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::. Inclusão, ainda um desafio na educação
Adriane Branco Folkis
Professora da 2º série do Colégio Fênix de Bauru, graduada em Psicologia e Pedagogia pela Universidade do Sagrado Coração de Bauru – SP.
Email:
clovis@colfenix.com.br


O tema da Inclusão tem proporcionado ampla discussão no meio educacional e causado grande polêmica que envolve escolas tradicionais, instituições especializadas, os pais de alunos com ou sem dificuldades e a própria sociedade.
Preconceitos, antigos valores, velhas verdades, atitudes e paradigmas conservadores da educação ainda retardam a implementação de ações em favor da abertura das escolas para alunos portadores de dificuldades especiais. Alguns países já têm iniciativas neste sentido e várias experiências positivas nesse campo. Citamos como exemplo os Estados Unidos, Austrália, Itália, Canadá. Susan Stainbach e Willian Satainbach publicam uma obra extraordinária sobre o assunto – Inclusão: Um guia para educadores (traduzida e publicada no Brasil em 1999) – onde narram suas experiências na área da inclusão e as de outros colaboradores.

A escola inclusiva ainda tem um longo caminho a percorrer no Brasil. Falar em educação de inclusão implica em se pensar numa escola onde os alunos recebam oportunidades educacionais adequadas às suas habilidades e necessidades; em pensar uma escola da qual todos fazem parte, em que todos são aceitos, em que todos ajudam e são ajudados pelos professores, pelos colegas e pelos membros da comunidade, independentemente do talento, deficiência, origem sócio-econômica ou cultural. Uma escola de inclusão só existe na medida em que aceitarmos que é preciso tirar proveito das diferenças.

Por enquanto a escola que temos é a da exclusão, da discriminação dos deficientes, dos que não são deficientes, mas têm certas dificuldades de aprendizagem, dos menos favorecidos social e culturalmente.

Stainbach (1999) observa que são vários os benefícios da inclusão:

(a) benefícios para todos os alunos, na medida em que, nas salas de aula, todas as crianças se enriquecem por terem oportunidade de aprender umas com as outras, aprendem a cuidar umas das outras e a conquistar atitudes, habilidades e valores necessários para a sociedade apoiar a inclusão de todos os cidadãos;

(b) benefícios para todos os professores, na medida que eles têm a oportunidade de planejar e conduzir a educação como parte de uma equipe cooperativa, melhoram suas habilidades profissionais e a mantêm-se informados das mudanças que ocorrem em suas áreas e garantem sua participação nas tomadas de decisões;

(c) benefícios para toda a sociedade, na medida que a razão mais importante do ensino inclusivo é o valor social da igualdade, pois que se ensina aos alunos que, apesar das diferenças, todos têm direitos iguais. A inclusão reforça a prática de que as diferenças são aceitas e respeitadas.

A questão da inclusão não é um direito que os alunos precisam conquistar. Isto é discriminação. O ensino inclusivo é um direito básico e na escola inclusiva a igualdade é respeitada e promovida como um valor na sociedade e os resultados visíveis são os da paz social e os da cooperação. À escola inclusiva cabe a superação das experiências e padrões do passado, ou seja da segregação e da desigualdade. A idéia tradicional de que pessoas deficientes poderiam ser ajudadas em escolas e instituições especializadas, ambientes socialmente segregados, só serviu para fortalecer os estigmas sociais e a rejeição.

A inclusão é um desafio, grande em muitos países e enorme no Brasil. Ela deve também, além de outros, vencer desafios de ordem orçamentária. A inclusão genuína não significa a inserção de alunos com deficiências em classes de ensino regular sem qualquer apoio para a instituição escolar, para os professores ou alunos. A inclusão implica em aparelhar adequadamente a escola com instrumentos, técnicas e equipamentos especializados, em apoio aos professores e alunos.

Não restam dúvidas de que a inclusão é um desafio, já que se trata de um novo paradigma de pensamento e de ação, pois que trata da inclusão de todos os indivíduos em uma sociedade na qual a diversidade deve se tornar uma norma e não uma exceção. O caminho não é, certamente, um dos mais fáceis. Mudanças dessa natureza não se fazem sem resistências, mas é o único para uma prática social verdadeiramente democrática.

STAINBACH, Susan. Inclusão: um guia para educadores. Susan Stainbach e Willian Stainbach; Trad. Magda França Lopes. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
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