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Indisciplina,
mal dos tempos!
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Zuleide
Blanco Rodrigues
Graduada em Pedagogia (PUC-SP), pós-graduada em
Educação (PUC-SP)
E-mail: zuleide.blanco@bol.com.br
Eu poderia relatar vários casos de indisciplina
na sala de aula, como o aluno que olha para você,
e na maior "cara de pau" fala - "eu pago
o seu salário, você tem que me servir";
outro que enfia o lápis, bem apontado, no colega
do lado, por motivo nenhum; ou aquele que agride o aluno
com necessidades especiais, ressaltando sua deficiência
perante a classe, humilhando acintamente o colega; há
aquele que trata funcionários dos serviços
gerais com palavras de baixo calão ou membros
da equipe pedagógica e até da diretoria
com descaso e desrespeito. Como podemos ver, os casos
são muitos e ninguém está livre
de ser envolvido, todos somos vulneráveis, até
por vivermos grande parte de nossas horas úteis
juntos.
A questão primordial é tentar saber porque
acontecem esses casos indisciplinares e, o que pode
ser feito para minimizar ou, numa visão mais
utópica, sanar essas dificuldades no cotidiano
das escolas.
As atitudes comportamentais vão se formando gradativamente
a partir do nascimento por meio de diversos paradigmas,
institucionais ou não, em sua maioria com a imposição
de valores, de fora para dentro, obrigando a uma passividade
que crianças e jovens não se predispõem
a aceitar. Desta forma, instaura-se a indisciplina,
como instrumento de auto-afirmação, de
mostrar que está presente, que tem uma vida a
viver e que anseia por um olhar compreensivo, um olhar
verdadeiro, em que transpareça o amor. O sentimento
de menos valia tem tomado conta de grande parte das
pessoas, influindo decisivamente em suas atividades.
Nas escolas, professores e alunos, quando têm
oportunidade de manifestar sua insatisfação,
o fazem, de acordo com seus princípios primeiros,
de forma agressiva, gerando a indisciplina ou fechando-se
em si mesmos, gerando a introspecção,
o retardo na aprendizagem ou no ministério das
aulas.
Sem dúvida, a questão disciplinar merece
acurado estudo por todos os envolvidos no processo de
educação, por ser parte integrante do
equilíbrio emocional e bem-estar do próprio
indivíduo e dos que interagem com ele no mesmo
espaço. Eu, particularmente, enquanto educadora,
apaixonada pela profissão e por todos os aspectos
que possam interferir no processo de desenvolvimento
e aprendizagem de meus alunos, acredito que grande parte
dos distúrbios disciplinares seriam resolvidos
se as pessoas se envolvessem mais umas com as outras,
com mais responsabilidade, mais afetados aos interesses
e anseios de cada um.
Retornando ao século XIX, mais especificamente
a Tolstoi, encontramos princípios passíveis
de serem analisados e quiçá aplicados
no século XXI, por se manterem ainda profícuos
e atuais. Tolstoi diz: "A educação
é formar-se para a liberdade através da
liberdade. Assim, a escola deve ser uma palestra de
livres atividades, o professor deve abandonar qualquer
atitude repressiva e dirigista, o estudo deve partir
do interesse, a disciplina deve tornar-se autodisciplina".
O grifo é intencional por estar diretamente ligado
ao assunto em pauta, outros aspectos das concepções
tolstoianas podem prestar-se à reflexões
pragmáticas.
A autodisciplina presta um serviço à humanidade;
em contra-partida, a indisciplina é tida como
mal de todos os tempos, por gerar atitudes, muitas vezes,
imediatistas, impensadas, individualistas, que em posse
de uma forte liderança constitui um meio absolutamente
caótico. Nas escolas, a indisciplina, quando
instaurada, predispõe esta escola ao insucesso
e fracasso inevitáveis. Numa abrangência
maior, num país, a indisciplina pode, até,
colocá-lo em estado belicoso.
As relações sociais são complexas,
de difícil equiparação de valores,
passíveis de desajustes. Urge, portanto, que
o sistema educacional dê importância prioritária
a essa questão da disciplina, pois pode ser o
elo entre o bem-estar na escola e o despertar do interesse
pelo aprendizado formal.
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