Profa. Dra. Lucí Hildenbrand
Licenciada em Biologia (UFRRJ), M.Sc em Educação/Tecnologia
Educacional (UFRJ), Ph.D.em Comunicação/
Radio e Tv.(USP); especialista em Campanhas de Saúde
Pública, Consultora e Assessora de Projetos em
Tecnologia Educacional ; Educomunicação;
Comunicação, Educação e Saúde.
Docente da UFRRJ, UNIG e UNESA.
E-mails: lucihildenbrand@uol.com.br
/ luci.h@ig.com.br
Falar em público. Atividade que parece não
causar qualquer frisson, sobretudo quando o falante é
outrem ou alguém que possui grande habilidade de
comunicação oral. O que é fácil
para uns, não é fácil necessáriamente
para todos - os universitários que o digam, chegada
a hora de o professor anunciar quem vai falar, o que vai
falar e quando vai falar. O
incômodo afeta muita gente e, ao que parece, é
maximizado à medida que se aproxima a hora de
expor publicamente o tema estudado.
Não
adianta! - é fala corrente -sempre fico assim,
muito ansiosa. E o que é pior: a hora esqueço
tudo!
Outros,
diferentemente, comentam: A questão não
é se eu sei ou não sei o conteúdo;
o problema é outro: eu preciso ler as fichas
com as anotações senão me dá
um branco.
Os
mais tímidos, nessas ocasiões, também
entram em alvoroço: Mas logo eu fui escolhido
pra falar sobre esse assunto chato?
- Que chato, que nada! Contesta um amigo próximo
e acrescenta: Isso é moleza: você chega
lá na frente, conta tudo o que estudou e leva
pra casa mais um "deizão"!
- Parece que é fácil! Se acha que é
moleza mesmo - responde o colega - porque você
não vai lá na frente da turma e faz a
apresentação?
A
discussão é acalorada entre bom número
de acadêmicos mostrando-se, contudo, mais inquietante
em algumas áreas da formação superior
do que em outras. Claro é que característica
pessoais interferem no grau de facilidade/dificuldade
com que o graduando se põem diante da tarefa.
Hoje
sabemos que as comunicações orais em sala
de aula - destinadas à apresentação
de assuntos da especialidade em que irão atuar
- contemplam conteúdos curriculares e, via de
regra, têm por público alvo o docente e
a própria turma. Proximamente, o graduando estará
em eventos técnico-científicos não
mais na passiva condição de ouvinte ou
participante, mas assumindo outra posição:
a de expositor de trabalhos, mesmo que gerado nos limites
das IES (Instituições de Ensino Superior)
e supervisionados por seus próprios professores.
Vencido
o tempo da graduação, o acadêmico
será absorvido pelo mercado de trabalho que o
desafiará a responder as mais distintas solicitações.
Talvez numa dessas oportunidades, falar em público
seja a condição menos desgastante e desafiadora
para o jovem profissional. Suponhamos que agora ele
participe de uma convenção no exterior,
cujo idioma não seja o de seu país de
origem e onde deva fazer uma apresentação
para sua chefia imediata e altos executivos da empresa
presentes. O que fazer? Não fazer?! Impossível!
É preciso encarar...
Claro
que o ideal é o acadêmico possuir um preparo
anterior que o qualifique para as situações
futuras, inusitadas. Se a experiência anterior
é, então, capaz de fornecer um background
para distintas situações de vida, por
que não converter o espaço da sala de
aula em espaço próprio para estas aprendizagens?
É
provável que o estudante não admita que
aquele locutor seguro (seu professor, um conferencista,
uma autoridade renomada etc), que aborda determinado
assunto com fluência, precisão, coerência
e desenvoltura, possa ter sido, em algum tempo, um falante
também inseguro.
Uma
pessoa pode tornar-se incomodada com o ato de falar
em público até o dia em que ela assumir
que, na sua vida, falar em público é uma
situação regular, corriqueira e cotidiana.
As
particularidades das formações acadêmicas
favorecem o desenvolvimento diferenciado das habilidades
comunicativas: alguns falam para poucos, num processo
face-a-face; outros falam para muitos, simultaneamente,
não podendo olhar os tantos espectadores ao nível
dos olhos. Assim, via de regra, aos poucos, cada um
passa a se acostumar mormente com o tipo de prática
comunicativa que mais desenvolve na cotidianeidade,
embora deva ter claro que é necessário
ter domínio sobre de todas as demais. Para tanto,
nada mais oportuno do que converter o espaço
da sala de aula no espaço mais adequado para
dar vez ao desenvolvimento e à consolidação
da habilidade de falar em público. Todos nós
precisamos dela, por conseguinte, é necessário
investir.
Algumas
palavras podem ajudar os graduandos mais apreensivos
quando da sua participação em ocasiões
que envolvam este tipo de intervenção
comunicativa:
-
estude, com técnica, o conteúdo a ser
apresentado; conheça várias fontes de
informação para indicá-las, se
necessário;
-
considere que o tema de sua apresentação
deva ser abordado de forma clara, lógica, seqüencial
e coerente. Planeje isto com antecedência e
atenção, reparando as falhas identificadas
a tempo;
-
ensaie sua exposição para checar se
ela atende aos quesitos anteriores (se é clara,
lógica, seqüencial e coerente), aos objetivos
pretendidos pela disciplina, aos conhecimentos de
seus colegas de turma e ao tempo destinado pelo professor
para o exercício da atividade;
-
defina os meios de comunicação com os
quais irá trabalhar; prepare os materiais didáticos,
se for o caso, ou faça a testagem dos mesmos,
considerando a possibilidade de que tais materiais
já estejam prontos;
-
identifique as ações que devam ser realizadas
por seus colegas (leitura de texto, produção
de resumo, feitura de exercícios, resposta
para instrumento de avaliação) e elabore
o material procedente;
-
atente para o fato de que todo o material distribuído
em sala, que seja de sua própria autoria deva
ter revisão de conteúdo e de língua
portuguesa (feita pelo docente responsável
pela disciplina).
Estando
tudo preparado para uma boa apresentação,
não há o que temer ao falar em público.
Aos poucos, descobrirá que as inseguranças
ficaram para trás e que agora, plenamente envolvido
com o mundo das comunicações presenciais,
basta ter estado de ânimo elevado para bem receber
as surpresas e curtir as satisfações da
prática comunicativa. Boas falas! |