| ::. Formas
de trabalho com crianças depressivas |
Roberto
Giancaterino
Matemático, Físico e Pedagogo. Pós-Graduado
em Psicopedagogia, Docência do Ensino Superior,
Ciências da Educação, Valores Humanos
Transdisciplinares, Administração e Supervisão
Educacional. Mestre e Doutorando em Ciências da
Educação.
Escritor, Pesquisador, Palestrante e Seminarista na área
Educacional.
Fones: (11) 9601-0994
E-mail: prof.giancaterino@terra.com.br
/ prof.robertogian@terra.com.br
"O
professor afetivo é aquele que em premissa maior,
acalanta o baú cheio de conhecimento adquirido
na informalidade do seu educando e conduz a uma aprendizagem
significativa em seu cotidiano escolar".
A
depressão é um dos mais significativos
problemas no mundo atual, e a sua incidência tem
aumentado exponencialmente. Ela reflete o desequilíbrio
não só das pessoas em si, mas também
de nossa sociedade e de nosso meio ambiente. Atualmente
a depressão, tornou-se comum em crianças.
A depressão é uma doença séria
e pode contribuir para várias alterações
como o isolamento das crianças, baixo rendimento
escolar, baixa auto-estima e até mesmo uso de
drogas como tentativa de sentirem-se melhor. Provavelmente,
por estarem em desenvolvimento, não têm
capacidade para compreender o que acontece internamente
e, com freqüência, ela apresenta comportamentos
agressivos.
A interação entre a escola e a família
é muito importante. Corroborando Coll e et al
(1995), assinalam que: tanto o desenvolvimento adequado
da criança como sua própria atitude para
com a escola dependem do correto estabelecimento de
uma rede de relações positivas entre os
colegas. Quando as relações comunicativas
com os colegas são deficientes ou negativas,
a criança pode apresentar dificuldades de ajustamento,
durante a escolarização ou mesmo posteriormente.
Da mesma forma, a falta de habilidades interpessoais
e o rechaço dos colegas de aula estão
relacionados com problemas emocionais, sentimentos de
ansiedade, baixa-estima, condutas desordenadas e sentimentos
de hostilidade para com a escola. Em troca, quando as
relações estabelecidas com os colegas
são de aceitação e apoio mútuos,
é favorecido o sucesso dos objetivos educativos.
Além disso, deve-se assinar que as relações
entre colegas não são apenas um problema
interpessoal, mas dependem, em grande parte, no clima
da classe e da organização social das
atividades que nela são realizadas. Lembrando
que, o aspecto afetivo tem uma profunda influência
sobre o desenvolvimento intelectual. Ele pode acelerar
ou diminuir o ritmo de desenvolvimento. Ele pode determinar
sobre que conteúdo a atividades intelectual se
concentrará.
Ainda Coll e et al (1995) destacam que, tanto as relações
que mantém com as crianças, como o modelo
geral de atuação que apresenta em aula,
possuem um impacto positivo no êxito acadêmico
e no autoconceito dos alunos. Com relação
aos pais, estes atuam como espelhos, que devolvem determinadas
imagens ao filho. O afeto é muito parecido com
o espelho. Quando se demonstra afetividade por alguém,
cria-se um espelho, refletindo um no sentimento de afeto
do outro, é desenvolvido o forte vínculo
do amor, essência humana, em matéria de
sentimentos.
É nesta interação afetiva que se
desenvolvem os sentimentos positivamente ou negativamente
e se constrói a auto-imagem. Se os pais estão
sempre opinando a partir de uma perspectiva negativa
para os filhos, e se estão sempre os taxando
de inúteis e incapazes, ou usando de zombarias
e ironias, irá se formando neles uma imagem "pequena"
de seu valor. E se com os amigos, na rua e na escola,
repetem-se as mesmas relações, assim a
criança apresentará auto-estima baixa
e baixo sentimento de auto-avaliação (Souza,
2000).
Para Souza (2000), a conduta do professor em relação
ao aluno, será determinante para o autoconceito
da criança, pois os sentimentos que um aluno
tem sobre si mesmo, dependem em grande parte, dos comportamentos
que percebe que o professor mantém em relação
a ele.
