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::. Medo inibe professor de “brincar em sala de aula”
Lilian Fernandes
www2.uol.com.br/aprendiz

“O maior obstáculo ao uso de brincadeiras em sala de aula é a insegurança dos professores”. É o que afirma a psicopedagoga Tânia Ramos Fortuna, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Segundo ela, as atividades lúdicas desapareceram da escola e ficaram relegadas ao recreio, no intervalo.

A psicopedagoga vê dois motivos que podem explicar esse receio: ou o professor não percebe como jogos coletivos possibilitam mais êxito na vida escolar, ou não sabe lidar com a sala quando há uma atividade. No entanto, Tânia prefere escolher a segunda opção: “Os professores não querem brincar porque os alunos ficam mais agitados, turbinados, excitados. Os adultos sentem-se ameaçados”.

Hoje em dia, como lembra a especialista, existe uma cisão entre o lazer e o trabalho. Essa separação atinge também as escolas, criando certos bloqueios quando se fala em usar as brincadeiras como ferramenta pedagógica. ”É necessário que a criança aprenda a brincar para viver com prazer. A principal herança do brincar é a criatividade”.

E não é por falta de boa vontade do professor. Tânia conta que cada aluno tem seu tempo de brincar. Quando o educador propõe uma brincadeira, há crianças que já se dispõem a começar antes mesmo de aprender as regras, ao contrário de outras, que só se integram depois que a brincadeira começou.

Mais tarde, quando os jogos chegam ao fim, o movimento é o mesmo: cada um se desconecta em momentos diferentes. Para Tânia, é nesse ponto que os problemas aparecem para o educador. “Cada um precisa do próprio tempo para se reconectar. É um tempo pessoal, particular”, explica.

A solução encontrada pela especialistas requer muita paciência e tato do professor. “Ele deve aprender a renunciar ao controle, permitindo que os grupos façam atividades diferentes ao mesmo tempo, e que ele deixe de ser o eixo”, aconselha.

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