensar,
aprender a encontra idéias e concatená-las.
Por isso, esclarecimentos adicionais sobre a construção
textual são sempre bem-vindos ao trabalho de
qualquer profissional, pois a complexidade, a diversidade
e o refinamento do nosso idioma são bastantes
para, se percebidos e valorados com propriedade, garantir
a adequada comunicação com o leitor. Sendo,
portanto, o domínio lingüístico de
tão grande importância, é obvio
que ele se torna requisito básico para a elaboração
eficiente de textos escritos, que, dentre outras características,
carecem adotar vocabulário preciso e criterioso
capaz de suprir a ausência dos recursos mímicos
da fala e das flexões processadas pela voz.
Desta
sorte, a qualidade de nossas produções
escritas está atrelada a um consistente conhecimento
da língua materna e ao permanente desejo de proceder
à ampliação deste saber lingüístico.
A
diversidade vocabular, certamente, é elementar
para a adequada fluência do texto, o que pressupõe
a formação do hábito que nos leva
à rotineira utilização de dicionários.
Aliás, a consulta a eles interfere decisivamente
na justa compreensão e/ou expressão das
idéias, opiniões e sentimentos, pois somente
palavras adequadas podem assumir pleno significado no
contexto em que se situam. Quando ligadas entre si,
bem como ao texto e ao contexto a que remetem, condicionam
e são condicionadas pelos termos que as circundam
e com os quais se relacionam.
Embora
Rabaça e Barbosa (1987) não deixem de
assinalar que distintos fatores interferem na produção
textual (tema, objetivos, público-alvo e meios
de comunicação adotados), os autores dão
relevo a uma série de atributos que, de forma
semelhante, devem ser considerados nas diversas comunicações
escritas: clareza redacional; concisão de idéias;
precisão, exatidão, densidade, variedade
e simplicidade das palavras e expressões empregadas;
objetividade, brevidade e coerência textual; redação
em estilo simples (natural) e ritmado, com o intuito
de encerrar as variações de intensidade,
de emoção, de velocidade no raciocínio,
julgadas essenciais ao fazer comunicativo.
A
palavra de ordem, por conseguinte, é coerência
textual e para se obtê-la, torna-se necessário
planejar o desenvolvimento das idéias, pondo-as
de tal forma que atendam ao propósito da comunicação,
interligando-se por meio de conectivos e partículas
de transição. Ordem e transição
constituem, pois, os principais fatores de coerência.
Como
os textos escritos compõem-se de palavras e palavras,
além de outros elementos gráficos, é
natural que direcionemos nossa atenção
para as construções frasais. A literatura
sugere uma série de orientações
e, dentre elas, que adotemos frases que sejam simples,
curtas e escritas em ordem direta - isto é, que
declarem, na seqüência, o sujeito (se houver),
o predicado e os respectivos complementos; frases que
estejam encadeadas logicamente de maneira que venham
facilitar a apreensão das idéias abordadas;
frases plenificadas de sentido.
No
elenco de outras sugestões, especifica o seguinte:
caso um cabeçalho introduza um rol de ponderações,
itens, opções ou aspectos, é necessário
observar que, independentemente da utilização
de letras ou marcadores para destacar essas afirmações,
devemos, ainda, iniciar cada uma delas por meio de uma
única categoria gramatical. Assim, consideremos
que um caput introduza as 05 (cinco) constatações
a que o trabalho chegou. Neste caso, a redação
desses pontos poderá se iniciar ou por (a) artigo
definido ou por indefinido, ou na forma singular ou
na plural (b) verbo no infinitivo ou flexionado, (c)
substantivo, (d) pronomes demonstrativos, pessoais,
substantivos, adjetivos, indefinidos etc.
Parece
relevante, também, lembrar que as opções
destacadas não devem ser introduzidas sempre
por uma mesma palavra ou expressão: porque repetição
de idéia favorece a monotonia textual e, em certo
grau, expõe desconhecimento lingüístico
do elaborador do texto. Palavras ou expressões
aplicáveis a todas as ponderações
ou opções devem ser incorporadas ao caput
(enunciado) da mensagem e isto evidenciará o
melhor uso das mesmas.
Uma
técnica da comunicação em rádio,
que julgamos oportuna partilhar e que, ao nosso ver,
deve ser incorporada na produção de textos
impressos, recomenda a leitura de textos escritos em
voz alta, pois se as construções frasais
agradarem aos ouvidos certamente terão boa aceitação
por parte dos olhos.
Enfim...
Palavras cuidadosamente selecionadas e encadeadas. Frases
claras e bem construídas. Parágrafos perfeitos.
Mas, será que, de fato, estarão? A paragrafação
é outro aspecto essencial à produção
textual; ousaríamos dizer que tão significativa
quanto o uso da pontuação - frases mal
pontuadas são frases comprometidas do mesmo modo
que são as frases mal paragrafadas.
Desta
sorte, considerando o público-alvo a que o texto
se destina, não faz sentido ditar regras de pontuação
ou de paragrafação; o que faz sentido
assinalar é que o estudo da gramática
deve ser feito com grande constância por todos
aqueles que se comunicam por meio da língua escrita.
Cabe, no caso, uma pergunta: qual de nós está
excluído dessa situação? Acreditamos
só haver uma única resposta para a questão:
Nenhum de nós, certamente. A consulta a gramáticas,
por conseguinte, é inevitável para relembramos,
dentre tantas coisas, que parágrafos curtos são
mais facilmente lidos, construídos, compreendidos
e, se por um lado minimizam os riscos das construções
textuais cansativas, desmotivantes, desinteressantes,
por outro, interferem, também, no acesso à
informação propriamente dita.
Para finalizar nossa produção, queremos
ressaltar quão importante é o contato sistemático
com os colegas, profissionais da área de Letras.
É inadjetivável o valor da colaboração
que prestam ao nosso trabalho, quando lêem e criticam
os textos que elaboramos. Lamentavelmente, na maioria
das vezes, deixamos de considerar esta possibilidade de
troca e aprendizagem, quer porque acabamos nosso texto
na hora de enviá-lo para a coordenação
do evento, quer porque achamos que esse cuidado revela
excesso de preciosismo, ou, ainda porque, admitimos ter
suficiente domínio da língua. Razões
não faltam para justificar qualquer atitude. Nenhuma
delas, no entanto, satisfaz. Não acreditamos em
nada disso! Não há dizer mais valioso do
que aquele que advém da fala de quem conhece. Assim,
"se quem sabe faz a hora, não espera acontecer",
os colegas que se dispõem à leitura de nossos
artigos não só antecipam o conhecimento
das falhas de comunicação cometidas - permitindo-nos
que o reparo aconteça previamente como ainda dão
retoque especial ao nosso trabalho, grifando-lhe a singularidade,
a clareza, a propriedade para que, por meio dele, possamos
melhor nos comunicar com o outro (o leitor) - de modo
escrito, é claro!