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Implicações
das TIC´s na Educação |
Kassandra
Brito de Carvalho
Mestranda em Educação (Unicamp-SP). Especialista
em Tecnologias Interativas Aplicadas à Educação
pela PUC-SP. Pedagoga e Orientadora Educacional pela Universidade
São Marcos. Professora de Informática das
Faculdades Cathedral em Boa Vista - Roraima
E-mail:
kassandra@roraimaweb.com
Site: www.roraimaweb.com/kassandra
Fone: (95)- 623.9487
Muitos
especialistas afirmam que "os avanços das
TIC´s poderão revolucionar a pedagogia
do século XXI, da mesma forma que a inovação
de Gutemberg revolucionou a educação a
partir do século XV" (HOLMBERG apud BELLONI,
1999, p. 55). Entretanto, essas tecnologias não
substituirão de imediato as atuais, mas provocarão
mudanças profundas na forma como se constitui
a dinâmica do ensino, "[...] tudo depende
da pedagogia de base que inspira e orienta estas atividades:
a inovação ocorre muito mais nas metodologias
e estratégias de ensino do que no uso puro e
simples de aparelhos eletrônicos" (BELLONI,
1999, p. 73).
Segundo Palloff ; Pratt (1999) apud Soares (2000), as
novas tecnologias podem enriquecer o ato pedagógico
favorecendo uma efetiva interatividade entre os agentes
do processo: alunos e professores. "Concluímos
a través de nuestro trabajo com el nuevo médio
(internet) que la comunidad educativa - com los professores
participando em igualdad de condiciones com sus alumnos
-, es la chave del éxito de todo el proceso."
Como já dito anteriormente, não é
a tecnologia que importa, mas a filosofia educativa
que empresta sentido ao uso.
Segundo Moraes (1997, p. 190), precisamos colocar o
conhecimento a disposição do maior número
possível de pessoas, possibilitando a criação
de potencialidades comunicacionais; criando também
uma atmosfera de investigação, colaboração
e reflexão crítica, permitindo uma aprendizagem
contínua, permanente e autônoma.
Por aprendizagem autônoma entende-se um processo
de ensino e aprendizagem centrado no aprendente, cujas
experiências são aproveitadas como recurso,
e no qual o professor deve assumir-se como recurso do
aprendente, considerando como um ser autônomo,
gestor de seu processo de aprendizagem, capaz de autodirigir
e auto-regular este processo. Este modelo de aprendizagem
é apropriado a adultos com maturidade e motivação
necessária à auto-aprendizagem e possuindo
um mínimo de habilidades de estudo (BELLONI,
1999, p. 39-40).
O ato de aprender não é uma mera acumulação
de conhecimentos, mas uma interação de
saberes vividos em sala de aula, onde professores e
alunos articulam-se pela busca do conhecimento e pelo
exercício da democracia. Este exercício
democrático, também de interação
intelectual-social, modifica nosso modo de pensar alterando
nossa base cognitiva e emocional.
Perriault apud Belloni, (p. 28, 2001) salienta que os
modos de aprender dos alunos ainda são uma incógnita
para a maioria dos professores. Conhecer os métodos
de aprendizagem mediatizada são fundamentais
para compreendermos os processos da auto-aprendizagem.
As TIC, ao mesmo tempo em que fazem grandes potencialidades
de criação de novas formas mais performáticas
de mediatização, acrescentam muita complexidade
ao processo de mediatização do ensino/aprendizagem,
pois há grandes dificuldades na apropriação
destas técnicas no campo educacional e em sua
"domesticação" para utilização
pedagógica. Suas características essenciais
- simulação, virtualidade, acessibilidade
a superabundância e extrema diversidade de informações
- são totalmente novas e demandam concepções
metodológica muito diferentes daquelas das metodologias
tradicionais de ensino, baseadas num discurso científico
linear, cartesiano e positivista. Sua utilização
com fins educativos exige mudanças radicais nos
modos de compreender o ensino e a didática (BELLONI,
2001, p. 27).
Aprendemos em diferentes contextos e de diferentes maneiras.
Possuímos estilos de aprendizagem diferentes
e esse conhecimento não pode ser ignorado pelo
professor. Educar para a sociedade do conhecimento é
compreender que devemos investir na criação
de competências considerando os estilos individuais
de aprendizagem e os novos espaços de construção
do conhecimento. A busca por um equilíbrio faz
com que pensemos sobre as ações pedagógicas
mais democráticas que considerem os estilos de
aprendizagem dos alunos, que redimensionem papeis do
professor e do aluno, que revise as premissas filosóficas
e epistemológicas, que orientam as ações
educativas e que inclua as TIC´s como ferramenta
mediadora da aprendizagem.