Vale salientar, que uma atitude continuada, consistente
de alta expectativa diante do fracasso, facilita os
resultados acadêmicos do aluno ou de surpresa
diante de seu sucesso. Todavia, ao fomentar sua insegurança,
reduz as possibilidades dele enfrentar os problemas,
criando no aluno um sentimento de incapacidade.
Outro fator que influencia, indiretamente, o conceito
que o aluno faz de si mesmo é o aluno-conceito
do professor. Os professores que possuem sentimentos
positivos a respeito de si mesmo tendem a aceitar os
outros com mais facilidade, no entanto, o professor
com um elevado sentimento de eficácia, segurança
em suas execuções e pouca ansiedade, fomentam
aos alunos o desenvolvimento de percepções
positivas a respeito deles mesmos e de seus colegas,
incrementado a qualidade da interação
em aula.
Oportuno lembrar, que é de grande auxílio
à criança depressiva que pais, professores
e amigos admitam seus próprios erros ou fracassos,
pois a criança precisa saber que também
os adultos e/ou os que a rodeiam não são
perfeitos, inclusive podendo sentir os mesmos sentimentos
que ela.
Na teoria de Piaget, o desenvolvimento intelectual é
considerado como tendo dois componentes: um cognitivo
e outro afetivo. Paralelo ao desenvolvimento cognitivo
está o desenvolvimento afetivo. Afeto inclui
sentimentos, interesses, desejos, tendências,
valores e emoções em geral. Piaget aponta
que há aspectos do afeto que se desenvolve.
Dessa forma, o afeto apresenta várias dimensões,
incluindo os sentimentos subjetivos (amor, raiva, depressão)
e aspectos expressivos (sorrisos, gritos, lágrimas).
Na ótica de Piaget, o afeto se desenvolve no
mesmo sentido que a cognição ou inteligência.
E é responsável pela ativação
da atividade intelectual (Souza, 2005).
Nesse sentido, a auto-estima mantém uma estreita
relação com a motivação
ou interesse da criança para aprender, é
uma poderosa necessidade humana, que contribui de maneira
essencial para o processo da vida, sendo indispensável
para um desenvolvimento normal e saudável. Tem
valor de sobrevivência.
Na ausência de uma auto-estima positiva, o crescimento
psicológico fica comprometido. A auto-estima
positiva funciona como se, na realidade, fosse o sistema
imunológico da consciência, fortalece,
dá energia e motivação. Ela inspira
a obter resultados e permite sentir prazer e satisfação
diante das realizações (André &
Lelord, 2000).
É importante destacar, que o afeto é o
princípio norteador da auto-estima. Entretanto,
depois de desenvolvido o vínculo afetivo, a aprendizagem
e a motivação, como meio para conseguir
o autocontrole da criança e seu bem estar, são
conquistas significativas. Atendendo as necessidades
afetivas da criança, elas se tornarão
mais satisfeitas consigo mesmas e com os outros, e terão
mais facilidade e disposição para aprender.
A criança com quadro depressivo de acordo com
Coll e et al (1995), necessita sentir-se protegida,
amada, possibilitando a sua integração
social, familiar e escolar. Em síntese, cabe
aos pais, psicopedagogos e professores ajudar a criança
com quadro depressivo a acreditar em si mesma. O que
a criança pensa de si mesma é mais importante
do que ela sabe. Todavia, é mister salientar
que, a criança que se sente amada, aceita, valorizada
e respeitada, adquire autonomia, confiança e
apreende a amar, desenvolvendo um sentimento de autovalorização
e importância. A auto-estima é uma coisa
que se aprende. Se uma criança tem uma opinião
positiva sobre si mesma e sobre os outros, terá
maior condição de aprender.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ANDRÉ,
C. & LELORD, François. A auto-estima. François
Lelord, Coleção Conviver, 2000.
COLL, C.; PALACIOS, J; MARCHESI, A. Desenvolvimento
psicológico e educação: psicologia
evolutiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
SOUZA, M. R. S. Saúde e vida on-line. Campinas,
SP: Disponível in: http://www.nib.unicamp.br/svot/artigo53.htm,
2000.
________________Afetividade. A questão afetiva
se bem atendida ajudará seu filho para que tenha
êxito na escola. Disponível in: http://www.saudevidaonline.com.br/artigo53.htm,
2005.
Publicado
em 20/02/2007 |