A utilização das TIC´s com ênfase
na aprendizagem volta-se para o desenvolvimento das
habilidades, expectativas, interesses, potencialidades
e condição de aprender; todas essências
ao processo educativo autônomo. Os alunos são
estimulados a se expressarem pelas suas próprias
idéias, a desenvolver a autonomia e a capacidade
de se sociabilizar e construir conhecimento, o que exige
um novo papel do professor.
Papel este que, ao que tudo indica, tende a ser cada
vez mais mediatizado. O professor tende a ser amplamente
mediatizado: como produtor de mensagens inscritas em
meios tecnológicos, destinadas a estudantes a
distância, e como usuário ativo e crítico
e mediador entre estes meios e os alunos (BELLONI, 2001,
p.27).
Para a autora, assumir esse novo papel compreende um
novo desafio, o de aprender a trabalhar em equipe e
penetrar em diferentes áreas disciplinares. A
utilização das TIC´s focada na aprendizagem,
exige funções novas e diferenciadas. "A
figura do professor individual tende a ser substituída
pelo professor coletivo. O professor terá que
aprender a ensinar a aprender" (BELLONI apud BELLONI,
2001, p.29).
Orientadas para esses fins, as TIC´s na educação
correspondem a descoberta de uma nova pedagogia. Uma
pedagogia ativa que atenda as necessidades e anseios
de uma sociedade que tem a comunicação
como processo mediador da educação. Esses
processos, configuram-se por uma alfabetização
áudio-visual, coletiva e interativa que de certa
forma desestabilizam os processos de organização
tradicionais de ensino.
Um processo educativo centrado no aluno significa não
apenas a introdução de novas tecnologias
na sala de aula, mas principalmente uma reorganização
de todo o processo de ensino de modo a promover o desenvolvimento
das capacidades de auto-aprendizagem. Esta verdadeira
revolução na prática pedagógica
implica um conhecimento seguro da clientela: suas características
socioculturais, suas necessidades e expectativas com
relação àquilo que a educação
pode lhe oferecer (BELLONI, 1999, p. 102-103).
A perspectiva das TIC´s é para que as múltiplas
linguagens, em suas múltiplas vozes, amplifiquem
os espaços educativos, constituindo um universo
em constante processo de interação e transformação
social. A ação comunicativa dessa nova
pedagogia, dialética e interativa, favorecida
e potencializada pelas redes telemáticas, orienta-se
numa perspectiva de desenvolvimento da capacidade crítico-reflexiva
do homem, numa interação social que atenda
as necessidades emergentes da nossa sociedade e que
de certa forma proponha ações mais justas
e democráticas. Desta forma, preocupam-se os
educadores, as TIC´s na educação
devem ser orientadas de forma cuidadosa a fim de reforçar
a humanização do homem.
Kassandra
Brito de Carvalho
Sou pedagoga e professora de informática. Leciono
há onze anos informática na educação.
Participei de projeto junto a 3ª idade e recebi
uma premiação pelos serviços prestados
à Fundação de Rotarianos de São
Paulo. Trabalhei dois anos com formação
de professores da rede municipal de ensino de São
Paulo antes de vir para Boa Vista. Lecionei para os
três níveis de ensino e há cinco
anos estou só no ensino superior. Desenvolvo
projetos de sites institucionais e pessoais como autônoma
e trabalho com formação didática
para profissionais liberais.
5. BIBLIOGRAFIA
BELLONI,
Maria. L. Educação a Distância. Campinas,
SP : Associados, 1999.
BELLONI, M. L. O que é Mídia e Educação.
Campinas, SP : Autores Associados, 2001.
HOLMBERG, B. Guided Didatic Converstion in Distance Education,
in: SEWART, D. et alli (eds.) Distance Education: Internnacional
Perspectives. Londres/Nova Iorque: Croomhelm/St. Martin´s,
1993.
MORAES, M. C. O paradigma educacional emergente. 3. ed.
Campinas, SP: Papirus, 1997.
SOARES, I. de O. Educomunicação: um campo
de mediações. Revista Comunicação
e Educação. ECA USP, n. 19, p. 12, 2000.
SOARES, Ismar de O. Revista Nexos: estudos em comunicação
e educação. Estudos em Comunicação
e Educação in: La comunicación/Educación
como nuevo campo Del conocimiento y el perfil de su profesional.
São Paulo : Anhembi Morumbi, 1999. |